Mark Flash, Murphy e Marcelo Godoy comentam novos equipamentos e o bom momento do mercado de vinis

Por Anderson Santiago
Com colaboração de Gabriela Loschi

Os amantes de vinis comemoraram no ano passado o anúncio da gigante japonesa Panasonic, que vai relançar em 2016 seus famosos toca-discos da linha Technics após a paralisação da produção, ocorrida em 2010. A série SL-1200, que volta com um novo modelo previsto para chegar às lojas no segundo semestre, é uma das mais queridas e respeitadas pelos profissionais que não dispensam as bolachas.

A notícia só engrossa a tendência de retomada do mercado de vinis, que nos últimos anos tem ganhado fôlego. Para se ter uma ideia, as vendas subiram 30% no mundo em 2015, segundo pesquisa da consultoria Nielsen. E o mercado brasileiro também está de olho nesse nicho: este ano, uma nova fábrica onde funcionou a finada gravadora Continental vai reabrir como a maior indústria de discos da América Latina, produzindo mais de 140 mil bolachas por mês em São Paulo.

Conversamos com três DJs que priorizam tocar com os bolachões em suas performances para saber as impressões de quem realmente entende do assunto. Mark Flash, do coletivo Underground Resistance, e os brasileiros Murphy e Marcelo Godoy falaram sobre alguns prós e contras em relação a volta da Technics, como o polêmico (e alto!) preço de 4 mil dólares estimado para o novo produto. Confira: 

 
 
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Mark Flash
 
“Eu acho que esta notícia é muito importante para a indústria da música eletrônica, principalmente porque vemos que ela é impulsionada pelo aumento de vendas de discos. Só confirma que o vinil está, de fato, voltando com tudo. Isso também pode ser uma oportunidade para essa nova geração de DJs, que não conhece e não usa os bolachões, sentir um pouco da experiência. Um dos contras para mim é o preço altíssimo, que fica fora de cogitação para a maioria dos DJs que apoiam a cultura do vinil. Com 4 mil dólares eu mesmo preferiria comprar essa quantia em vinil e utilizar técnicas clássicas. Os preços dos produtos no passado eram mais acessíveis, mas hoje estão muito altos. A música eletrônica underground começou como uma forma de escapar da ditadura do mainstream, mas às vezes acaba sendo inundada com besteiras vindas desse lado mais popular. Eu, que toco há 34 anos com vinil, sei bem que é possível fazer música com menos de 4 mil dólares.”.
 
 
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DJ Murphy
 
“Como utilizo toca-discos em 100% das minhas apresentações há 24 anos, fiquei bem contente em saber da continuidade da Technics. Ouvi dizer que a nova turntable tem um novo sistema de absorção de vibrações e um motor duplo, além de um sistema de monitoramento de ângulo que ajuda na não oscilação do pitch. Como qualquer lançamento tecnológico impulsionado pela nova engenharia e inclusão de componentes como micro-processadores, o preço fica lá em cima. Mas com o tempo, acredito que a tendência seja cair.”
 
 
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Foto: Ivan Pires
 
Marcelo Godoy
 
“Não acredito que vá fazer muita diferença esse lançamento da Technics, pois o preço dos gadgets da nova linha vai ser muito alto. Sendo assim, é difícil que gere um grande impacto para o mercado de DJs e quem consome discos de fato como eu (minha coleção tem mais de 2500 discos). Tenho amigos DJs que já testaram a novidade em Londres e me disseram que essa nova turntable é mais frágil do que outras mais antigas, isso é uma desvantagem. Mas o fato de ela ter USB integrado é um ponto positivo, com certeza. Acho que a Panasonic chegou a esse preço por ser um produto voltado a audiófilos mais velhos que já são iniciados. E esse é um mercado de luxo, então o valor fica alto mesmo.”.

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