Por Alan Medeiros
Foto de abertura: Brunno Rangel
Lugui e Pedrão são as mentes por trás do projeto Cat Dealers, um dos grandes fenômenos da música eletrônica brasileira nos últimos anos. De 2016, ano do lançamento do projeto, para cá, eles tiveram uma escalada de audiência histórica frente a um público jovem e sedento por um som enérgico e com novidades. O resultado dessa mistura são milhões de plays nas plataformas de streaming e uma base de fãs sólida que não para de crescer.
Ao lado de outros artistas desta atual geração, Pedrão e Lugui são responsáveis por uma quebra de paradigma bastante significativa na cena nacional. A dupla rompeu a barreira dos clubs eletrônicos e alcançou uma nova fatia do público que antes não estava acostumada a ouvir dance music. Por essa e por outras, atualmente é possível encontrar o Cat Dealers em festas e line ups versáteis, inclusive, ao lado de cantores e artistas de outros gêneros musicais.
Outro destaque da jornada do duo até aqui são as aparições no famoso ranking dos 100 DJs mais populares do mundo da DJ Mag. Em 2017, eles debutaram na lista direto para a posição 74, e após uma escalada de 26 posições em apenas uma temporada, Luigi e Pedrão chegaram a posição 46 este ano. Entre os principais sucessos da dupla estão faixas como “Keep On Lovin`”, “Sunshine”, “Gravity” e o remix oficial para Vanessa da Mata em “Ai Ai Ai”, que comprovam o excelente momento da dupla. Às vésperas de uma nova gig no El Fortin em Porto Belo, os produtores falaram conosco em uma entrevista exclusiva!
HM – Oi, meninos! Tudo bem? Que tal começarmos do zero esse bate-papo? Contem para a gente como vocês se conheceram e como Lugui e Pedrão viraram Cat Dealers?
Oi, tudo bem sim! Na verdade, nos conhecemos em casa porque somos irmãos [risos]. Nós estamos envolvidos com música eletrônica há bastante tempo, inclusive já tivemos até um outro projeto antes do Cat Dealers. Depois de muitos anos estudando e aprendendo sobre produção, em 2016 lançamos nossa primeira track como Cat Dealers e desde então não paramos.
HM – De “Your Body” para cá, como vocês avaliam a transformação das produções do Cat Dealers?
Nós fizemos “Your Body” em menos de três dias e surgiu da gente se divertindo no estúdio. Ela ainda é uma das nossas músicas favoritas e temos muito orgulho dela, mas também crescemos e aprendemos muito de lá para cá. Passamos a conhecer muito mais do mundo da música e da produção, então acreditamos que cada momento é único e muito importante para nossa carreira. A “Keep On Lovin’”, por exemplo, foi um single muito especial para a gente esse ano, fizemos um clipe com a Ágatha Moreira e é incrível quando podemos também levar a música para a esfera do audiovisual, fica ainda mais especial.
HM – Vocês são dois expoentes de um momento inédito para a cena nacional. Como vocês avaliam o futuro da música eletrônica agora que nossos artistas estão no mesmo patamar de grandes nomes de outros estilos?
A música eletrônica vem ganhando cada vez mais reconhecimento no Brasil, o que é maravilhoso para nós artistas, que conseguimos ter espaço em mais e mais lugares onde antes não existia. É claro que ainda existe preconceito, mas nós temos sido muito bem recebidos, por exemplo, quando abrimos os shows da Shakira no Brasil este ano. O público foi insano e nós ficamos muito emocionados. Por isso, acreditamos que a música eletrônica tem tudo para crescer ainda mais no Brasil e nós estamos muito gratos por podermos fazer parte desse momento.
HM – Boa parte dos releases do Cat Dealers são distribuídos pela Sony Music em uma parceria com a HUB Records. Quão importante esse trabalho de bastidores tem sido para alavancar os números do projeto?
Esse trabalho é muito importante. A dedicação e esforço pessoal são partes muito importantes do processo, mas não são tudo o que um artista precisa. Num mercado tão competitivo por atenção como é o da música, e em particular o da música eletrônica, em que existem vários artistas em atividade, é muito importante ter bons parceiros para nos ajudar a mostrar nossa música para o mundo. A HUB Records nos ajuda montando as estratégias ideais sobre quando e como lançar nossas músicas, e a Sony Music nos ajuda muito com a distribuição no Brasil e no mundo. Literalmente conseguimos ter nossas músicas ouvidas pelas pessoas certas ao redor do globo.
HM – Vocês tiveram o privilégio de remixar a cantora Vanessa da Mata de forma oficial. Qual sentimento predominou durante o processo criativo dessa faixa?
Foi uma track muito irada de produzir! Fizemos em parceria com nossos amigos do Felguk e a gente já curtia a versão original, então foi um processo bem divertido e ficamos muito felizes com o resultado. A resposta da galera nos shows também tem sido incrível, até hoje ela é uma das mais pedidas e tem sido tocada por muitos outros DJs também.
HM – Em dezembro tem Cat Dealers no El Fortin novamente. Qual expectativa de vocês para esse retorno ao club?
Expectativa lá em cima [risos]! Nós estamos voltando de uma tour incrível que passou pelo México, Austrália e Irlanda e ficamos felizes demais por poder chegar no Brasil e tocar em um club que nós curtimos tanto, que a galera tem uma vibe tão boa. Esse ano tem sido incrível para a gente e estamos indo com tudo para dezembro e 2019!
HM – A última! Por quais caminhos vocês visualizam o Cat Dealers nos próximos 10 anos? Obrigado pelo bate-papo!
Fazendo muita música, sempre [risos]! Já somos muito felizes, gratos e realizados por podermos viver do nosso trabalho na música, mas é claro que é sempre possível sonhar mais alto. Temos muita vontade de colaborar com artistas que sempre foram nossos ídolos e referências da música, como David Guetta, Skrillex, entre outros gigantes. Também sabemos que é necessário sempre estar atento a novas sonoridades e tendências da música eletrônica, tudo muda muito rápido, e queremos estar acompanhando tudo o que rola, mas sempre dando a cara e vibe do Cat Dealers no que produzirmos no futuro.
