Por redação
Foto de abertura: divulgação
Ele é DJ, produtor e dono de uma gravadora que vêm crescendo a cada dia mais na cena europeia. Drumcomplex, assim chamado, define seu nome artístico como a sua visão da sua música. “O techno é um assunto essencialmente complexo, com diversas camadas que acumulam todos os aspectos do tópico. Por um lado, há o artesanato que vem com a aplicação e aprimoramento de suas habilidades ao longo de horas e horas de trabalho em estúdio, polimento de detalhes e refinamento de direções”. Isso se torna evidente quando ouvimos sua discografia, com lançamentos em consideráveis selos como Carl Cox’s Intec Digital, Monika Kruse’s Terminal M e Andre Crom’s OFF Recordings.

Foto: divulgação
Em 2018 ele chamou a atenção de muitos artistas com a faixa ”Atomic“, que acabou se tornando um hit tocada por nomes como Amelie Lens, Joseph Capriati e o big boss da Drumcode Adam Beyer.
Na Complexed Records, também encontramos um grande número de lançamentos frutíferos, que geraram um acompanhamento constante desses artistas aos futuros releases.
A novidade para 2019 está no lançamento do primeiro artista brasileiro na gravadora. Um albúm com quatro faixas originais do promissor DJ e produtor Raphael Piperno, que tem seu release marcado para o dia 26 de junho. O paulista que esteve residindo em Londres em 2018, teve algumas das suas produções atraídas pelo artista, que acabou convidando-o para fazer parte da gravadora.
Isso também despertou o interesse da gravadora para ouvir novos artistas brasileiros. E com resultados tão promissores que o selo vem fazendo, estamos ansiosos para saber o que isso pode proporcionar aos produtores emergentes tupiniquins. Por isso, resolvemos bater um papo com o Drumcomplex para saber um pouco mais sobre o que podemos esperar dessa nova oportunidade para o techno no Brasil.
HM – Por favor, me fale um pouco sobre você, quem é Drumcomplex? Por onde tem tocado nos últimos anos? Festivais famosos que você já tocou?
Primeiramente, muito obrigado pelo convite para essa entrevista. Drumcomplex é Arnd Reichow que vive em Emmerich na Alemanha. Tenho lançamentos desde 2003 em diversos selos como Terminal M, Intec Digital, OFF Recordings e minha própria gravadora, Complexed Records. Já lancei também um álbum solo na Complexed Records e um junto com meu grande amigo Roel Salemink no Intec Digital de Carl Cox.
Tenho estado muito ocupado com a turnê agora, especialmente na Europa. Já toquei em grandes festivais, alguns bem conhecidos como por exemplo o Awakenings Festival, Awakenings no Gashouder, Nature One, Parookaville e Burning Beach.
HM – Quais são seus planos para o futuro?
Estou muito ocupado no estúdio trabalhando em novas faixas. Estou especialmente orgulhoso por ter começado o meu novo programa semanal de rádio, que é transmitido e distribuído em todo o mundo em várias plataformas e estações.
Neste mês estou indo para Praga, na República Tcheca, onde tocarei pela primeira vez no Epic Club. Muitos festivais estão chegando no verão, e estou ansioso especialmente para a minha tour de duas semanas na Índia, que me levará para Mumbai, Pune, Bangalore, Manali, Hyderabad. Em agosto toco também pela primeira vez na África do Sul na Cidade do Cabo.

Foto: divulgação
HM – Você já tocou no Brasil ou na América do Sul?
Já toquei em muitos países ao redor do mundo, mas, infelizmente nunca estive no Brasil ou na América do Sul. Eu recebo muitas mensagens semanalmente de fãs de toda a América do Sul, sempre me perguntando quando eu finalmente irei fazer uma turnê. Minha agência Blasksheep e eu estamos constantemente trabalhando para que isso aconteça.
HM – Quais são suas expectativas para tocar aqui?
Eu venho acompanhando a cena há anos e, especialmente no Brasil, as pessoas têm crescido muito perto do meu coração com sua maneira amigável e aberta. Eu também ouvi dizer que o público sabe celebrar muito bem com os DJs. Acho que serei recebido de braços abertos e todos nós teremos bons momentos juntos quando eu tocar. A cena no Brasil oferece clubs muito bons e festivais maravilhosos.
HM – Por que você acha que é difícil artistas como você virem ao Brasil ou à América do Sul pela primeira vez? Se os artistas da Europa começarem a apoiar mais produtores da América do Sul e criar uma conexão entre eles, você acredita que isso pode ajudar os dois lados?
Em primeiro lugar, não é uma pequena distância entre a Europa e a América do Sul, o que resulta em uma passagem aérea muito cara para ser coberta pelo contratante. Talvez o fato de existir alguns custos altos demais dificulte o processo. Penso que é importante trabalhar em conjunto com uma boa agência e talvez focar em uma pequena turnê para pagar por isso. Sim, acho que é muito importante construir uma ponte e apoiar uns aos outros.

