Por Anderson Santiago
Fotos: Pablo Escajedo
União de três talentos em ascensão na música eletrônica brasileira, o The Drone Lovers acaba de lançar o seu primeiro álbum de estreia, “End Of Civilization”, pelo selo Ganzá, mantido pela Skol Music.
O trio, formado pela vocalista Érica Alves e os DJs e produtores Davis e Pedro Zopelar, começou a fazer tracks no fim de 2009 apenas como dupla e, em 2010, Érica se juntou aos rapazes para participar das composições e incrementar os vocais. A proposta, focada em ser uma banda ao vivo com os dois pés ficados na música eletrônica, é algo um tanto raro na nossa cena.
Um mix de techno, house e disco envolto numa roupagem pop é como podemos caracterizar brevemente a sonoridade do TDL. Brevemente porque a banda soa ora dançante, ora mais soturna, cativando os ouvintes aos poucos devido à riqueza de texturas com as quais constrói suas faixas. Lembra bastante artistas como Moloko, Massive Atack e Gus Gus – ou seja, só a nata.
Antes do debut, o grupo gravou três EPs, o último (“Silence”) no ano passado. Nesse tempo, rolaram apresentações em grandes festivais, como TribalTech e Tomorrowland, além de um árduo trabalho em estúdio por mais de um ano para criar o “End of Civilization”.
Conversamos com Érica Alves a fim de saber como rolou todo o processo de construção do novo disco. Ouça o álbum enquanto confere a entrevista:
HOUSE MAG – Pode citar algumas das influências que você adotou para criar os vocais das faixas do disco novo?
ÉRICA ALVES – Eu me baseei nas vocais de Moloko, Portishead, Cibelle, Massive Attack e Bjork.
HM – Por que você canta somente em inglês? Já fizeram algo (ou pretendem) em português?
ÉRICA – Sim, a opção pelo inglês é para que possamos dialogar não só com o Brasil, mas com o resto do mundo. Não temos a pretensão de produzir músicas em português. Eu até tenho canções em português, é um trabalho quase intelectual para mim, mas só as lanço quando sei que vão contribuir com a história da música brasileira de alguma forma. Sou muito orgulhosa da canção lusófona, acho ela especial demais para entregar de bandeja pra indústria cultural e do entretenimento, prefiro não me meter muito. Além disso, fui alfabetizada em inglês, passei boa parte da minha infância e início de adolescência nos Estados Unidos, então sinto que há um processo mais natural em escrever nessa língua do que em português.
HM – Qual foi o momento mais desafiador durante o processo de criação do “End Of Civilization”? E qual foi o mais tranquilo e compensador?
ÉRICA – O momento mais desafiador foi ter ficado sem qualquer amparo financeiro na metade do processo de produção. Quando me vi tendo que abrir espaço na minha agenda para me dedicar às gravações no estúdio (sou professora de inglês para pagar as contas), bateu a tal da crise econômica que estamos vivendo no Brasil, os trabalhos do selo foram paralisados e fiquei a ver navios e sem trabalho durante os meses que seriam cruciais para que o álbum fosse gravado dentro do tempo previsto. Foi difícil também ver nosso orçamento ser cortado, ficarmos sem lançar em vinil, e tivemos só um clipe gravado (seriam dois), o qual ainda não foi lançado. O momento mais compensador, entretanto, foi quando ganhamos autonomia para continuar as gravações em casa e pudemos agilizar a entrega do trabalho. Foi maravilhoso gravar vocais no conforto do meu lar, seguindo meu ritmo e os meus horários.

HM – Atualmente, temos poucas bandas que arriscam fazer música eletrônica autoral no Brasil. Por que vocês acham que isso ocorre, já que temos uma cena grande, diversificada e em ascensão?
ÉRICA – Acho que a maioria das pessoas não pensa que pode haver música eletrônica ao vivo, ou que a produção desse tipo de som pode ser algo coletivo. Geralmente pensam que bandas são para rock e música eletrônica para indivíduos.
HM – Vai rolar uma turnê, vocês já têm algumas datas fechadas?
ÉRICA – Infelizmente, não há qualquer plano de fazer turnê como havia sido planejado de início, quando assinamos com o selo. Aliás, seria incrível se isso rolasse, estamos ansiosos para divulgar nosso álbum.
