Ann Clue está chegando para sua tour brasileira e conversou com a House Mag


Por: Camila Giamelaro

Nste sábado, 3 de Setembro, acontece no Lil Square Hostel, em São Paulo, mais uma edição de uma festa que conquistou o coração desta colaboradora que vos escreve, como há muito tempo uma festa não me conquistava: Bali Who.

A Bali Who é vista pelos seus frequentadores como uma espécie de boiler room, pela proximidade com os artistas, ar intimista, diversão a valer e muita, mas muita música boa.

Criada por amigos que amam techno, a Bali Who sempre traz como headliner uma mulher de destaque pra comandar a pista. Já passaram por lá Nana Torres, Eli Iwasa, Jessica Tribst e Ann Clue, que é embaixadora da festa e está de volta para esta edição.

Aproveitamos a oportunidade pra conversar com a fofíssima DJ e produtora alemã que toca em mais três eventos além da Bali Who. Entre os dias 4 e 10 de Setembro, Ann Clue se apresenta também no El Fortin, Danghai e Anzu.

HOUSE MAG – Como surgiu a sua relação com a música eletrônica e a paixão pelo techno?

ANN CLUE – Eu acho que tinha mais ou menos uns 14 anos quando fui na minha primeira festa de música eletrônica com a minha irmã mais velha. Eu não tinha permissão pra entrar lá, já que eu era muito jovem, mas a gente deu um jeito e entrei com a identidade de uma amiga dela :)

Sven Väth estava tocando e me lembro bem que naquela noite me diverti e dancei horrores. Adorei aquele som hipinótico, mas levei anos para perceber que aquilo era o meu destino.

Então conheci o Boris em 2008, pelo Myspace, e descobri seu estilo e variedade. Foi o começo da minha jornada. Desde então eu me liguei a sons mais profundos e baixos pesados e ainda amo tudo isso!

HM – Você já tocou em alguns dos clubs mais legais do mundo. Qual apresentação ficou na memória até agora?

AC – Opa, essa é difícil! Quer dizer, eu estive em tantos lugares legais este ano que não dá pra lembrar só de um club ou um festival – tenho que nomear alguns.

Com certeza o Universo Paralello no Brasil, Smiling Sun Open Air na Suécia, Zig Zag em Paris, Eclipse Festival no Canadá e El Fortin em Porto Belo. E claro a Bali Who no Hostel Lil Square em São Paulo foi tão incrivelmente bacana, louca e espontânea que não dá pra escolher apenas uma. Eu também passei pela Argentina no último final de semana e foi maravilhoso também!

Eu dou preferência pra clubs menores e festivais mais intimistas, onde eu não fico longe do público, porque me sinto mais feliz.

Mas o Brasil sempre foi um lugar especial pra mim e está entre os melhores lugares na minha opinião.

2_500_01

HM – A gente sempre tem um lugar pra tocar o qual a gente pensa “esse é o meu objetivo. É lá onde mais quero tocar”. Qual club/festival seria e por que?

AC – Bom, essa é fácil de responder. O Awakenings Festival de Amsterdam sempre foi meu número um e eu morreria pra tocar lá. E sobre clubs, com certeza seria o D-Edge em São Paulo.

HM – Como você acha que o FCKNG SERIOUS vai colaborar e o que vai trazer como diferencial nesse mercado tão competitivo?

AC – FCKNG SERIOUS é o nosso bebê e lançamos ele ano passado. Por conta das nossas viagens, ele ainda está engatinhando. Mas é claro que temos grandes planos com o selo e com os artistas dele. Nós já fizemos algumas label nights muito legais em alguns países, como México, Brasil, Argentina, Alemanha, França, Suíça, mas este é só o começo. Queremos partir para pequenas ilhas, fazer festas private pra um público menor e mais intimista em várias cidades e mostrar para as pessoas que a música eletrônica tem várias nuances.

De vez em quando tenho a impressão que os DJs tocam o mesmo som quando percebem que ele funciona e hesitam em tentar testar coisas novas. Nós não queremos isso. Esperamos surpreender nossos seguidores com noites especiais e queremos ficar perto deles para que eles saibam que nós realmente nos preocupamos com eles.

4_500

HM – Na FCKING SERIOUS você é a única mulher do elenco de artistas. Você acha que o high tech minimal tem pouca representatividade feminina?

