O que torna o Caos um club especial, narrado por fotos e palavras dos sócios

Por: Gabriela Loschi

 

Em dezembro de 2017 abriu as portas em Campinas, com a pista comandada por Carl Craig, um club que se tornaria ao longo do ano um dos principais e mais aclamados do país. O Caos veio com a missão de realizar sonhos. De trazer à cidade do interior paulista artistas que não caberiam no outro club dos mesmos sócios, o 88, menor porém já consolidado no Jockey Club da cidade – vencedor inclusive do Prêmio RMC 2017 de melhor club do interior do Brasil.

O Caos está seguindo o mesmo caminho de sucesso do seu irmão. E são muitos os fatores e os momentos que fazem dele um baita club especial. Eu mesma o frequento desde a inauguração e não foram poucas as noites emocionantes que passei lá. Ele se tornou um dos meus preferidos no Brasil, não só por conta dos line-ups fortes e bem pensados, que incluem noites memoráveis com alguns dos artistas mundiais e nacionais que mais gosto, mas por toda a estrutura, o sound system potente e bem equalizado – você é bem servido de som em qualquer lugar do galpão industrial revitalizado especialmente para receber o CAOS! -, as manhãs, já que ele nunca acaba antes das 10h – e eu gosto de uma festa prolongada (risos) -, e a família que se formou lá dentro. Pela experiência que nunca é a mesma. A cada edição projeção, iluminação e som se transformam.

De ver tantos amigos vindo de São Paulo dançar em Campinas artistas que antes não imaginávamos que um dia estariam por aqui. Como o próprio Ben Klock, que toca hoje no aniversário de 1 ano do Caos, ao lado da musa anfitriã e sócia Eli Iwasa, do Lucas Freire vindo de Barcelona – um dos grandes responsáveis por me fazer gostar de techno, no início dos anos 2000 – e do Caio T da Gop Tun. Suspeita-se de uma das noites mais especiais que o club já viu. Será?

Enquanto aquecemos, descubra mais sobre a vibe do lugar através de imagens e de depoimentos dos próprios sócios, Eli Iwasa, Juka Pinsetta e Toca, os responsáveis em primeiro lugar por fazer tudo isso acontecer, ao lado do Salin. 

 

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Eli Iwasa divando na cabine do Caos / Image Dealers

ELI IWASA: 

“Uma das coisas que marcaram este primeiro ano de Caos é o envolvimento emocional de todos, e a relação afetiva que o público criou com o club. Isto é uma das coisas mais preciosas que o lugar pode ter, e que sempre desejei para todos nossos clubs. Porque, mais do que uma curadoria acertada, ou um espaço interessante, o fator humano sempre será o grande diferencial de qualquer club – as amizades, as trocas, as experiências que você compartilha, os relacionamentos que começaram ali, as histórias que cada um de nós carrega para sempre na vida. Acreditar na música que amamos e ver uma pista lotada em total conexão com os artistas: eu olho as fotos do Caos, e a sinergia é muito clara, braços para cima, todos dançando, com tamanho respeito a quem se apresenta ali, isto não preço. 

 

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Das noites, receber Laurent Garnier no nosso club, por tantos motivos, foi emocionante, e como sempre, fez muita gente chorar de emoção na pista. Também sempre vou lembrar de Dixon comandando o amanhecer no club, com ele tocando “Tim’s Symphony”; Recondite na noite do meu aniversário, que arrancou talvez a melhor resposta de pista em 1 ano de club, 90 minutos em que foi ovacionado do começo ao fim, a entrega da cabine de Nina Kraviz para Marcel Dettmann, que momento! Eu relembro tudo isto, e é impossível não se emocionar, mais do que um trabalho, isto é parte gigantesca de nossas vidas há muitos anos”, Eli Iwasa. 

 

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Nina Kraviz e Marcel Dettmann / Bill Ranier

 

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Laurent Garnier, uma das noites mais comentadas / Bill Ranier

 

 

JUKA PINSETTA:

“O momento mais especial pra mim foi Laurent Garnier tocando `I Feel Love` da Donna Summer. Subi até no bistrozinho de cimento, e obviamente caí”, Juka Pinssetta.

 

 

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Giorgia Angiuli e Renato Ratier / Image Dealers


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Ella de Vuono e Ellen Allien se divertindo no booth / Bill Ranier

 

 

TOCA:

“Pra falar do Caos inevitavelmente me vem à cabeça as primeiras visitas a galpões pela cidade. Confesso que encarava tudo aquilo mais como visitas rotineiras a venues para alguma festa nossa qualquer no futuro, mas nunca imaginava efetivamente que fôssemos construir um club ali, do zero, num galpão onde havia uma fábrica em funcionamento. Entre achar meus sócios uns loucos e me juntar à loucura deles, preferi a segunda opção.

 

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Image Dealers

 

Depois de achar o galpão ideal, dar certo o contrato de locação e com o início das obras propriamente, me vem à cabeça os intermináveis brainstorms pra achar o nome ideal para o Club. Isso realmente foi de tirar o sono. E já bem estourado o deadline para definição do nome, atrasados com o lançamento da fan page e tudo mais, eis que surgiu o nome Caos. Aquilo clareou tudo na minha cabeça e acho que realmente foi aí que visualizei o Club.

 

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Equipe da Cpro montando o soundsystem L-Acoustics. A cada edição eles configuram tudo para a melhor experiência sonora, pensando no line up, número de pessoas e estilo de som.

 

Passada a inauguração, e olhando esse ano de 2018, ao pensar em momentos marcantes, preferidos, imediatamente me vem à memória a noite do Laurent Garnier. Que festa, que set, que energia, que domingo pra ficar na memória! Nunca me esquecerei que literalmente fui às lágrimas quando efetivamente realizei que aquele momento era real. Me lembro de abraçar a Eli e simplesmente chorar de alegria. Foi, com toda certeza, um momento muito especial, por tudo o que o Laurent representa pra todos nós e por termos conseguido viabilizar algo assim em terras 019.

 

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Recondite, uma das noites mais emocionantes também

 

A noite do Dixon também foi muito marcante. Poder trazer um cara por quem nutrimos enorme admiração para nosso Club recém inaugurado realmente foi muito gratificante. E a noite foi absurdamente incrível desde o set abertura, passando pelos demais, até criar a atmosfera perfeita pro Dixon dar sua aula!

 

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Dixon / Image Dealers

 

Cada noite foi especial a seu modo. Mas o mais legal do Club é que todos estão lá pela música e ponto final. Sentir aquele amanhecer em cada abertura e ver o público ficar ali e não arredar o pé, vibrando a cada virada, realmente não tem preço! São essas noites infinitas do Caos o que mais gosto no Club. O não ter fim. E de sermos nosso próprio after!

 

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Guy J, amanhecendo. A festa ainda ia demorar pra acabar… / Bill Ranier

 

Ao olhar pra trás só tenho a agradecer. Agradecer meus sócios, agradecer aos amigos e família que sempre sonham juntos com a gente, aos clientes que estão lá na nossa pista a cada abertura, aos patrocinadores, funcionários, colaboradores que sempre estão lá com a gente nos afters eternos já cansados de longas jornadas de trabalho, mas sempre solícitos e bem humorados. Enfim, só tenho a agradecer à vida! Que venham muito mais anos de Caos, sempre com o olhar para as origens, pra não esquecermos nunca de onde viemos e do que nos faz fazer o que fazemos e, mais que isso, ser quem somos!”, Toca.


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