Por Luiza Serrano
Foto de abertura: divulgação
Imagina completar quase duas décadas com edições históricas e contando com as participações sempre crescentes do público e artistas? Nos tempos de hoje, manter um legado de tantos anos não é tarefa fácil.

Foto: Image Dealers
Criada em 2010, a Tribe passou por tempos áureos da música eletrônica, conviveu com a crise econômica que dificultou a vinda de nomes internacionais ao Brasil e, mesmo assim, com todos os desafios enfrentados pelos principais produtores do país, manteve o seu nome e prestígio para chegar a 2019 com um line up de peso, mantendo a cenografia sempre inovadora, sound system de qualidade e preocupação com o atendimento.
Para esta edição, são mais de 40 artistas confirmados para a Arena Maeda, em Itu. Entre as atrações, estão nomes que já passaram pelo festival e estreantes.

Com uma marca itinerante que circula por todo país, totalizando cerca de 66 edições em 19 anos, qual é o segredo do sucesso deste festival que traz, no dia 27 de abril, 19 horas de música “non stop”?
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Entre uma pausa e outra na correria do processo de montagem do evento, que já está em contagem regressiva, batemos um papo exclusivo com o idealizador da Tribe, Du Serena. Confira!
HM – Obrigada Du por falar com a House Mag. