Tem gente que diz que droga mata, mas no caso de Alexander “Sasha” Shulgin elas o deixaram mais sábio. E, graças às suas décadas de pesquisa de substâncias psicodélicas, em teoria e prática, o mundo também acumulou muito mais conhecimento sobre fórmulas psicoativas.
Sasha era químico da Dow quando começou suas experiências, nos anos 50. Quando seus coqueteis apareceram nas mãos de Hell’s Angels e hippies, a multinacional lhe deu um chega pra lá. Ele continuou a trabalhar em casa, conseguindo nos anos 70 autorização governamental para seus estudos de fórmulas modificadoras da mente. O químico criou ao todo cerca de 230 novas substâncias psicodélicas.
Seu achado mais popular, porém, foi uma redescoberta. Sasha trombou com uma antiga fórmula da Merck do começo do século chamada metilenodioximetanfetamina, ou MDMA. Sua esposa e parceira de pesquisa, Ann Shulgin, passou a usar a substância em seus pacientes de terapia, ideia que logo se espalhou entre psicoterapeutas menos convencionais. Um par de décadas mais tarde, era a droga química mais popular da Europa, combustível da última revolução de música e comportamento do Ocidente, o acid house/rave/música eletrônica.
Sasha e Ann escreveram os livros PiHKAL (Phenethylamines I Have Known And Loved: A Chemical Love Story) e TiHKAL (Triptamines I Have Known And Loved: A Chemical Love Story), onde se mesclam a história do casal e instruções para a síntese de uma coleção de psicodélicos. Mas a química mais forte era sem dúvida aquela entre Sasha e Ann.
Alexander Shulgin tinha 88 anos.
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Um doc sobre “o criador do MDMA”
Por Camilo Rocha – editor chefe da Revista House Mag.
