Neste sábado (3/9), a cidade de São Paulo ganha mais uma festa de techno, a Tantsa. O evento entra no disputadíssimo calendário da cidade em que festas independentes, principalmente as voltadas ao techno, estão cada vez mais famosas. Segundo Marcelo Madueño, um dos organizadores, a ideia de armar esse agito não veio de agora. “Seis anos atrás, quando eu e o Victor (meu sócio) voltamos de um intercâmbio na Europa, tivemos o insight de criar uma festa. Não imaginávamos o quão grande era o mercado da música eletrônica por lá e, como estudantes de administração, começamos a planejar como poderíamos participar do crescimento dessa cena por aqui. A vida nos colocou em diferentes caminhos e agora nos encontramos novamente para fazer acontecer.”
E os rapazes pretendem começar com o pé direito. O local da estreia será um galpão no centro da cidade cujo endereço será revelado somente no dia, mas o line-up já está fechado e tem, como atração principal, o britânico dubspeeka. O cara ajudou a fundar o grupo Kosheen, trio de trip-hop que estourou mundialmente no começo dos anos 2000 e hoje dedica-se somente ao seu projeto de produção e discotecagem, que transita com liberdade entre o techno e o house underground. “Nosso gosto musical navega pela estética do techno de Detroit e Berlim com uma pegada de breakbeat que os ingleses sabem fazer muito bem. Dubspeeka encontra-se nessa intersecção”, conta Madueño. Completam o line-up a dupla Gaturamo, formada pelos ótimos produtores Zopelar e L_cio, que farão um live, e rhr, jovem talento brasileiro que já chamou atenção até do DJ Danny Daze. Ingressos e maiores informações aqui.
(Para quem ficou curioso, o nome Tantsa significa “dança” em sesotho, um dialeto sul-africano).
Antes da festa, nós batemos um papo com dubspeeka, que hoje também toca no Club 88 em Campinas, SP. Confira:
HOUSE MAG – Como é a cena eletrônica em Bristol, de onde você vem?
DUBSPEEKA – Toquei em Bristol alguns de meses atrás e, honestamente, foi a primeira vez saí na cidade depois de muito tempo. Muitos dos meus shows me levaram a muitos lugares, por isso é muito bacana tocar perto de casa. Há muita variedade em Bristol, e para além do movimento todos os locais são bastante pequenos e íntimos, que eu prefiro. A cena é saudável aqui, muitos eventos para escolher.
HM – Você fez parte do Kosheen, trio de trip hop que estourou no início dos anos 2000 com o hit “Hide U”. Como está a banda hoje em dia, ainda fazem shows?
D –
Não trabalho com a banda mais, não consigo particiar do Kosheen e manter o dubspeeka. Então, decidi dedicar todo o meu tempo de estúdio e meus eforços para o dubspeeka mesmo.HM – E o dubspeeka influencia o Kosheen e vice-versa? Trip-hop ainda tem espaço nos seus sets e nas suas produções?
D –
Além de me influenciar por esse estilo e pela banda, eu também absorvo coisas de tudo o que eu ouço. Esse processo eu costumava ter também quando eu estava produzindo o material do Kosheen e acho que é por isso que o som parecia tão único na época.
HM – O que te inspira mais quando você está fazendo seus sets e produzindo? Ultimamente, podemos ver uma onda forte de bass e garage bombando no mundo inteiro, especialmente no Reino Unido. Esses estilos também te influenciam?
D – S
im, Bristol é muito impulsionada pelo bass quando se trata de música eletrônica, estilo de que gosto e considero inspirador. Sempre tem vestígios dele em minhas produções. Mas, como eu disse anteriormente, qualquer coisa pode chamar minha atenção e se traduzir no que eu estou criando no momento. Até mesmo o clima pode ser um desses fatores.HM – Você já lançou sua música em grandes selos e tem o seu próprio. Quão difícil é ser reconhecido no mercado eletrônico? Quais são os seus maiores desafios como músico?
D –
Eu acho que é preciso tempo para elaborar a sua arte e o seu som. Eu venho fazendo isso por um tempo agora e eu ainda estou aprendendo e viajando nas minhas produções. Acho que paciência e fé no que você está fazendo são muito importantes. As coisas raramente acontecem na noite, por isso, concentre-se no seu próprio som e, com o tempo, o sucesso virá.
HM – O que de mais importante mudou na cena eletrônica desde que você começou a trabalhar nessa área? É muito difícil fugir do lado mais comercial?
D –
Há tantos estilos e gêneros diferentes agora que eu fico confuso, essa é uma principais mudanças que temos hoje. Há também um lado da música eletrônica que é comercial e mainstream. Quando eu comecei minha carreira, há 20 anos, tudo que se referia ao estilo era underground.HM – Quero saber algumas faixas que não ficam de fora do seu set hoje em dia. E suas expectativas para tocar no Brasil.
D –
Eu toco um monte das minhas próprias produções em meu set, assim vocês vão ter a certeza de ouvir muitos dos meus hits. Tenho algumas coisas bacanas de Radio Slave no meu case e também de um novo artista da minha gravadora chamado Desta Cullen. Eu nunca me apresentei no Brasil, então estou realmente ansioso por essa experiência. Espero ter a chance de conhecer as cidades e o sabor da comida local também.