Por Marllon Gauche
Foto de abertura: divulgação
Uma prova de que a música é realmente um elemento rompedor de barreiras está no DJ e produtor africano Floyd Lavine. O artista nasceu e cresceu na África do Sul, mas sua conexão com a cena de Berlim é muito próxima, tanto que a cidade alemã é tida como uma de suas cidades-base. Em sua adolescência, absorveu influências de artistas como MAW, Kerri Chandler e Dennis Ferrer, acrescentando uma pegada de house e techno em sua identidade sonora firmada no afro house.
Londres foi um dos principais lugares onde ele se desenvolveu como artista, mas alguns anos depois retornou à seu país natal para dar vida à Nomadiq Music, gravadora que se tornou uma das principais da Cidade do Cabo, capital da África do Sul. Em sua carreira, passagens por clubs como Berghain, Watergate e Wanderlust e até mesmo no Festival de Glastonbury são realidade. Suas faixas já foram assinadas também por selos como Get Physical, Moon Harbour, Upon You Records e Watergate.
Lavine realizou sua tour pelo Brasil no mês de julho, tocando em quatro lugares diferentes como parte do showcase do Watergate pelo país: dia 5, no Rio de Janeiro, na Casa França-Brasil; dia 6, no Warung Beach Club; dia 11, no D-Edge; dia 12, no HOAX; e dia 13, na Levels 5 anos. Após colocar o público brasileiro para dançar com sua sonoridade super envolvente repleta de traços africanos, nós conseguimos uma entrevista exclusiva com ele, confira o bate-papo!
HM – Olá, Floyd! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Você absorveu influências de diversas cenas musicais distintas, passando por cidades como Londres e Berlim. Quais as melhores experiências absorvidas em cada uma dessas cidades? Essa questão geográfica é realmente importante?
Vir da África do Sul já me trouxe diversas influências. Eu acredito que sou um produto do meu meio e este meio influência a mim e ao meu trabalho. Então me mudar para Londres foi bom, pois tive contato com novas ideias e conceitos. Comecei a ver a música eletrônica de um jeito diferente.

Foto: divulgação
Lá eu estava exposto ao lado profissional e ao lado lúdico da música eletrônica, desde grandes clubs como o Fabric London até after parties no leste da capital. Eu vi todos os meus DJs e produtores favoritos lá e isso me motivou a investir em uma carreira na música.
Berlim é minha nova casa, eu amo a liberdade que a cidade dá ao artista, você pode ser o que quiser, ela permite que você faça isso. Então, para mim, Berlim representa a liberdade de expressão.
HM – Sentimento e energia dizem muito sobre sua performance nos palcos. Quais outros elementos são fundamentais para conectar público e DJ de forma sincera e natural, fazendo a festa ganhar um tom ainda mais especial?
Eu sinto que é importante sempre mostrar o seu próprio estilo quando você toca, tentando criar uma vibe que é a sua vibe. Eu gosto de levar as pessoas em uma jornada sonora através da minha herança e minhas influências, criando um ambiente divertido que faz as pessoas dançarem. Acho importante levá-las para outro mundo e deixá-las experimentar isso com você.
HM – Sobre a Nomadiq Music: neste ano ainda não foi lançado nenhum trabalho pela gravadora, quais exatamente são os planos futuros com a marca?
A Nomadiq Music foi um selo que eu comecei com um amigo na Cidade do Cabo, mas, atualmente, meu foco maior é na Rise Music. Esta nova gravadora é baseada em Berlim e concentra-se no house africano. Nós hospedamos nossos eventos mensais no Watergate Club, em Berlim, por mais de quatro anos e é um dos eventos mais emocionantes na cidade, oferecemos algo diferente. Nós fazemos shows em todo o mundo e impulsionamos o som house africano, também lançamos nossas músicas em vinil e digital para que você tenha a experiência completa.
HM – Nos últimos anos a África do Sul tem revelado alguns ótimos DJs ao mundo, como Black Coffee e Culoe de Song. Quais outros nomes você destacaria nessa lista?
A África do Sul tem uma grande cultura na house music, de grandes artistas consagrados como o Black Motion, Themba, Da Capo & Shimza. Mas eu gosto de ficar de olho também em novos artistas que são o futuro, como Kususa, Jackson Brainwave, Fred Buddha, Deep Aztec, Nonku Phiri, Esa, T.siza, Bruce Loko, Tonijah. Tem muitos para nomear, temos uma opção musical empolgante.
HM – O que a música já te proporcionou de mais especial em toda sua carreira? Qual seu grande sonho com ela para o futuro?
A beleza da música para mim tem sido a capacidade de viajar e se conectar com pessoas diferentes ao redor do mundo e ver que somos todos iguais. Nós compartilhamos sonhos e esperanças e estamos conectados. Para o futuro, gostaria de ver mais artistas africanos viajando pelo mundo e espalhando o amor da África para todo o planeta.
HM – Para finalizar: como você resumiria sua última passagem pelo Brasil? Alguma característica em especial de nossas pistas te marcou? Obrigado e até a próxima!
O Brasil ganhou meu coração, as pessoas são super quentes. Cara, a turnê toda foi tão especial para mim que eu nunca senti tanto amor assim. O brasileiro sabe fazer festa, acreditem em mim [risos]. Obrigado por me receberem tão bem no Brasil!

Foto: divulgação
