Atração do Caos nesta noite, Albuquerque nos mostra seu diário de viagem

Por Rodrigo Airaf

Foto de abertura: divulgação

Este é um cara que eu acompanho há muitos anos. Se você reparar na evolução de Albuquerque de cinco anos para cá, você vai ver que o seu trabalho ganhou uma amplitude imensurável. Residente do Warung há seis anos, Albuquerque comanda a RADIOLA Records junto ao Haustuff. Além de ser selo, a marca atua também em produção de eventos, área de coworking em Curitiba e outros tipos de ações com foco em conectar os amantes da dance music. É uma missão e tanto!

A ocasião de agora é importante: Albuquerque vai tocar no Caos, atualmente um dos principais clubs do Brasil, hoje mesmo, dividindo cabine com Gabe e Zac. Mas antes disso decidimos trazer um pequeno diário de viagem do artista, que tocou em vários lugares do mundo no último ano, tem muitas fotos pra mostrar, algumas dicas e histórias pra contar e foi muito gentil em compartilhar conosco alguns de seus momentos tanto tocando quanto turistando. 

Qual cidade da sua turnê mais te surpreendeu e por que?

Berlim sempre surpreende. As pessoas em geral ligam a cidade somente ao techno, mas existem lugares que tocam outras linhas de som e são incríveis. 

berlim_500
Berlim 

Quais foram as principais diferenças que você sentiu entre o público brasileiro e o público europeu?

O público que vai pra ouvir música eletrônica de verdade eu acho igual em ambos os lugares, no geral. Eles têm um pouco mais de acesso a cultura, talvez, como lojas de discos ao alcance, o que não temos. Eles têm mais festivais, mais clubs, mais contato com artistas também, não falando só de música. Você é impactado com intervenções artísticas mais constantemente. Arquitetura, street art, galerias. Isso faz um pouco de diferença e você pode arriscar um pouco mais quando toca lá. No Brasil isso também rola, mas não em tantos lugares assim.

lisboa_500
Lisboa

berlim_2_500
Berlim

Algum rolê nesta turnê além da música que vai ficar pra memória?  

Sim, alguns rolês. A tour de 2018 foi a mais longa que fiz. Foram 40 dias entre Alemanha, Portugal, Espanha, Áustria e Inglaterra. O rolê perfeito é passar o dia em Teufelsberg, em Berlim. É um pouco longe do centro, mas vale o empenho. É uma estação de espionagem da CIA abandonada depois da Guerra Fria. O lugar é cheio de graffitis dos melhores artistas da cidade. Se você levar sorte pode pegar uma festa lá também. A estação fica numa montanha e você pode ver Berlim de cima, além da floresta que cerca a cidade.

berlim_3_500
Berlim

portugal_500
Porto, Portugal

Qual foi a gig mais especial que você fez no exterior até o momento e por que?

Acredito que todas do BPM foram inesquecíveis. México e Portugal. Mas em Portugal, 2017, eu conheci a minha esposa na festa e voltei de lá casado. Foi um dia surreal, peguei uma pista cheia e um céu de sunset rosa e laranja, de frente pro mar do Algarve. Foi bom demais!

pbpm_500
BPM Festival

porto_500
Porto

Quais foram seus principais destinos de arte, cultura e lazer?

Existem muitos parques bons em todas as cidades que passei. Também curto conhecer restaurantes. Posso indicar com certeza o Boca Grande em Barcelona. Meu predileto. Gosto muito da praia de Salinas, em Ibiza, em especial em frente ao Bar Sa Trinxa onde o DJ é o lendário Jon Sa Trinxa. Ele toca de segunda a segunda durante o verão e é muito agradável passar o dia lá. Em Londres eu diria que andar pelo Shoredicht é um passeio legal. O bairro fica ao lado de Bricklane e é a sede de alguns selos importantes de house, como a Defected. Muitos artistas moram nessa área. O restaurante do Seth Troxler era lá também, mas fechou. Nessa última vez lá eu baixei um app pra tentar encontrar os graffitis ainda intactos do Banksy. Foi muito legal, alguns ainda estão lá. Além do melhor da street art, o bairro tem muitos bares legais.

barcelona_500
Barcelona

ibiza_500_01
Ibiza

Aconteceu algo inusitado nesta viagem?

Sim, fui guinchado em Ibiza. Voltamos do club DC10 na terça-feira pela manhã. Demorei pra encontrar uma vaga. Quando achei, estacionei. Volto mais tarde pra buscar o carro e nada. Com a ajuda de uns moradores entendi que parei em um lugar irregular e fui guinchado. Dor de cabeça, mas em viagens longas eu me distraio e as vezes acontece algo fora dos planos. No geral deu tudo certo, as gigs foram legais e curti conhecer mais de cada cidade.

viena_500
Viena

Fique por dentro