Por Luigi Vanucci
Foto de abertura: Erick Souza
Visando a longevidade em seu trabalho, o paranaense Bruno Vieira deu início ao projeto Dub Clap, plantando sementes que culminaram em sua recente ascensão. Natural de Londrina, o DJ e produtor de house decidiu reformular sua atuação no mercado, trabalhando intensamente dentro do estúdio, estudando e lapidando incansavelmente sua identidade sonora, marcada por um groove acelerado e de grande eficiência na pista. O artista já coleciona suportes importantes como o do Alvaro AM, Jesse Perez e do Eats Everything em dois episódios consecutivos de seu podcast “Edible Beats”. Também tem lançamentos pela Little Helpers e Egothermia.
No último mês, Dub Clap fez sua estreia na Emerald City, gravadora dos respeitados artistas Jamie Jones e Lee Foss, em uma parceria com o talentoso britânico Jaden Thompson. O EP “Alright” conta com duas originais de Jaden, além da faixa “Freak Groove”, collab do Dub Clap, que traz as nuances ácidas características de Lee e Jamie envolvidas em um pacote completo cheio de percussões.
Conversamos com Bruno Vieira, nome por trás do projeto Dub Clap, sobre sua trajetória e momento na produção musical, e de quebra ele gravou um podcast exclusivo para o House Mag Series, para você ouvir enquanto degusta a entrevista com muito groove. Solta o play!
HM – Olá Bruno, tudo bem? Lançar na Emerald City é uma conquista notável, especialmente sendo o primeiro brasileiro a assinar com a gravadora. Como foi esse processo?
Primeiramente, gostaria de agradecer o convite e oportunidade de estar aqui, sou fã do trabalho desenvolvido por vocês e sempre acompanho as excelentes matérias publicadas. É realmente um privilégio poder ter a minha música como tema neste veículo de comunicação tão importante em nosso país. A música “Freak Groove” está pronta desde fevereiro de 2018, fiz ela em parceria com Jaden Thompson, logo após o lançamento do meu EP com a gravadora americana Little Helpers. Sempre tive um bom relacionamento com o Jaden, então quando cogitei a ideia de fazermos uma música juntos, ele aceitou logo de cara. Seguramos a música o máximo que pudemos, até surgir a oportunidade de enviar para o Jamie Jones, em outubro de 2018. Assim que recebeu a música, ele tocou ela em dois lugares que são o sonho de qualquer DJ, no club DC10 em Ibiza, em uma festa da Paradise, e no BPM Festival, em Portugal. Logo após ver o resultado na pista, Jamie Jones resolveu lançar a track.
HM – Ter uma visão a longo prazo é uma das características dos grandes artistas, e se dedicar em estúdio com disciplina é algo que pode gerar um enorme diferencial na indústria musical. Como você chegou a essa decisão, vivendo essa experiência nos últimos anos?
Foi um processo natural, evoluir sem estudos e dedicação é impossível. Musicalmente falando, eu precisava estudar mais, conhecer novas perspectivas e ir atrás das referências que realmente me influenciam como artista. É um momento de reflexão e aprendizado, que trago comigo para continuar mostrando algo novo. Somos educadores do nosso público e mostrar as infinitas possibilidades que a música nos proporciona depende da gente. É esse raciocínio que me move.
HM – Vimos que você já teve o suporte de artistas muito respeitados na cena, como Eats Everything, Wade, Alvaro AM e Jesse Perez. Como esses DJs tiveram contato com o seu trabalho e o que esses suportes representaram pra você?
Para chegar nestes artistas eu tive que aprender a ouvir a palavra “não”. Eu sempre tive um ritmo muito acelerado nas produções, então sempre estava encaminhando demos para gravadoras e artistas. O problema é que em muitos casos eles não ouviam ou não respondiam, o que me deixava frustrado. Um dia recebi a palavra “não” em uma resposta de e-mail, e ao invés de me deixar desanimado, me deixou ainda mais confiante, pois eu sabia que tinha alguém que eu admirava tirando poucos minutos no seu dia para ouvir minhas músicas, mesmo não as aprovando. Então passei de um produtor que ninguém ouvia para um produtor que as pessoas ouviam, mas ainda não achavam que estava preparado. Continuei seguindo esse caminho, estudando, buscando referências (tanto novas como antigas), evoluindo dia após dia, música após música, até chegar num ponto onde Jamie Jones estava tocando minha música nas maiores festas do mundo.
HM – Parece que você está cada vez mais preparado para conquistar o mercado e que está preparando muitas cartas na manga. Quais serão os próximos passos após esse lançamento?
Pretendo continuar no mesmo ritmo, estudando. As minhas maiores referências tem de oito a doze anos de estúdio, eu tenho apenas quatro, e sei que tenho muita coisa para aprender. Hoje tenho algumas collabs em andamento, com artistas que são referência pra mim, isso me deixa muito feliz e motivado a buscar algo a mais e mostrar algo diferente para todos aqueles que me acompanham.
HM – Se pudesse deixar uma mensagem para os novos produtores que estão começando, ajudando-os a se direcionar em suas carreiras, qual seria?
Estudem, acreditem em vocês, com fé e persistência tudo é possível.
