ZAC e o poder da energia dos ritmos brasileiros na música eletrônica

Por Luigi Vanucci

Foto de abertura:divulgação

Thiago Zacchi é um daqueles artistas completos que viveu diferentes ciclos na música desde sua infância. DJ desde os 17 anos, sempre teve uma conexão forte com a arte, nunca se prendendo a rótulos ou estilos e sempre adepto à experimentação musical com muita amplitude. O resultado? Um blend recheado de ótimas referências, muita personalidade e uma fortíssima raíz progressiva nos ritmos brasileiros.

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Foto: Cassiano Vargas

ZAC vive atualmente um momento muito promissor em sua carreira, rodando o Brasil e com tours pela América Latina, com o suporte constante de artistas como Hernán Cattáneo, Steve Lawler e D-Nox tocando suas faixas pelo mundo, além da importante presença nos charts de progressive house do Beatport.

Conversamos com esse artista multifacetado sobre essas conquistas e também sobre os seus novos passos, onde ele nos conta muitas experiências interessantes, como gravar uma banda de carnaval no Rio de Janeiro e a sensação de ter suas produções exploradas por DJs de renome internacional!

HM – A presença de elementos típicos brasileiros estão chamando atenção em suas produções e sets, e isso parece ter feito uma grande diferença no seu som. Como tem funcionado a influência desses ritmos no seu trabalho?

Sou natural de Santa Catarina, um estado colonizado basicamente por europeus. Fui criado e educado em um pequeno vilarejo e raramente tive a oportunidade de conhecer outras regiões. O primeiro grande impacto que tive, musicalmente falando, foi quando toquei no Rio de Janeiro pela primeira vez. A partir daí, descobri um Brasil até então desconhecido por mim. Assistindo um show da banda Baiana System em praça pública, pude perceber que vivemos em um país com uma enorme diversidade musical. Foi uma experiência incrível! Desde então, tenho estudado muito sobre as diferentes sonoridades brasileiras, sobre os sons locais e, com isso, pesquisado como esses elementos podem ajudar a dar um novo suíngue e mais sensualidade para minha música. Sem dúvidas, há algo especial nos ritmos brasileiros. Eu realmente estou apaixonado por essas descobertas e a influência disso nas minhas produções. Nossos ritmos musicais são muito ricos e fazem sucesso há muito tempo, em todos os cantos do mundo. A quantidade de sons, ritmos e texturas musicas no Brasil é fantástica! A grande diferença é que com esse “toque brasileiro”, consigo deixar as minhas produções mais dinâmicas, interessantes e alegres. Quando toco, dentro ou fora do país, acabo criando uma conexão imediata com o público. Eu prefiro não me limitar, mas meu som é bastante progressivo e muitas vezes melódico, cheios de percussão, baterias e outras brasilidades, criando um formato moderno, dançante e que impulsiona uma energia singular, uma vontade de se divertir e celebrar. Coisa de brasileiro, né?

HM – Soubemos que esteve no Rio de Janeiro gravando uma banda de carnaval. Como foi esse processo?

Sim, gravei com uma banda chamada “Amigos da Onça”. Com um alto astral único deles, eles produzem músicas que arrastam e contagiam multidões. Eu passei oito horas dentro do estúdio com esses caras e posso afirmar que foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. Me sinto um produtor privilegiado por ter conseguido coletar um material tão rico e exclusivo. Um acervo musical que me deixa orgulhoso em produzir.

HM – Como funciona seu processo criativo? Em geral, você vai para o estúdio com um resultado em mente ou deixa as coisas fluírem de forma natural?

Minha música é uma combinação de sensações e, sem dúvidas, meu estado de espírito influencia totalmente nas produções. O meu processo criativo varia de acordo com o quê e como estou me sentindo naquele momento. Não consigo forçar as coisas. Para criar, preciso estar me sentindo bem. Prefiro deixar as ideias fluírem naturalmente, por isso grande parte das minhas melhores músicas surgiram por acaso, comigo confortável e feliz dentro do estúdio.



HM – Como DJ, você possui um perfil artístico que vem ganhando muito destaque. Poderia nos contar como tem sido a construção do artista ZAC?

São praticamente 13 anos de mercado. Eu gosto de ser DJ e amo o que faço. Eu tenho prazer em pesquisar músicas, escuto e recebo muitas. Ser influenciado pelo trabalho dos outros também faz parte da construção de um artista e isso me faz bem. Eu gosto de sentir a música e ver a sensação que elas despertam em mim. A construção começa justamente na base, na pesquisa, no despertar do interesse. Em todas as minhas apresentações, eu me divirto mais do que ninguém, porque eu sei que me dediquei e selecionei as melhores, então me sinto completo e não precisando de mais nada. Eu mergulho de uma forma intensa e ter a resposta do público é algo muito prazeroso.

HM – Sabemos que o ídolo do progressive e melodic house Hernán Cattáneo tem tocado várias músicas suas. Como você se sente em relação à isso?

Hernán é uma referência de artista e pessoa, ele é incrível em vários aspectos. Sou fã desde que comecei e sou grato por tudo que ele fez por mim. Ter o reconhecimento de uma pessoa que você admira é inexplicável. Toda vez que escuto um set dele, me surpreendo e o admiro ainda mais. Depois que ele começou a tocar algumas das minhas produções, minha carreira atingiu um outro patamar, atraindo olhares de produtores e clubs estrangeiros, além de aparecimento em charts importantes. Me sinto muito honrado por tudo isso.

HM – Pessoalmente e emocionalmente, quais são os principais desafios de uma carreira na música eletrônica hoje em dia?

Acho que o grande desafio é valorizar o equilíbrio das coisas. A rotina de trabalhar na noite e viajar constantemente pode se tornar pesada se você não souber administrar esses fatores. Por isso me preocupo em cuidar também da minha mente. Hoje a minha família tem um papel importante, sobretudo agora em que minha carreira atingiu um outro patamar, tanto na produção como nas turnês internacionais. Estar em contato com as pessoas que gosto tem contribuído para que essa “balança” esteja sempre equilibrada. Trabalhar com festas, seja atuando ou produzindo, é um ofício que exige cuidados, é primordial saber separar a diversão do trabalho. Sempre enxergo com muito profissionalismo e quando saio para tocar, minha entrega é 100% para o meu público e para a pista de dança. Quando acaba, só penso em descansar ao lado da minha família.

HM – Para finalizar, quais são seus próximos passos na carreira?

Estou preparando muitas novidades para aqueles que me acompanham. Sou muito honrado por saber que as minhas produções têm conquistado cada vez mais DJs internacionais que eu admiro e, pensando nisso, continuo produzindo. Uma das novidades é o meu novo EP em parceria com o Gabriel Carminatti, com muitas músicas especiais. O álbum se chama “Rutile” e saiu pela gravadora Beat Boutique, de Israel, terra que reúne ótimos e talentosos DJs e produtores. Somado a isso, as minhas apresentações no Warung Beach Club (um dos clubs mais respeitados do mundo) se tornaram uma vitrine do meu trabalho. A receptividade é enorme! Ainda não posso falar muita coisa, porque é segredo, mas vem coisa boa por aí. E também tem as turnês que pretendo continuar fazendo, não só pela América do Sul, mas também planejar algumas gigs pela Europa e Estados Unidos.

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Foto: Pablo Zambeli

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