AC – É claro que as mulheres não são tão presentes neste gênero pois produzir e tocar esse tipo de som é muito técnico, por isso existem mais homens fazendo isso por aí.

Mas cada vez mais as garotas estão percebendo que isso na realidade não é um problema e que é na verdade muito divertido. Eu espero que mais garotas sigam meu exemplo e o exemplo de outras grandes mulheres produtores como a ANNA, Monika Kruse, Anja Schneider, entre outras. E assim a gente vai mostrar pra esses caras que podemos ser tão boas quanto eles!

HM – Você tem lançado músicas em parceria com o Boris Brejcha. Como é trabalhar com ele e como funciona o processo criativo de voces?

AC – Sempre que temos tempo sentamos juntos no estúdio, experimentamos coisas novas e nos divertimos criando umas batidas diferentes, melodias e gravamos uns vocais também. No meio desse processo, começamos a produzir juntos e acabou dando super certo. Nosso último EP ‘Acid Attack’, com a track ‘Roadtrip’, acabou se tornando o nosso favorito.

Quando estamos juntos em estúdio, um de nós começa algo, como um baixo ou uma melodia e daí arrumamos um break pra trabalhar na ideia principal. Quando gostamos, seguimos em frente, ajeitamos e adicionamos coisas como prescussão, efeitos… Acho que somos bem parecidos no processo de criação, mas o toque final fica sempre por conta do Boris, já que ele é o responsável pela mixagem e masterização. Eu ainda não consigo masterizar sozinha, mas estou trabalhando nisso.

É bem legal fazer música com ele, já que ele é uma máquina de fazer músicas e temos um gosto musical parecido no geral, então as coisas fluem entre a gente. Como nos conhecemos há muito tempo e somos melhores amigos, nunca brigamos, só nos divertimos juntos e as músicas são o resultado disso.

HM – Aqui no Brasil o techno está passando por um processo de redescoberta e novos talentos vem surgindo a cada dia. Quem são os destaques na sua opinião?

AC – Nossa, essa é bem difícil. Eu amo o trabalho da ANNA, Victor Ruiz e Alex Stein, que despontaram nos últimos anos, mas também adoro Gui Boratto que não faz techno realmente mas está na cena há muito tempo. Mundialmente temos muitos novos talentos e particularmente lembro de Joran van Pol e Maksym Dark pelos estilos únicos e pelas excelentes produções.

HM – Se você pudesse escolher um produtor brasileiro para trabalhar junto, quem seria?

AC – ANNA e Gui Boratto.

HM – Em setembro você volta ao Brasil pra se apresentar pela segunda vez na Bali Who, onde voce é embaixadora. Como é a sua relação com a equipe da Agencia BW e com a festa, que está crescendo cada vez mais a cada edição?

AC – Eu estou muito animada! A última vez que toquei na festa foi muito divertido e tenho certeza que vai ser difícil ser melhor do que foi, mas vou dar o meu melhor.

Minha história com a Agencia BW é engraçada. Há alguns meses atrás eu tive uma reunião cancelada no Brasil e meu vôo e meu hotel já estavam pagos, então pensei que seria legal tocar em alguma festinha. Fiz um post no Facebook dizendo que eu precisava de um lugar pra tocar e de equipamentos. O pessoal da Agencia BW me mandou várias mensagens e, como eles foram super legais, eu decidi conferir o que é que ia acontecer.

No final das contas foi uma das festas mais legais que já toquei até hoje, porque todo mundo estava lá pela música, pra dançar com o meu som. Eu toquei por mais ou menos 5 horas e adorei cada segundo. A galera da Bali Who é muito fofa, apaixonada pelo que faz e tivemos uma ligação maravilhosa desde o começo e espero que continue assim por muitos anos. A gente sempre se fala pelo Whatsapp e adoro cada pessoa que faz parte da equipe.

HM – Você também se apresenta no El Fortin, Danghai e Anzu. O que o público de todas essas festas pode esperar da sua apresentação?

AC – Com certeza pode esperar muita diversão! Eu acho que sou bem conhecida pelo meu jeitinho de fazer acontecer em uma festa. Adoro dançar com as pessoas, beber juntos da galera e tento sempre surpreender o pessoal com novas músicas. Sempre tento contar uma história quando toco, desde músicas mais deep e lentas até pesadas e rápidas. Vai ter de tudo nos meus sets. E estou muito animada!

Fique por dentro