De Maringá para o Ultra Músic Festival Brasil: Conheça a trajetória do Heiken

Por: Lucas Portilho de Faria Cunha

Nascido na cidade de Maringá (PR), Bernardo S. Schwanka, vulgo Heiken, está progredindo no cenário nacional da música eletrônica. Com passagem em um dos festivais mais respeitados no Brasil e do mundo – o EDC Brasil no ano passado – Heiken está “aquecendo os motores” para se apresentar no Ultra Music Festival Brasil. A House Mag bateu um papo com o artista para descobrir um pouco da sua história profissional e pessoal dentro e fora do universo da música eletrônica, confira:

HOUSE MAG – Defina quem é Heiken. 

HEIKEN – Sou um cara de bem com a vida. Sempre pra cima, confiante e com uma mulher incrível ao meu lado. Sou um cara apaixonado por rock. Na minha infância eu ouvia muito Pink Floyd e Led Zeppelin, bandas que a minha mãe colocava para a gente ouvir. Nasci em Maringá (PR), mas morei boa parte da minha vida em Curitiba (PR). Hoje estou morando em Balneario Camboriú (SC), cidade que vivo há cinco anos. Antes de trabalhar com música eletrônica eu trabalhava na empresa dos meus pais com o meu irmão.

“Heiken” surgiu quando eu estava na busca incansável por um nome novo e me deparei com o meu pendrive, com a logo de uma marca famosa de cerveja (risos). Eu pensei: “Opa! E se eu tirasse algumas letras desse nome?”. Gostei do resultado final: ficou um nome forte, fácil e internacional.

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HOUSE MAG – Como e quando você se identificou com a música eletrônica?

HEIKEN – Me identifiquei em 2006 no Club Dreams em Santa Catarina. Foi neste momento que deu o “click” com a música eletrônica e me apaixonei de vez. De lá para cá, comecei a ir em todas as festas da região.


HOUSE MAG – O que a cultura eletrônica representa para a sua vida?

HEIKEN – Hoje ela representa meu estilo de vida. Eu respiro e vivo música o dia todo. Sou grato a tudo que consegui através da musica eletrônica.


HOUSE MAG – Qual é o seu histórico profissional na música eletrônica?

HEIKEN – Minha primeira apresentação foi em uma festa do meu primo, no ano de 2008, na cidade de Maringá (PR). Detalhe: eu tremia durante todo o tempo. Lembro que na época eu tocava usando uma controladora e um notebook – que travava toda hora (risos). Um tempo depois, o pessoal da Lique, em Curitiba (PR), me deu uma série de oportunidades até que eu começasse a aparecer rapidamente no cenário da música eletrônica brasileira. Em 2010, participei da criação do extinto projeto Mashup. Logo de cara o projeto foi agenciado pela DJCOM e tivemos anos muito bons. No final de 2014 encerramos o Mashup e dei o “ponta pé inicial” no “Heiken”. Em março de 2015 fui chamado para fazer parte do casting da DJCOM e tenho sido muito feliz com eles.

Com certeza as datas mais marcantes na minha carreira foram: a minha apresentação no EDC Brasil e no Green Valley. Datas que tive o privilegio de me apresentar ao lado dos maiores nomes da música eletrônica internacional.

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HOUSE MAG –
 O que torna o seu trabalho único?

HEIKEN –Acredito que a profissão de produtor musical é um dos trabalhos mais lindos do planeta. Como produtor, posso criar músicas que passem mensagens e sentimentos. Como DJ, posso criar uma ligação entre as pessoas. Momentos que podem ser eternizados em nossas lembranças.


HOUSE MAG –
 O que diferencia as suas produções de outros produtores nacionais e internacionais?

HEIKEN –Não sigo formulas prontas. Não tento copiar o que já existe. Sempre sigo o meu instinto e o meu coração. Se olhar, desde a minha primeira produção até a última, vai ver que elas sempre são diferentes. A minha identidade está sempre presente e as músicas nunca são iguais.


