Residência e comprometimento na parceria: duo Liquefied fala sobre jornada junto ao El Fortin

Por Alan Medeiros

Foto de abertura: divulgação

O duo Liquefied é formado pelos DJs e produtores Anderson Bublitz e Thiago Glau. A dupla ostenta um catálogo com releases em selos do calibre de Toolroom, ERYN e mais recentemente Safe Music. Envovlvidos com a dance music em esferas diferentes, Thiago e Anderson também são parte do projeto ARME, uma plataforma de apoio para artistas ligados a música eletrônica na cidade de Blumenau/SC, que tem oferecido eventos gratuitos em praças diferentes da cidade.

Muito do desenvolvimento do Liquefied na pista se deve a residência do projeto no El Fortin. Apoiados por Jefferson Miranda, os membros do projeto tiveram uma espécie de escola nas noites em que tocaram no club e pouco a pouco foram desenvolvendo de forma certeira suas habilidades frente aos decks. Hoje, além de manter essa importante parceria com o club de Porto Belo, Liquefied também é um nomoe frequente em outros clubs da região, como o gigante Green Valley, por exemplo, onde tocam no próximo dia 18 de agosto.

No próximo dia 25, o duo Liquefied faz parte das comemorações dos 13 anos do El Fortin. Escalados em um line up que ainda conta com nomes como Fran Bortolossi, Kolombo e Flow&Zeo, Thiago e Anderson não escondem a animação para a noite e nesse bate-papo exclusivo para a House Mag, falam com orgulho sobre a trajetória do projeto junto ao club. Confira!

HM – Olá, meninos! Tudo bem? Impossível começar essa entrevista sem falar de outro assunto: El Fortin. Quão importante o club tem sido para o desenvolvimento de vocês nos últimos anos?

Olá pessoal, tudo ótimo, é um prazer estar falando com vocês. O El Fortin tem um papel muito importante dentro da nossa carreira, pelo fato de todo o staff acreditar no nosso trabalho e nos apoiar. Carregar a marca desse club é uma honra para nós e também uma grande responsabilidade, não é à toa que o club está completando 13 anos de história em plena ascensão. Vivemos momentos incríveis no Main Stage e na caçula Yard, apresentações que nos marcaram e que levaremos para sempre nas nossas memórias. Em agosto teremos a honra de escrever mais um capítulo dessa história, estamos ansiosos para reencontrar o público, pelo qual temos um carinho especial.

HM – Vocês são artistas com uma capacidade de entrega de lançamentos bastante significativa ano a ano. Há alguma fórmula ou algo do tipo para manter a produtividade em alta?

Não existe uma fórmula, existe amor e dedicação. Buscamos sempre direcionar as nossas produções e planejamos cada uma delas para não haver atropelos. Na vida, tudo tem o seu tempo para acontecer e na música não é diferente. Se você souber se organizar e planejar, as coisas fluem naturalmente.

HM – Ano passado vocês lançaram por labels importantes, entre elas ERYN e Toolroom. O que esses lançamentos representam pra vocês? 

Esses lançamentos têm uma história bem interessante, que começou com o contato que fizemos com o label boss da ERYN, o espanhol Samuel Dan, para apresentarmos a ele quatro faixas que tínhamos finalizado recentemente. Para a nossa felicidade, ele curtiu todas elas e propôs o lançamento do EP que se chamou “Tuning With The Dance Floor”, nome da faixa título. Semanas após a assinatura do contrato, o Samuel nos chamou para falar que ele tinha enviado as faixas para o staff da TOOLROOM e que eles gostariam de relançar a faixa “Ritual” na compilação This Is Toolroom 2018. Foi uma explosão de alegria e a realização de um grande sonho, que era fazer parte do catálogo dessa label gigante, que sempre fez parte das nossas pesquisas. Ambos os lançamentos representam um divisor de águas na nossa carreira. Eles mostraram pra gente que tudo é possível dentro da música, basta a gente querer e correr atrás.