Drumcomplex, Carl Cox e Roel Salemink – Foto: divulgação
HM – Vimos que a Complexed Records estabeleceu uma boa reputação em um curto período, lançando artistas do techno como Hidden Empire, Noemi Black, Roel Salemink e você. Como você acha que isso foi possível em um mercado tão lotado?
Essa é realmente uma boa pergunta que eu nunca pensei. Eu sempre quis ter minha própria gravadora para poder lançar minhas faixas e dos meus amigos artistas de maneira relativamente fácil e independente. Eu assino o que eu gosto e aparentemente isso cai bem. Para mim, a música é o que está em primeiro lugar e não apenas um grande nome, é por isso que eu também dou a chance à muitos novos artistas de lançarem na Complexed Records.
HM – A Complexed Records terá o primeiro lançamento de um produtor brasileiro em breve, com o artista Raphael Piperno. Eu gostaria de saber como isso aconteceu? E como é empolgante receber um artista da América do Sul em sua gravadora, sabendo que é um selo Europeu?
A boa história com Raphael começou no ano passado, durante o Amsterdam Dance Event. Eu o conheci pessoalmente onde dei uma masterclass para 50 Hertz junto com Gary Beck, Drunken Kong e Spektre. Raphael estava lá como convidado e depois se aproximou de mim. Nós conversamos e nos divertimos muito. Ele me deu um pendrive com suas músicas que eu escutei na semana seguinte e fiquei imediatamente entusiasmado. Eu entrei em contato com ele, e desde então, estabelecemos um ótimo relacionamento profissional.
Neste momento, estou ansioso para recebê-lo em breve com um EP de quatro faixas na minha gravadora. Não sei se a minha gravadora é um estilo europeu, acho que o techno está se fundindo nos últimos anos e não pode ser atribuído a nenhum país ou fronteira.
HM – Quando você ouve uma demo de um produtor desconhecido, o que você acha que é importante para chamar a sua atenção? E o que você mais gostou na música do Raphael Piperno?
Eu não procuro por algo em particular, é claro que tem que ser “technoid“, mas tanto o material pode me pegar como não. Isso depende, às vezes pode ser um pouco melódico, mas por outro lado, também áspero e energético.
A música do Raphael é nova. Eu gosto da sua maneira de construir a bateria e seus sintetizadores hipnóticos. Eu vejo muito potencial nele e estou muito curioso para saber como o seu EP será recebido. Eu toquei suas faixas nas últimas semanas e a energia da pista de dança tem sido muito grande.
HM – Sabemos que depois de ouvir as músicas do Raphael Piperno, despertou em você o desejo de ouvir novos produtores brasileiros. O que podemos esperar da Complexed Records nesta nova oportunidade dada aos novos talentos do Brasil lançando suas faixas em um selo alemão?
Seria um grande prazer para mim conseguir muito mais músicas de artistas brasileiros. Eu sou uma pessoa muito aberta e acho que é muito bom promovê-los no meu selo e construir uma conexão próxima. Como eu disse antes, acho que construir uma rede em todo o mundo poderia promover muitas coisas novas. Estou pronto :-)
HM – O estilo do techno entre o Brasil e a Europa é um pouco diferente. Você acha que isso é um problema para os próximos DJs e produtores que queiram lançar nos selos da Europa? Ou você acha que abrir as portas para novos produtores brasileiros na sua gravadora influenciará em um novo estilo de techno produzido e tocado no Brasil?
Eu não vejo isso como um problema e, especialmente, o techno não tem fronteiras que se referem a determinados países ou continentes. Eu vejo isso como uma grande oportunidade para mesclar muitos estilos diferentes. É exatamente isso que esta música e a cena são.
HM – Por favor, deixe uma mensagem para os novos fãs no Brasil!
Sinto uma ligação muito íntima com o Brasil também por causa das muitas mensagens que recebo de vocês e já estou totalmente apaixonado pelo país e seu público. Estou muito ansioso e animado para tocar pela primeira vez em breve para vocês!
