Por Luiza Serrano – edição Gabriela Loschi
Foto de abertura: divulgação
Eram 6h da manhã de domingo, 23 de setembro, quando a Tantsa foi encerrada na capital paulista, repentinamente, horas antes do previsto. Muitas dúvidas naquele momento e poucas respostas. Público e artistas indagavam: o que aconteceu? A produção foi pega de surpresa. Posts no evento e indignação de quem pretendia curtir o “rolê” até o horário combinado para o encerramento. Mas e aí? O que foi que aconteceu?
Localizado no Brás, em São Paulo, a Fábrica Orion havia sido utilizada em outros dois eventos anteriores, mas a agenda do local já estava cheia até o final deste ano. Alvarás? Todos em dia, inclusive por parte das produções, já que sabemos que o mercado da música gira a economia e de forma surpreendente com o passar dos anos, além de se mostrar cada vez mais profissional. Então, mais uma vez a pergunta que não quer calar: o que aconteceu?

Foto: divulgação
A edição da Tantsa do último dia 22 era uma das mais esperadas do ano, com um line up surpreendente – era a edição comemorativa anual do ucraniano e residente do Berghain Etapp Kyle – estrutura com super investimento e um público com sede de aproveitar esse tradicional evento que cria um espaço democrático para várias classes e gêneros, onde todos têm voz.
Tudo corria bem até o início da madrugada, quando a produção foi surpreendida por uma visita de um deputado estadual que questionou sobre o barulho do evento. “Ele informou que o barulho estava atrapalhando a vizinhança e que se o som não diminuísse ele poderia utilizar do seu poder político para encerrar o evento”, contou Victor Senedesi, sócio da Tantsa.
Prontamente o pedido foi atendido, afinal, a maioria dos espaços em São Paulo estão próximos a bairros e o bom convívio com a vizinhança tem sido primordial para a realização de eventos na cidade. “Atendemos o pedido e tivemos até uma certa retaliação do público, como é possível perceber em alguns posts no nosso evento no Facebook, informando que o som estava baixo demais”, explica.
Mas talvez o problema não fosse só o som. Quem sabe a proximidade com um dos mais imponentes imóveis do bairro? Mais uma vez, uma visita inesperada. “A polícia chegou ao evento. Apresentamos todos os alvarás e autorizações dos órgãos necessários para que qualquer evento legal possa ser realizado. Tudo em dia”, afirmou Madu, sócio e produtor da Tantsa.
Às 6h da manhã não houve diálogo. A ordem era encerrar o som e todos irem para casa, além é claro, dos responsáveis pelo evento prestarem alguns esclarecimentos na delegacia. O volume do som não era mais algo negociável e o embargo aconteceu. Problemas semelhantes também foram vividos pela ODD no ano passado e com a Mamba Negra.

Foto: divulgação
Os sócios da Tantsa se explicaram publicamente sobre o ocorrido e já estão tomando as providências legais para que possam ser ressarcidos. Com relação ao local, todos os eventos programados para o galpão do Brás até o final do ano serão realocados, já que o espaço se tornou inapto pela própria prefeitura de São Paulo.
Se o núcleo se sentiu intimidado? A resposta é não! “Vamos continuar com o formato da Tantsa de hoje, mas vamos expandir para a rua. Precisamos nos posicionar e nos unir a outros coletivos que já passaram por esse problema. Não começamos ontem, somos responsáveis e tudo é muito planejado. Já estamos pensando na próxima edição em janeiro do ano que vem ou até antes”, conta Victor.
Frente a todo o ocorrido, o que fica não é quem foi o responsável pelo embargo, mas como coletivos, produtores e público irão se posicionar frente a esse estreitamento artístico e cultural vivido no país.
