Por Nazen Carneiro – Tudobeats
Foto de abertura: divulgação
Pillowtalk é aquela conversa sussurrada no travesseiro. Suave e cheio de groove, essa banda de música eletrônica foi formada nos Estados Unidos por Sammy Doyle, Michael Tello e Ryan Williams em 2011.
O grupo é conhecido de longa data do público brasileiro e um de seus integrantes, Sammy D., de passagem por Curitiba, participou no dia 10 de outubro do 14º Encontro Yellow de Cultura Eletrônica, que rolou no no Museu Oscar Niemeyer.

Foto: divulgação
Sammy D. tem muita história para contar. Assim como os outros membros do grupo, morou em diversas cidades, incluindo Alaska, Portland, San Diego e São Francisco, cidade onde os membros do grupo se conheceram e formaram o Pillowtalk. Verdadeiros cidadãos do mundo, essa galera funde os sons do clássico R&B, boogie e disco com house underground e indie dance. Esses senhores são conhecidos por seu trabalho duro no estúdio com lançamentos na Crew Love, Wolf & Lamb Circo Company, Kompakt, D-Edge e remixes para Groove Armada, Kasper Bjork, DJ Tennis, HVOB, Soul Clap, só para citar alguns.
Confira abaixo a entrevista de Sammy D. do Pillowtalk para Nazen Carneiro e ouça seu trabalho mais recente: o álbum “All People”, que você pode curtir aqui, na House Mag!
HM – De volta ao começo. Como Sammy D se envolveu com a música?
Minha família sempre gostou muito de música, de tocar instrumentos e cantar. Eu cresci na igreja, então sempre sempre estive cercado por música desde novinho.
HM – Isso deveria ser lá pelos anos 80. Conta mais de como foi essa época para você!
Nos tempos da escola, durante um tempo, eu morei em Portland e costumava fazer festas em casa mesmo. Vivia com meus pais e aproveitava quando eles estavam fora da cidade [rs]. Em 1989 fui ao meu primeiro club, chamava-se The Quest e rolava uma nova onda clubber e mais industrial. A partir daí, comecei a frequentar as raves de acid house.
HM – Você carrega toda essa influência de R&B e disco. É o seu background mais forte?
É bem forte. Eu colecionei todos os gêneros e estudei a história da música do século 20 de todos os tipos. Eu passo por fases. Agora eu gosto muito de post punk e kraut rock.
HM – E para o Pillowtalk? As décadas de 80 e 90 foram mais influentes?
Eu diria algumas dessas décadas. Todas as nossas músicas têm influência de algum lugar que já passamos. A arte é constantemente reciclada.
HM – Falamos de Portland, mas e a relação do Pillowtalk com São Francisco?
Formamos a banda em São Francisco em 2010. Estávamos todos morando lá na época, então, com certeza, nossa relação com a cidade tem muito a ver com essa época.
“Você deve ter a mentalidade de um garçom. Você está tentando agradar muitos tipos de pessoas ao mesmo tempo.”
HM – Cada membro diferente do grupo adiciona um pouco do seu background musical. Por favor, comente todo esse processo de construção do Pillowtalk.
Sim, com certeza. Cada um tem suas técnicas e habilidades. Por exemplo, Mikey tem uma grande experiência em produção, ritmo e DJ. Já Ryan toca muitos instrumentos e é um compositor natural. Eu tenho formação em coral, treinamento vocal, composição e piano. Tudo isso junto faz o Pillowtalk!

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HM – Vocês fizeram músicas positivas e ansiosas por bons momentos e por um mundo melhor. Por favor, comente a mensagem do PILLOWTALK.
A primeira mensagem é se divertir e dançar. Temos muita de positividade percorrendo nossa música.
HM – Exato! Essa positividade se vê no último álbum de vocês: sobre paz e um mundo para todas as pessoas. Onde você vê que a mensagem se encaixa no mundo hoje?
Este foi o tema do nosso último álbum “All People”. Temos tantos fãs em todo o mundo de diferentes culturas e que queríamos fazer uma declaração sobre paz e liberdade. Encontramos o melhor lugar para descobrir esse sentimento, que geralmente é na pista de dança.
HM – Esse álbum é sensacional e teve algumas colaborações bem legais!
Sim, nós colaboramos com um monte dos nossos bons amigos. Mais notavelmente Greg Paulus de No Regular Play e Tone of Arc.
HM – Outra curiosidade é que ele foi produzido em diversos estúdios diferentes, certo?
Sim, isso é uma maldição e uma bênção. Costumamos estar sempre em turnê e o melhor momento para trabalhar é na estrada, já que geralmente estamos juntos. Tentamos encontrar o melhor tempo de estúdio nas cidades em que estamos tocando. Criamos uma boa rede de amigos em todo o mundo e nunca ficamos sem opções de estúdio. O problema é voltar para casa e tentar misturar as ideias em nosso próprio estúdio. Geralmente, tudo está em todo o mapa, sonoramente, desde o trabalho em vários estúdios.
“Se você quer ser um DJ de sucesso, primeiro tem que dançar e dançar.”
HM – Falando de produção, comente conosco alguns dos seus hardwares favoritos para produzir.
Eu gosto de vários mas, apenas para citar alguns: Juno 6, Júpiter 8, Roland 808, Mini Moog, O Profeta 08, Korg SV1 e Lindrum1.
HM – O Pillowtalk é uma banda talentosa e altamente qualificada. Hoje vemos mais e mais DJs chegando na cena e isso está crescendo. Qual é o seu conselho para os novatos que estão por vir?
Hmmm conselhos … Leve o seu tempo para que aprenda seu ofício. Aprenda a história. Tenha uma “doença” pela música. Fique no seu quarto o tempo que for necessário, estude e pratique. Se você quer ser um DJ de sucesso, primeiro tem que dançar e dançar. Além disso, você deve ter a mentalidade de um garçom. Você está tentando agradar muitos tipos de pessoas ao mesmo tempo. Você precisa saber como fazer as pessoas felizes. Altruísmo percorre um longo caminho.
HM – Sempre em turnê, o Pillowtalk tem alguns shows bacanas chegando. Conta pra gente!
Voltamos recentemente de uma tour pelo acampamento da DirtyBird na Califórnia, México (DF, Queretaro e Mérida), ADE (Amsterdã), Londres (Festival de Norwich) e nos próximos dias temos shows em Curitiba, dia 31 de outubro, e no Rio de Janeiro, dia 9 de novembro.
