Conheça Kommodo, o produtor mineiro que já fez barulho em Moscou e acaba de chegar em Floripa

 
Por: Gabriela Loschi (com colaboração de Rodrigo Rodríguez)

Kommodo, 31 anos, nasceu em Belo Horizonte e mudou-se recentemente para Florianópolis, SC. “Me mudei depois de uma temporada morando em Moscou, minha esposa engravidou e decidimos voltar para o Brasil. Tive uma proposta para trabalhar em Florianópolis e decidimos ir”, contou à House Mag.

Co-fundador de um dos mais conhecidos after-hours em sua cidade natal, Rivadália Moreira Coura, como foi batizado, lançou em 2012 seu primeiro EP pelo selo alemão Code2 Records. No início deste ano, o produtor mineiro lançou mais um EP consistente pelo YAGI Record, onde mostra suas influências do techno:


HOUSE MAG – Quando você começou a se interessar por música eletrônica? (Kommodo) – Comecei a me interessar por volta dos meus 18 anos. Estava começando a bombar as festas de psytrance e Belo Horizonte recebia muitos artistas. Comecei a frequentar as raves nessa época, desde as PVTs até as festas maiores, depois disso fui cada vez mais buscando ouvir coisas novas.

Quando começou a tocar? Comecei a tocar em 2011, primeiro nas festas de amigos, depois fundei com mais dois amigos um projeto de eletrônico que acontecia todas as quintas em BH. Mais tarde esse projeto virou um after que acontecia todos os sábados de manhã e rola até hoje. Depois comecei a receber convites para tocar em outros clubs da cidade.

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Quando começou a produzir? Comecei a produzir em 2012. Pouco tempo depois de começar a tocar, já queria saber como as músicas eram feitas.

Fez cursos de DJ, de produção ou outros? Fiz um curso de produção da CME em Belo Horizonte, que me deu uma base para começar. Logo me mudei pra Moscou e passei os 6 meses do inverno russo somente produzindo e aprimorando o meu conhecimento. Assim que voltei para o Brasil, fiz um curso de mixagem e masterização com o Fernando Lima para deixar minhas mixes num nível profissional.

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O que você ouve em casa? Em casa eu escuto 90% do tempo música eletrônica: downtempo, techno, tech-house, deep house, dub. Gosto de ouvir sets dos artistas que eu sigo. Mas também gosto de escutar hip-hop, samba e música brasileira.

Quais são suas referências musicais e qual o seu gênero preferido? O gênero que eu mais gosto atualmente é o deep techno com essa pegada mais dark, estilo Tale of Us, Recondite, Mind Against, Avatism, Clockwork, Dance Spirit. Também tenho ouvido bastante esse pessoal de São Paulo: Davis, Zopelar, L_cio, essa galera da Voodoohop também está com um som muito bom, o pessoal de Curitiba também está fazendo um som bem sério.

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Como você se mantém e como investe em sua carreira? Atualmente trabalho como diretor de arte. Foi isso que me trouxe para Florianópolis e é de onde eu tiro meu sustento. Vou comprando meus equipamentos e investindo aos poucos. Já tinha um Macbook, comprei uma interface de áudio mais simples no começo, os monitores e um teclado midi. Trouxe alguns equipamentos de Moscou, pois era mais barato, um synth, novos monitores. Depois fui melhorando, troquei a interface antiga por uma melhor, comprei um bom headphone. Como trabalho com design e direção de arte, eu mesmo fiz a minha logo, eu que faço as artes pra cada nova track que eu produzo, fiz uma sessão de fotos com um amigo fotógrafo que faz trabalhos de propaganda comigo, e por aí vai.

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É formado em alguma outra coisa? Sou formado em Comunicação Social pela UFMG.

O que você anda descobrindo ultimamente de músicas e aparelhos de produção? De música estou sempre descobrindo coisas novas, as vezes descubro algum som que eu fico me perguntando como não tinha descoberto aquilo antes, como por exemplo a gravadora Laut & Luise da alemanha que descobri recentemente. Quanto aos aparelhos, tem sempre tanta coisa nova que é difícil de escolher uma. O que me chamou a atenção ultimamente foi o Korg ARP Odyssey, que é uma recriação do clássico ARP Odyssey, esse eu gostaria de ter no meu estúdio.

Aonde você busca informações sobre produção e como realiza suas pesquisas? Eu estou sempre buscando novas informações sobre produção. Sites especializados como Musictech e Music Radar, tem muita informação. Alguns blogs como Attack Magazine também trazem bastante informação. Youtube tem toneladas de vídeos ensinando a fazer praticamente tudo, o canal da Point Blank é muito bom, já comprei também algumas aulas, como da Sonic Academy.

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O que mudou desde quando você decidiu ser DJ até agora? Quando eu decidi ser Dj pouca coisa mudou, eu já frequentava os clubs, já escutava música o dia inteiro, pois eu estou sempre trabalhando com um headphone no ouvido. Eu já gostava de pesquisar música nova e o que mudou foi que eu comecei a realmente pensar em qual contexto cada música poderia se encaixar. Mas a grande transição foi quando comecei a produzir, isso mudou a minha forma de pensar, cada música que eu escuto eu tento descobrir como ela foi feita, como o artista chegou naquele timbre, como foi feita aquela melodia, comecei a me interessar pela teoria. Meu lazer virou a produção, vendi meu video-game, não assisto TV. A hora que eu estou produzindo é a hora que eu estou relaxando, deixo as idéias virem sem pressão de ter que agradar ninguém, só a mim mesmo.

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Quais são as principais dificuldades que você enfrenta? Uma das dificuldades é conseguir conciliar o tempo no estúdio com outras atividades. Não produzo o tanto que gostaria e acabo dormindo menos pra conseguir produzir durante a noite. O preço dos equipamentos também ficam muito caros quando chegam no Brasil, com o real desvalorizado então ficou mais difícil ainda. Outra dificuldade é conseguir ter uma renda constante vindo da música, os cachês são muito baixos quando você não tem um reconhecimento, e os royalties de vendas das músicas que sobram para o artista praticamente não existem. Claro que eu sinto grande prazer em tocar e produzir, mas preciso pagar minhas contas.

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Que momentos em sua carreira você destacaria até aqui? Tiveram vários bons momentos, mas dois me marcaram. Um deles foi quando toquei no Morlox em Berlim, na festa de lançamento do meu EP que tinha lançado pela gravadora Code2. Era um lugar muito underground, a cara das festas de Berlim, daqueles com pixações até o teto e a pista bombando. Outro foi quando toquei no Solyanka, um dos clubs mais fodas de Moscou, pra um público de mais ou menos duas mil pessoas, cheguei no lugar e todo staff vestindo camisas com meu nome estampado, foi minha despedida da Rússia, foi muito legal também.
 
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* Kommodo inaugura a coluna CONHEÇA na House Mag, apresentando novos artistas que já tenham algum trabalho publicado e mostrem consistência. Caso queira participar ou indicar alguém, por favor envie o material com links e release para: redacao@housemag.com.br

 

 

 

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