 
HM – Sobre o futuro: o que vocês podem adiantar em relação aos próximos singles, EPs, remixes? 

Estamos com uma série de lançamentos à caminho. Vamos adiantar alguns deles para vocês. Recentemente saiu o EP Etnias, duas faixas pela Safe Music LTD, label do duo italiano (The Deepshakerz) e para o futuro temos um EP na nossa label (Groove Trap Records) chamado P.A.R.T.Y, que além da faixa original, contará com remixes dos amigos Do Santos, Ariel Merisio, San Schwartz e Diego Lima e por último um single chamado “No Matter” em collab com o Diego Lima pela Drumkit Records, label do espanhol Eddy M (Residente da Elrow). Em breve teremos mais novidades e vocês ficarão sabendo.

 
HM – Um dos projetos mais interessantes do Liquefied esse ano é o ARME. Como vocês tem sentido o feedback do público nas primeiras edições do projeto? Quão gratificante é levar música de qualidade para o espaço público?

ARME (Artista Relacionados à Música Eletrônica) é um projeto que visa levar a arte da música eletrônica para todas as pessoas, gratuitamente, nas praças da nossa cidade (Blumenau-SC). Ela surgiu atráves da união de alguns artistas locais, no qual a gente faz parte, visando o crescimento da cena na nossa região, que é rica em DJs/produtores e em público, porém fraca na questão de festas e casas noturnas. De uma maneira muito profissional, estamos conquistando o espaço merecido e mudando à cabeça de muitas pessoas que antes tinham um certo preconceito. Até o momento foram realizadas três edições, sendo uma delas no bairro que nascemos, crescemos e vivemos até hoje (Vila Itoupava). Foi uma sensação incrível ver as praças cheias e ver que é possível sim fazer um evento como este, em local público, tendo respeito com a comunidade e com o meio ambiente. Muita gente está abraçando a causa e querendo participar, os feedbacks estão sendo muito positivos.

HM – Sempre fui muito curioso quanto ao processo criativo de duplas e trios de música eletrônica. Como isso funciona para vocês? Cada um possui sua função ou as coisas fluem naturalmente?

Essa pergunta é legal, por que cada projeto tem as suas particularidades no quesito estúdio. Devido aos nossos empregos fora da música, eu (Thiago) sempre tive mais tempo para me dedicar à produção musical. Eu faço a construção da idéia principal e depois sentamos juntos para discutirmos mudanças e coisas novas que possam incrementar o som. Nós temos gostos muito parecidos na música, isso facilita muito na hora da tomada de decisões.

HM – Na visão de vocês, o que difere um bom DJ dos demais? 

Ser um bom DJ vai muito além de fazer apenas bons sets. Você precisa amar à música em primeiro lugar, respeitar a profissão, ter feeling e técnica, se dedicar e ter a consciência de que você pode melhorar a cada momento. Querer sempre mais, mas nunca se achar superior, esse tipo de artista é diferenciado no nosso ponto de vista. Se você tem o objetivo de se tornar um grande DJ, essas qualidades são indispensáveis para o amadurecimento e crescimento. Respeitar para ser respeitado e almejar coisas gigantes sempre, esse é o nosso lema.

 
HM – Para finalizar, uma pergunta pessoal. Aonde vocês se imaginam daqui há cinco anos? Obrigado!

Essa é difícil (risos), mas vamos lá. É complicado sabermos o que vai acontecer daqui há cinco anos, por ser uma profissão de altos e baixos, que muda constantemente. O nosso planejamento sempre foi pensando à longo prazo, então preferimos trabalhar com os pés no chão, buscando evoluir como pessoas e como artistas, assim tudo acontecerá no seu devido tempo e estaremos sempre preparados para o que vier. Mas lançar em big labels, tocar cada vez mais em grandes clubs e festivais, aumentar a base de fãs, isso são coisas que todos os artistas almejam e com nós não é diferente. 

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