Por redação
Foto de abertura: divulgação
Na próxima segunda-feira, 13 de maio, Victor Ruiz lança o EP “Nimbus”, pela sueca Drumcode, gravadora de Adam Beyer. Inclusive, o pre-order já está rolando e pode ser encontrado aqui.
Natural de São Paulo, o produtor tem uma longa trajetória na música eletrônica e reconhecimento da cena nacional. Buscando sair da sua zona de conforto e explorando novas pistas, Victor se mudou recentemente para Berlim.

Foto: Image Dealers
Se adaptando a nova casa, país, público, cena e sim, clima, Victor está ansioso por algumas estreias na Europa. O DJ e produtor já tocou nos principais clubs e festivais brasileiros, agora, fará a sua estreia em grandes eventos como Awakenings e Drumcode Festival nesta temporada de verão do outro lado do Atlântico.
Para saber um pouco mais desta nova fase em sua carreira e matar a saudade, batemos um papo exclusivo com Victor Ruiz, que contou com detalhes sobre a sua nova experiência, lançamentos e carreira!
HM – Oi Victor, obrigado por conversar com a gente! Você começou a sua carreira de DJ em sua cidade natal, São Paulo, e sabemos que hoje o Brasil é um dos lugares mais reconhecidos na América do Sul para música eletrônica. Porque e o que faz dele um lugar especial?
No Brasil temos muitas questões sociais e políticas no dia a dia, e para nos “distrairmos” de tudo isso, ou até mesmo para ajudar a superarmos, nós gostamos de festa, de entretenimento. Acabamos aproveitando mais as festas, pois é uma forma de recompensa depois de todo o trabalho duro da semana. Felizmente, as festas de música eletrônica estão mais acessíveis e populares por uma demanda natural, e todos os meus colegas DJs quando vão para o Brasil se divertem muito, justamente pelo calor e carinho do público.

Foto: divulgação
HM – Você se mudou recentemente para Berlim, considerado o principal centro de música eletrônica, especialmente na Europa. Qual foi o principal objetivo quando se mudou para lá? Você achou a adaptação difícil?
Como brasileiro, é muito fácil você se acostumar com o cenário nacional e fazer uma vida ali, tocando todo fim de semana em uma cidade diferente e vivendo disso. É um país muito grande com muitas festas. Essa é a grande cilada para a maioria dos DJs e produtores nacionais: a zona de conforto.
É muito confortável estar num ambiente familiar e sempre tocar “em casa”, mas isso é algo que eu nunca consegui me acostumar, sempre quis mais. Conforme minha carreira evoluiu, foi natural eu sentir a necessidade de “me jogar” pra Europa e dar um próximo passo, assumir riscos. Berlim foi a escolha óbvia por muitos motivos profissionais e pessoais.
Mas foi assustador, cara! Morar fora não é fácil. Todas as questões pessoais que você têm emergem de uma maneira que você não consegue mais escapar. Você tem que lidar com seus demônios e falhas. Tem sido a experiência mais engrandecedora e dura da minha vida. Não é nada fácil estar longe da família, num país onde não falo a língua, com um clima completamente diferente do que estou acostumado. O inverno também é puxado, não pelo frio, mas pela falta de luz do sol. É foda!
Apesar de tudo isso, confesso que sei que vou ficar mais forte e mais maduro depois que essa fase passar. Recomendo!
HM – Desde que se mudou para Berlim, você está tocando em vários lugares na Alemanha. Você também foi residente em duas noites no Watergate com convidados especiais. Como este club se compara a outros em Berlim? Você está planejando fazer mais eventos como esse? Você acha que ser o residente da noite é mais fácil quando você escolhe seus próprios artistas convidados?
A Alemanha tem sido o país em que mais tenho tocado e é o meu favorito sem dúvidas para isso, tanto que o escolhi como minha nova casa.
O Watergate é um club especial, em que sempre me sinto em casa, conheço todo o staff, as pessoas são muito queridas lá, e a vibe é sempre divertida. É um club mais “popular” eu diria, mas é incrível. A residência que tive foi por três meses, e foi bem legal. Tanto que sempre que toco no club, eles me deixam escolher outro artista para dividir a cabine na mesma noite.
HM – Estamos falando com você antes do lançamento na Drumcode. No ano passado, você também teve uma faixa em destaque no VA A-Sides, da mesma gravadora. “Nimbus” é um dos seus maiores lançamentos até hoje? Como você começa inicia um novo projeto já com uma label em mente?
Acredito que sim. É um grande “milestone” profissional e pessoal, e a repercussão tem sido massiva, maior do que eu imaginava. Existe muita expectativa em cima desse release pelo público e eu nem imaginava que ia ser tão especial assim.
Eu ainda me lembro quando eu estava testando versões demo desse som e as reações da pista eram sempre além do esperado, então acho que vai ser um bom lançamento. Quando eu produzo eu não penso mais em qual label vou lançar, eu simplesmente faço meu som e vou mandando pra labels. A maioria das vezes as labels não querem sons “ajustados” pra eles, e sim sons originais. Esse é o grande lance.
HM – Um artista que também acompanhamos é Thomas Schumacher, que colaborou com você em vários projetos e gigs. Como surgiu seu relacionamento com ele? Você curte trabalhar com outros artistas?
A gente se conheceu em 2014 na minha segunda tour pela Europa, e foi muito orgânico. Eu me lembro quando fui pro studio dele pela primeira vez, eu estava muito nervoso, porque o som dele sempre me inspirou muito, então eu não sabia muito bem como lidar. No fim deu tudo certo e hoje ele é um dos meus amigos mais próximos.
Sobre produzir com outros artistas, é sempre algo engrandecedor, você sempre vai aprender alguma coisa, seja sobre trabalho ou não. A interação humana é a coisa mais importante para evoluirmos, então eu acho sempre válido fazer parcerias.
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HM – Você já tocou em alguns dos principais clubs brasileiros, como Warung Beach Club, Ame Club, CAOS, Air Rooftop e USINA 5. Você gostar de retornar a esses clubs? Existe algum com uma vibe especial e única que você simplesmente não consegue encontrar em outro lugar do mundo?
Com certeza. Eu amo tocar no Brasil, e esses clubs e festas são mega especiais. A energia do público brasileiro é bastante singular, mas imagino que também é assim no mundo todo. Cada país, ou cidade, tem a sua própria particularidade e essa é uma das coisas que mais amo em viajar ao redor do mundo, conhecer novas culturas e pessoas.

Foto: Gui Urban
HM – Já é quase verão na Europa. Onde você tocará por lá nesta temporada?
Estarei basicamente na Europa pelo verão todo, e vou tocar em diversos festivais por lá, mas os highlights, com certeza, serão minhas estreias no Awakenings e no Drumcode Festival. Ambos acontecem na Holanda e dividir palco com os maiores nomes da música eletrônica, vai ser bem foda. Tô animado!
HM – Como falamos em Drumcode, você poderia contar seu top #5 de lançamentos da gravadora?
Isso é bem difícil, mas vou tentar. Não vou colocar em ordem porque todas são muito especiais.
