Por Elis Agostini dos Santos Monteiro – edição Luiza Serrano
Foto de abertura: RT Images
Quem disse que carnaval não combina com música eletrônica? O Ame Laroc Festival, um festival de três dias, com mais de 30 DJ’s, provou o contrário. No interior de São Paulo, mais especificamente em Valinhos, estão erguidos dois clubs de peso: Laroc e Ame. O carnaval foi a época escolhida para integrar as casas que, desde as suas inaugurações, prometem uma experiência musical autêntica e completa, cada uma com a sua identidade. O festival pode ser resumido a isso: uma vivência completamente encantadora.

Foto: RT Images
No primeiro dia, o Laroc, com um line mainstream, recebeu nomes como DJ Snake, Felguk e Gustavo Mota. O Ame, seguindo a sua linha underground, começou o dia com Gop Tun DJs, que enfrentou alguns problemas técnicos com o som. Logo depois, Leo Janeiro subiu ao palco e mostrou toda a experiência de uma carreira de sucesso e consolidada. Na abertura do festival, os destaques, na minha opinião, ficaram por conta do aguardado DJ Snake e do americano Seth Troxler.
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O primeiro tocou tracks que iam do trap ao hardstyle, em um set que ninguém conseguia ficar parado. Já Troxler, votado como número três, dois, e um no ranking top #100 DJs do Resident Advisor entre 2009 e 2012, comandou a pista com um techno melódico autêntico e envolvente. Depois da sua apresentação, Mascaro, residente do Ame, fechou a pista com um set bem feito e com a difícil missão de manter a pista após o revolucionário americano.
O domingo foi marcado pelo line incrível do club underground: DJ Glen, Camelphat, Hot Since 82 e Gabe. O Laroc também apresentou nomes famosos, entre eles, Alan Walker, KVSH, Gabriel Boni e Jord.
Às 17h, pontualmente, o brasuca Glen entrou em cena e trouxe um set com músicas icônicas como “I Eat Beats”, versão de Ardalan para o sucesso de Billy Kenny, e seu próximo lançamento “Another Planet”, com Bruno Furlan, que fizeram com que a galera soltasse gritos logo no começo do dia. Logo após, um dos grandes nomes do festival, a dupla Camelphat subiu ao palco do club completamente lotado. E eles não decepcionaram. Arrancaram suspiros com músicas como “Breathe” e “Panic Room”, apesar de não terem tocado o hit autoral mundialmente conhecido, “Cola”.
Depois foi a vez do britânico Hot Since 82, com um house music de qualidade que hipnotizou a pista por três horas de set. E para encerrar, o mestre Gabe, que, na minha opinião, foi o nome do dia, o nome do festival. Podemos dizer que ele “deixou os gringos no chinelo” com um set cheio de cotoveladas, que surpreendeu do início ao fim. O brasileiro tocou hits como “Do It Like This” – Biscits; “Hanging Tree” – Michael Bibi; e seus hits, para citar alguns, “Trippin”, “The Gift”, “Rock This” e “Want You”, que emocionaram e seguraram a pista lotada até o final da festa que, inclusive, teve o horário estendido. Amém!
O terceiro e último dia de festival teve como headliners Diplo, no Laroc, D-Nox e Dubfire, no Ame. Diplo apresentou um set inesperado com versões de funk nacional. Além disso, tocou uma sequência de tech house, incluindo Fisher e Chris Lake, e tracks autorais somadas à hits do EDM.

Diplo – Foto: Gui Urban
No palco do Ame, o warm up ficou por conta de Melanie Ribbe, única mulher do line up, que deu início a festa com um set inovador e recheado de tech house, super dançante. Com os gigantes Dubfire e D-Nox a música percorreu do techno ao minimal tech. O primeiro construiu em três horas um set introspectivo e melódico, que fez sentido do início ao fim. O segundo tocou a pista até o amanhecer, com direito a momentos inesquecíveis.
Entre as músicas que mais ouvi durante o festival está “I Wanna Do”, do Chemical Surf e Dubdisko. Ela marcou presença tanto no Ame quanto no Laroc. O evento foi emocionante do início ao fim. O palco imponente do Laroc, somado a iluminação caprichada, a piscina cheia de gente dançando e ao teto hipnotizante e efeitos especiais, fez uma combinação perfeita com o som dos DJ’s que se apresentaram no club, o primogênito do complexo.

Foto: Alisson Demétrio
A travessia de um club para o outro (vale lembrar que foi a primeira vez que os clubs abriram simultaneamente) era embalada por bolinhas de sabão, pela tirolesa, por jardins bem cuidados e por funcionários fantasiados. Aliás, muita gente foi fantasiada, o que deu um charme especial e aflorou ainda mais o clima de carnaval proposto pela decoração.

Foto: Alisson Demétrio
A estrutura para atender o público também chamou a atenção. O festival contou com duas praças de alimentação, uma em cada club. Os banheiros estavam limpos e os funcionários sempre bem humorados espalhados por todo evento.
Os bares ficaram muito cheios no segundo dia, o que era de se esperar com o número de pessoas no festival, afinal, dois clubs grandes funcionando simultaneamente não é nada fácil. Mas nada que tirasse o brilho da estreia do Ame Laroc Festival. Outro ponto interessante para ressaltar foi a sinalização que facilitou, e muito, a vida do público que, assim como eu, não queria perder nenhum segundo.

Foto: divulgação
Esta experiência foi, sem dúvidas, para ficar na memória. Que venha a edição do carnaval de 2020 que, para nossa alegria, já tem com data marcada: dias 22, 23 e 24 de fevereiro. Nos vemos na pista!

