Dekmantel podcast: a continuidade de uma proposta, dentro e fora das pistas

Por Chico Cornejo

Foto de abertura: Felipe Gabriel

O ecletismo pode tomar diversas formas e se fazer presente de muitas maneiras numa miríade de linguagens artísticas, mesmo porque, sua essência envolve um certo ludismo e subentende uma mínima erudição. E quando ele se coaduna com um outro aspecto que atualmente encontra bastante evidência em todos os ramos da arte, da mais comercial à mais conceitual, a curadoria, os resultados tendem a ser impressionantes, quando feitos com a seriedade devida. Um exemplo dos mais célebres e consolidados desse tipo de projeto que temos entre nós hoje em dia sem dúvida é o selo holandês Dekmantel.

Já contando mais de uma década de glórias entre um público de elevado nível de exigência, seu êxito pode em muito ser explicado pela perfeita combinação entre os fatores explicados acima, tanto em seus eventos quanto em todas as suas plataformas musicais que envolvem muitas frentes. Entre elas, a gravadora é uma que já granjeou destaque e apoio mundo afora, de profissionais e amantes da música, por manter um catálogo impecável bem pautado na diversidade e no arrojo.

A outra é uma série de podcasts que já mantém uma reputação que o posiciona junto a alguns dos mais esperados e celebrados da web e cuja constância e consistência ajudaram a cimentar a marca como uma das mais confiáveis fontes de música de vanguarda em um nicho dos mais competitivos. Chegando agora em sua ducentésima edição, o Dekmantel Podcast exibe uma coleção notoriamente eclética em seu conteúdo e extremamente bem curada em sua escalação, sendo uma expressão fiel do ímpeto que fez do festival a força que se tornou. 

A intenção aqui foi percorrer a vasta lista de contribuições e eleger um décimo de toda essa opulência para procurar dar ao menos uma amostra, ainda que não fiel, representativa do que essa cornucópia sonora pode nos oferecer. E, como toda escolha, ela é bem pessoal, mesmo que procure dar uma ideia da ampla gama de gêneros musicais e estilos de tocar englobados pelas iniciativas do selo holandês.

E ela também cumpre a função de nos preparar para mais uma expedição holandesa em terras brasileiras que se iniciará na semana que vem, passando por cinco de nossas metrópoles dançantes – Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Itajaí – e trazendo consigo a promessas de mais inesquecíveis jornadas sonoras noite adentro.

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