Nunca comece algo só pelo sucesso! Conversamos com POPOF, que vem ao Brasil esse fim de semana


Por: Rodrigo Airaf

Caminhando de forma maestral entre o house e o techno  e sendo respeitado no meio — o francês Popof segue sua jornada na música eletrônica, que se aproxima dos 20 anos e não parece dar sinal de que terá um fim próximo. Dono do selo Form, Popof foi apontado em 2009 pelo Ibiza DJ Awards como Melhor Revelação e ganhou em 2013 o título de mentor oficial da Techno Parade de Paris. Muito requisitado, remixou de Moby a Depeche Mode, de Tiga a Chemical Brothers.

Inteligente, criativo, sagaz e competente, Popof conversou com a gente sobre o público brasileiro, sobre seus segredos para o sucesso, suas influências, seu passado como promoter de raves ilegais, seu lançamento mais recente, e muito mais. Veja abaixo!



HOUSE MAG – Olá, Popof! Prazer conversar com você! Seu novo trabalho, President EP”, é o seu primeiro release solo no seu próprio selo Form Music desde 2010. Podemos esperar, a partir de agora, um foco ainda maior na Form em relação à sua carreira como produtor?

POPOF – Olá meu amigo! Uma das minhas prioridades para o ano que vem é focar no desenvolvimento da Form e lançar a maior quantidade de coisas interessantes possível — por mim ou por outros artistas maravilhosos assinados pela label. Um time fantástico está me ajudando a alcançar isso. Então você pode esperar muitas coisas legais sendo lançadas em breve! 



 
 
HOUSE MAG – “President” apresenta vocal samples das famigeradas eleições dos EUA, que tornaram Donald Drump seu novo presidente. Como você se sente sobre isso e por que você quis fazer uma faixa sobre?

POPOF – Para ser honesto, eu geralmente evito falar de política o máximo que eu puder. Eu não jogo minhas opiniões publicamente pois penso que minhas opiniões pertencem à minha esfera pessoal. O que aconteceu foi que eu estava trabalhando no meu novo EP durante o circo das eleições americanas e as notícias sobre isso — na França, como em todo lugar — estavam acontecendo nonstop: o que as enquetes previam, o que a Hillary disse, o que Trump disse ou fez, e por aí em diante. As eleições meio que foram encrustando no que eu estava fazendo, e eu decidi marcar esse momento integrando partes dos discursos de ambos os candidatos. Não vai mais fundo que isso, é realmente simples assim.  



HOUSE MAG – C
onte uma coisa boa e uma ruim sobre a cena eletrônica atual.

POPOF – Eu estou muito feliz com a cena eletrônica global atual; ela realmente expandiu nos últimos anos e emergiu um número notável de DJs e produtores talentosos de todos os países. Talvez o aspecto negatico sobre a cena seja, precisamente, o seu sucesso: tantos grandes talentos submergiram diante da competição e nunca foram notados. Atualmente, é imperativo saber como se “vender” nas mídias sociais ou outros canais de comunicação. Se alguém não deseja isso, ou não sabe como fazer, esse talento pode não brilhar. Quero dizer, essa é a regra do jogo, ser DJ sempre foi sobre alcançar pessoas para promover sua música; apenas aconteceu que os meios mudaram e agora todos podem abrir uma conta no YouTube e postar música. 



HOUSE MAG – 
Sua carreira na música acontece há cerca de 20 anos! Isso não é comum a todos. Quais você diria que são os três elementos-chave para o sucesso e uma longa caminhada na indústria da música? 

POPOF – Eu sempre fui apaixonado por música, desde que me lembro. Eu comecei como uma criança tocando piano, depois eu aprendi guitarra e bateria. Eu nunca tive o que você chamaria de trabalho “normal” porque música é minha verdadeira paixão. Eu acho que a paixão é o elemento número um que explica por que eu ainda estou na área. Eu não vou voltar à vida normal e trabalhar em um escritório!

Mais seriamente, outro ponto crucial é estar verdadeiro a você mesmo. Nunca comece algo porque você está atrás de sucesso, e nunca mude sua arte para torná-la mais palatável ou comercialmente bem-sucedida. Isso nunca foi meu propósito, eu comecei a tocar música eletrônica em um coletivo bem político, como você deve saber, o Heretik System. Nós nunca organizamos nossas festas rave para fazer dinheiro, nós mal podíamos viver disso, pelo contrário: nós fomos presos e tivemos nossos equipamentos confiscados. O terceiro elemento é imperativamente rodear-se de boas pessoas.

 
HOUSE MAG – Nós podemos ouvir claramente em suas músicas um modo único de se expressar através da dance music. Como é o seu processo criativo e quais artistas são suas maiores influências?

POPOF – É um processo bastante instintivo. Eu nunca planejo demais. Eu crio música dependendo do meu humor, do clima ou da forma que me sinto naquele momento. Eu começo com os ritmos, depois crio as linhas de baixo, depois eu adiciono os sintetizadores e vocais, e uma vez que eu tenha tudo, eu mudo novamente até que eu esteja satisfeito com o resultado. Em termos de influências, eu ouço muito vocal jazz, funk e hip-hop. Eu particularmente amo Marvin Gaye e Ella Fitzgerald.



HOUSE MAG –
 E quais foram os momentos mais especiais da sua carreira até agora?

POPOF – Há muitos, não saberia por onde começar! Alguns dos mais memoráveis incluem pessoas aparecendo na rave ilegal da Heretik System em uma estação de carga em 1999, ou em 2001 na piscina pública Piscine Molitor, ambas em Paris. Além disso, ter fechado a última festa do Carl Cox na Space Ibiza — B2B com Julian Jeweil — no último verão foi de cair o queixo, apesar de que foi um evento agridoce porque o club Space era um marco. Fazer turnê pela América do Sul/América Latina é sempre fantástico também, o público aí é inacreditável.



HOUSE MAG – 
Você vem ao Brasil neste mês para pelo menos três datas e você vai perceber que o público brasileiro tem dado mais foco ao house/techno ultimamemnte. Quais são as suas expectativas sobre esta turnê e o que o público brasileiro significa para você, já que você tocou aqui muitas vezes?

POPOF – Eu amo o público brasileiro, eles realmente conhecem a música! Eles têm muito entusiasmo e energia, é tão gratificante tocar para eles. A única expectativa para esta turnê é que ela seja tão agradável quanto as últimas. É sempre um prazer ir aí. O Brasil é único, tão rico culturalmente, e muito bonito, de tirar o fôlego. Mal posso esperar!

* Popof irá tocar na Tribe, Rio de Janeiro, no dia 10 de dezembro; Soul Club, Ribeirão Preto, no dia 11; e no Euphoria Festival, São Paulo, no dia 17.

Fique por dentro