TouchTalk e o poder de um trabalho consolidado

Por Luigi Vanucci

Foto de abertura: divulgação

Quando o assunto é longevidade na cena, vemos uma dupla que se destaca com sua identidade peculiar, conquistando fãs cada vez mais exigentes e desbravando as pistas do mundo com sua sonoridade ímpar.

Há quase uma década, essas duas pessoas de cidades bem diferentes e de uma amizade pouco provável se cruzaram nos bastidores de um evento. Conversaram sobre música e produção e, com a ajuda da internet, se tornaram grandes amigos. Hoje, Estevão e Gabriel são conhecidos como TouchTalk, projeto no qual juntos produzem músicas, se apresentam em grandes festas, clubs e festivais pelo mundo, além de colecionar muitas histórias e anos de experiência no mercado.

Em um bate-papo descontraído, conversamos sobre a trajetória do duo!

HM – Olá Estevão e Gabriel, vocês estão há quase 10 anos juntos produzindo, isso é bastante tempo e com certeza vocês tem muitas histórias para nos contar. Poderiam nos dizer como foi o início e a evolução do TouchTalk?

Agradecemos o espaço para podermos compartilhar um pouco da nossa história, somos felizes com tudo que construímos até aqui. O Estevão assinava seu antigo projeto como Truati, com o qual ganhou o concurso multicultural realizado pela Tribaltech na categoria underground no mesmo ano. Gabriel era residente do club Lusthaus, que marcou época na cena underground de Londrina. Certo dia, o Gabriel acabou “bookando” o Truati para tocar em uma noite do Lusthaus. Foi aí, então, que nos aproximamos e começamos a fazer a primeira música juntos, através da internet. Sem pretensão alguma, logo na primeira faixa, conseguimos chamar a atenção de alguns DJs já consolidados e experientes na época, e isso fez com que nós começássemos a fazer outras faixas juntos. Chegamos a lançar algumas com nossos antigos nomes, até que em 2012 criamos o TouchTalk.

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Foto: divulgação

HM – Como analisam essa caminhada de vocês nesse período?

A gente sempre trabalhou sem imediatismo, optamos por fazer um trabalho mais consistente até que as coisas acontecessem. De 2012 a 2014 foi um laboratório de experiências até chegarmos em um som que tivesse a nossa personalidade e claro, dentro desse propósito, tivesse relevância. E assim nossa música foi chamando a atenção do público e dos DJs. A nossa faixa “Got To Go”, feita em parceria com o Tolkien32, ganhou um grande destaque, caindo no gosto de muitos DJs, inclusive, do Gabe, que assinou a faixa em sua gravadora na época e começou a tocá-la em todos os seus sets. A partir daí, as coisas realmente começaram a “acontecer” para nós.

HM – Como é a rotina de produtor quando estão na cidade de vocês?

Moramos em Campinas, no interior do estado de São Paulo. Nosso estúdio é localizado em um prédio comercial, o que nos força a ter uma rotina de trabalho. Trabalhamos de segunda a sexta no estúdio (às segundas-feiras dependem muito da intensidade do final de semana, rs), criando novas faixas, remixando, cuidando das redes sociais, da label que criamos e organizando as gigs do final de semana. Fora do estúdio, tentamos equilibrar a vida desregrada que acabamos vivendo durante os finais de semana cuidando da saúde, relaxando na companhia da família e dos cachorros.

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Foto: divulgação

HM – O TouchTalk faz muitas apresentações em diferentes lugares de estilos bem variados (grandes clubs, festivais, eventos open-air, etc). Existe alguma identificação e relacionamento com algum lugar que seja especial?

Temos um carinho muito grande pelo estado do Paraná. Foi onde tudo começou. O maior percentual de ouvintes nas plataformas digitais são do Paraná, seguidos por São Paulo e Rio de Janeiro. Outro fato que reforça a nossa ligação com esse estado aconteceu em 11 de outubro de 2014, na TribalTech Reborn, precisamente as 9h da manhã, onde iniciávamos nosso set na pista Florest Gump (uma pista coberta por árvores, cheia de sombras). O Vintage Culture tinha acabado de terminar o set dele na pista Skol Beats, ao lado, e não tinha nenhuma cobertura, com o sol muito forte nesse dia. Milhares de pessoas acabaram indo buscar uma sombra na nossa pista e fomos agraciados com essa situação. Foi ali que tudo começou a ganhar outra proporção para nós. Certamente esse foi o set e a apresentação que mais nos marcou até agora. Quem esteve lá durante aquela uma hora e meia sentiu o quão mágico foi aquele momento, de fato, um divisor de águas na nossa carreira.

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Foto: ZOOE

HM – Vimos que vocês lançaram uma nova gravadora própria, a LoveDogs. Pretendem surpreender os fãs com um álbum em breve?

A LoveDogs surgiu de uma necessidade. Em 2018, criamos uma série de podcasts chamada “Episodes”, com 60 minutos de faixas nossas e inéditas, lançados a cada dois meses. Isso foi uma forma de termômetro das nossas produções, e o público sempre aprovou, nos perguntando quando seria o próximo “Episode”. Nem sempre liberamos os podcasts exatamente nesse período, às vezes lançamos um set que tocamos em algum evento especial. Em relação ao selo, tínhamos muitas tracks unreleased desses “Episodes”, que tiveram uma alta procura nas nossas redes sociais. O público querendo comprar e querendo saber quando seriam lançadas. O que naturalmente acabou acontecendo é que muita música estava ficando parada e perdendo o timing, devido ao longo tempo de resposta das gravadoras. Foi aí que criamos a LoveDogs, onde lançaremos nossas faixas de uma maneira mais ágil, sem precisar aguardar a agenda de outras gravadoras e toda a burocracia que isso envolve. Também queremos dar espaço para quem quer lançar sua track com a gente. Sobre um possível álbum, conversamos sobre o assunto há três anos, e em algum momento isso vai acontecer. Não nos sentimos pressionados para isso, pois acreditamos que a criação de um álbum não significa pegar 10 músicas que você tem paradas e lançar, existe todo um conceito, uma história e um sentimento para que isso aconteça.

HM – A track “Got To Go” foi um sucesso no lançamento, impulsionou a carreira do TouchTalk há alguns anos. Agora fomos arrebatados com o relançamento da faixa. Qual a intenção de vocês em fazer uma nova versão da própria música?

Essa track completou cinco anos em 2018 e tivemos a ideia de fazer um rework com a identidade atual do TouchTalk. Para a nossa surpresa, no primeiro teste que fizemos, ela explodiu, assim como a versão original. Após esse a repercussão dos vídeos e sets que postamos, decidimos então fazer um EP de remixes, que foi lançado no dia 25 de março, pela Sublime Music, incluindo o nosso rework e com versões do Gabe, FractaLL e FlexB, que anteriormente assinou a versão original como Tolkien32.

HM – Quem curte música eletrônica observa um TouchTalk “on fire” nesse começo de 2019, com um trabalho cada vez mais maduro e chegando cada vez mais longe. Quais são os próximos lançamentos e parcerias que estão planejando? Quais os planos para o duo esse ano?

Estamos muito felizes com o resultado dos últimos lançamentos. Recentemente, fomos uns dos poucos brasileiros que emplacaram faixas na playlist “Electronic Rising” oficial do Spotify. Atualmente, estamos finalizando um EP com nossos grandes amigos e parceiros Flow & Zeo. Temos uma sintonia muito grande com o casal, seja em gigs ou no estúdio. Também temos uma collab em andamento com a cantora Cherry e o nosso rework da faixa “Got To Go” foi ançado essa semana pela Sublime Music.

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