Por Luiza Serrano – colaboração Gabriela Loschi
Foto de abertura: Matthias Wehofsky
Apesar de ter visitado o Brasil algumas vezes, conversar com Rødhåd é raro, devido à sua agenda cheia. Então podemos dizer que hoje foi nosso dia de sorte, e amanhã também, já que além de conceder este bate bola para a gente por e-mail, ele vai pilotar a cabine do club Caos, nesta sexta-feira, 17 de maio, em uma das noites mais aguardadas do club campineiro, ao lado de grandes lendas brasileiras como Murphy, Renato Cohen, do nova-yorkino Justin Strauss e da argentina Sol Ortega.
Com uma carreira que começou no final dos anos 90, e que continua em uma crescente constante, Rødhåd é um daqueles artistas inquietos, de mente criativa e efervescente, que não se limita apenas ao que a cena propõe.

Foto: Matthias Wehofsky
Como um bom DJ old school, reconhece e valoriza as mudanças da cena eletrônica em todo mundo, mas também não abre mão do que aprendeu desde cedo, o poder da música!
E isso se revela não só em seus últimos lançamentos musicais, mas em sua cuidadosa curadoria. Essa faceta do produtor alemão já era visível na gravadora Dystopian mas, no ano passado, ele apresentou ao público um selo para chamar de seu, o WSNWG.
O último lançamento da sua label, pequena, mas poderosa, foi ao lado de um parceiro de longa data, Alex.Do. São quatro faixas certeiras para uma pista de techno com atmosfera séria e profunda.
Enquanto você curte o lançamento de Rødhåd, te convidamos a descobrir algumas curiosidades, incluindo sua passagem avassaladora no Brasil com direito a fã clube especial com a senhora mamis Rødhåd ao seu lado. Ele não é de falar muito com a imprensa, mas quando o assunto é música e sets memoráveis, ele solta o bpm. Aproveite!
HM – Olá Rødhåd! Somos grandes admiradores do seu trabalho e é um prazer conversar com você. Quais são seus lugares favoritos e inspiradores na cidade com uma cena techno tão efervescente como Berlim?
Olá Brasil, bom estar de volta! Para ser honesto, no momento meu estúdio é meu lugar inspirador aqui em Berlim.
HM – Desde o final dos anos 90, quando você começou, sua carreira evoluiu junto com toda a cena. Como você vê a transformação do house e do techno no mundo e como você enxerga sua contribuição?
Às vezes é realmente louco o quão rápido as coisas estão indo. O que eu percebo nos últimos anos é que a mídia social e a “presença” de um DJ são algumas vezes mais importantes do que a própria música.
Quando eu comecei, era tudo sobre música e às vezes não dava nem pra enxergar o DJ nos clubs porque estava tão escuro ou a cabine do DJ estava escondida. Mas ao lado disso a evolução da música eletrônica também trouxe uma infraestrutura muito melhor para cada cena, os fãs, promotores e DJs estão mais conectados do que nunca um com o outro. E para onde quer que você esteja viajando, você encontra amigos e colegas em todo o mundo.
HM – Você já esteve no Brasil algumas vezes. E da última vez você veio com a sua mãe. Foi a primeira vez dela no Brasil? E ela sempre acompanha você?
Eu gosto muito daqui. Eu estava no mês passado a última vez com minha mãe quando toquei no Warung Day Festival. Você pode até encontrar online algumas fotos e um vídeo que Eli Iwasa fez de mim e minha mãe dançando e tocando no palco.
Nessa ocasião da viagem, fizemos um tour pela América do Sul. Foi a primeira vez dela em Buenos Aires, Santiago do Chile e São Paulo. Felizmente tivemos algum tempo para passear e ver as cidades.
Nós tentamos fazer disso uma tradição, onde ela voa uma vez por ano comigo. Ela já foi comigo para a Austrália, Japão e EUA. Estou muito feliz em compartilhar esses momentos com ela, é realizador.
HM – Sua mãe estava muito animada, ela deve curtir muito tudo isso. Desde o início ela enfrentou bem sua decisão de ser DJ?
Sim, ela sempre me apoiou desde o início e, honestamente, sem o apoio dela e o apoio dos meus amigos, família e minha namorada eu não poderia estar aqui onde estou agora.
HM – Estar à frente de uma gravadora é uma missão delicada. Muitos produtores colocam seus sonhos em labels como a Dystopian, que tem uma curadoria muito cuidadosa. Quais são suas maiores preocupações?
Você está certa. É delicado e também enfrentamos grandes desafios. Precisamos lidar com o fato de enfrentar um mercado com mais vendas digitais do que vinil. Mas além disso ainda é muito divertido procurar músicas e lançar todos esses artistas incríveis. Agora, por exemplo, relançamos uma faixa antiga do BEROSHIMA com alguns remixes bem legais de Marcel Dettmann, Tijana T, Somewhen e eu.
HM – Quão difícil é para você escolher a música para lançar – e tocar – hoje em dia? Está ficando mais fácil ou mais difícil ao longo do tempo?
Como eu costumo dizer: novos tempos, novas possibilidades. Por causa do contato próximo através das mídias sociais com os fãs e ouvintes de um selo ou artista, você pode alcançar e colocar a música muito mais rápida e direta.
HM – Você acabou de lançar quatro faixas com Alex.Do. Atmosféricas, profundas e tremendas para uma pista de techno séria. Quais são seus sentimentos ao produzir hoje em dia?
Alex.Do é um dos meus amigos e colegas musicais mais antigos e estou muito feliz que pudemos finalmente lançar algumas faixas em colaboração. Para esse tipo de produção com outros artistas eu também fundei minha própria pequena label: WSNWG.
HM – Você toca esta sexta-feira no Caos, Campinas, pela primeira vez. O Caos tornou-se um dos clubes underground mais importantes do Brasil. Como está sua expectativa?
Eu só ouvi coisas boas sobre o club e todo o trabalho e esforço que a Eli (Iwasa) está colocando nele. Então eu estou feliz que eu poderei finalmente tocar no Caos. E no dia seguinte eu vou voar para Bogotá para o Baum Festival.
HM – Por favor, deixe uma mensagem para os fãs brasileiros que estão ansiosos para este final de semana.
Estou realmente muito, muito feliz por estar de volta ao Brasil, e finalmente tocar no Caos, em Campinas. Venham todos!