HOUSE MAG – Você já participou da EDC Brasil e agora foi escalado para mostrar o seu trabalho na Ultra Music Festival Brasil. Nos conte a sensação de estar tocando em um festival internacional e de que forma isto é importante para a sua carreira?

HEIKEN – Sinceramente? A ficha ainda não caiu. Foi como no EDC: a minha ficha só foi cair na hora em que eu peguei a van e fui para o festival um dia antes. Agora, com o Ultra, eu estou sentindo a mesma coisa.Aacho que vou sentir o “peso” deste festival na hora em que pisar la dentro.

O Ultra com certeza já está sendo um “divisor de águas” na minha carreira, de longe é a apresentação mais importante da minha vida (até agora, risos). Espero que, com o Ultra, eu ganhe mais evidência e alcance para levar a minha música para um público cada vez maior.

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HOUSE MAG –
 Heiken – “California”; Chemical Surf – “Loose It” (Heiken Remix), Heiken e Vinne – “Seven Nation Army” (Bootleg), são exemplos de músicas de maior repercussão neste momento.  Nos fale sobre estas produções e nos conte qual música é a “cara” de Heiken.

HEIKEN – Definitivamente “California” é a minha cara. Este foi o meu último release original e tem muito da minha identidade. Uma música forte, um bassline intenso e com muito groove. Gosto de trabalhar as partes dos drums, para dar um swing especial para a música. No break, já é característico nas minhas músicas eu fazer um “breakbeat” com elementos de hip hop e trap. Os vocais eu mesmo gravei e tive como referencia o eterno hit “California Love”, do TuPac.

Já o remix que eu fiz para o Chemical Surf, resolvi fazer um Tech House clássico. Quando ouvi o vocal original pela primeira vez, eu já sabia que seria esse o caminho.


HOUSE MAG –
 No seu ponto de vista, como você vê o cenário nacional da música eletrônica? Em todos os aspectos: festas, público, negócios, produções autorais e etc.

HEIKEN – Nosso cenário está uma loucura em todos os sentidos. Nunca vi um movimento tão rápido como está acontecendo aqui. Tivemos uma mudança radical nos estilos predominantes nas festas, o domínio dos djs brasileiros nos Line-ups, além do crescimento do número de festivais no nosso país.

O público melhorou muito de alguns anos para cá. Mas ainda acho que o brasileiro não abriu a cabeça 100% para música eletrônica como em outros lugares no mundo. Mas, com certeza, vejo uma evolução.

Eu acredito que o mercado vai ficar mais exigente. Aqueles que vão “sobrar”, são que estão fazendo um trabalho sólido e sério.


HOUSE MAG –
 Observando o line-up do Ultra Music Festival Brasil, percebe-se que existe uma predominância de artistas homens. De um ano para cá, a discussão sobre a igualdade de gênero em festivais tem sido mais discutido em conferências e encontros. Qual é o seu ponto de vista sobre o tema? O que deve ser feito para que essa igualdade seja efetiva?

HEIKEN – Eu acho que a mulherada está cada vez mais tomando conta do negócio – sério. Olhe de 4 anos para cá: a quantidade de mulheres que estão em destaque nos lugares mais altos dos line-ups. A diferença é gritante. Você olha a ANNA como uma das “supporters” no line do Ultra Brasil, isto é inédito. Eu, sinceramente, acho que já tinha espaço para algumas mulheres que se encaixariam perfeitamente para o evento. Esperamos que ano que vem possamos ver mais mulheres nos line-ups.


HOUSE MAG –
 O que o público pode esperar de Heiken até o final do ano?

HEIKEN – Muita música boa. Menos quantidade e mais qualidade. Não estou mais lançando música por lançar. Estou focado em lançar apenas músicas em que acredito. Tenho algumas colaborações em andamento com alguns artistas de peso como: Ashibah, Daavar & Zeppeliin, Lazy Bear e alguns outros que ainda não posso falar (risos).

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