Por Brune Brune
Foto de abertura: divulgação
A TROOP, núcleo multiartístico independente de Florianópolis, comandado por Caetano de Melo Welter, comemora no próximo dia 30 de abril seu aniversário de louváveis seis anos de festa com um evento muito especial. O projeto se autodescreve como uma “interação artística”: música, design, moda, gastronomia e artes visuais de forma ampla e experimental. Mas essa interação vai além, e, não à toa, a festa vem conquistando mais atenção –de dancers apaixonados e entregues– pela ilha e Brasil afora.
Afinal, não é pouco para uma festa. Só por isso, o projeto já merece atenção e respeito. Uma característica da expansão que a cena nacional de música eletrônica vem experimentando nos últimos tempos é o feliz surgimento de núcleos e coletivos novos, o que tem seu indubitável mérito em termos de fomentação, experimentação e diversidade para o público brasileiro, ao incluir um pilar independente da cultura, infelizmente negligenciada pelas autoridades oficiais.

Foto: divulgação
Uma consequência natural disso é que alguns projetos acabam tendo fôlego curto, muitas vezes pela dificuldade em se empreender eventos artísticos de forma independente no país. A TROOP se coloca aí como um ponto fora da curva: seis anos de um projeto que começou em proporções modestas e foi crescendo e se solidificando aos poucos, aprendendo com suas próprias experiências.
Esse amadurecimento progressivo culmina numa identidade bastante própria: algo vivamente buscado pelos coletivos artísticos, mas raramente conquistado de fato. Exatamente porque é fruto do tempo, das tentativas constantes, da transformação, do envolvimento e, sobretudo, da abertura para o novo, para aquilo que é diverso. Aliado a isso, a heterogeneidade e o primor musical parecem formar a mistura que torna a TROOP uma experiência memorável e acolhedora; e o crescimento nesses seis anos é prova de sua vocação, não apenas para o entretenimento, mas para uma experiência estética que se abre para a riqueza advinda da mistura.

Foto: divulgação
O foco do projeto é claramente a música, mas a TROOP faz questão de abrir suas perspectivas e fundar verdadeiros espaços de convivência, como feira de discos, make up artists e exposições. Os locais nos quais os eventos já se instalaram, como o bar do Deca, a Praia Mole, o Bud Basement são provas desse desejo de integrar espaços e públicos para uma vivência intensa, lúdica e horizontal.
O aniversário do ano passado inaugurou um momento de expansão do projeto. 2018 foi descrito como o ano de seu laboratório criativo, pontuado pela festa de aniversário que contou com ninguém menos que a respeitável Maayam Nidam, além da valorização dos talentos nacionais, com nomes como Kaká Franco, Ale Reis, Gromma, Battu e o fundador do coletivo e agitador por vocação, Caetano.
A TROOP sempre fez questão de enaltecer os artistas que contam com uma longa trajetória e uma vasta bagagem musical, sem com isso deixar de destacar uma geração mais nova, fundamental para a ampliação e para o próprio amadurecimento da cena. Para uma festa, essa mistura é muito rica e foge da lógica predominante dos micro nichos que se constroem sempre em torno do mesmo círculo. Não à toa, a TROOP já fez parcerias, por exemplo, com a Sintra, de Brasília, com a Gop Tun e com a Subdivisions, de São Paulo. Só no ano passado, o núcleo recebeu em seus eventos nomes como Daniel Bell, Thomas Melchior, Fred P, XDB, Patrice Scott, Stekke, Tati Pimont, Benjamin Ferreira e Konnin. A lista ainda vai longe.

Foto: divulgação
A comemoração da próxima terça-feira, véspera de feriado, pontua o desenvolvimento desse laboratório criativo e a colheita daquilo que semeou. É um microfestival na central e sedutora Casa Rosa, que no ano passado já recebeu pela própria TROOP o universalmente adorado (e clássico) Moodymann, além de um dos mais primorosos DJs nacionais, residente do núcleo, Ney Faustini. Nesse aniversário, a TROOP mantém sua característica de mesclar o clássico ao novo: a festa será anfitriã de Mike Huckaby e Ryan Elliott, sem deixar de fomentar novos talentos, como as paulistas Vivi An e Brune, contando também com os residentes C-lo, Eduard e Caetano.

Dos cinco ambientes –dois deles fomentados pela Heineken e Burn, ao abrigar uma instalação do artista Márcio Adamota e exposições por Raffael Fernandes e ALVB– três serão espaços com propostas diversas entre si, realizando a interação a que se propõe o projeto: o lounge à beira da piscina conta com a curadoria da Sounds in Da City, que orgulhosamente ocupa as ruas de Florianópolis e faz eventos gratuitos desde 2010. A festa ainda terá uma pista Garage, que faz valer o nome, com curadoria da SHËLTEr, além da própria pista da TROOP na qual tocam os residentes e os convidados estrangeiros.
Só de falar, já dá para perceber que esse aniversário é um convite para dançar até furar a sola do sapato, para circular para lá e para cá, o que sem dúvida planta o desejo de que possamos nos dividir em três para poder ouvir tudo de uma vez. É uma experiência sensorial completa, que rege o todo sem perder a atenção a cada pequeno detalhe. Uma experiência para todos os gostos, a não se perder.
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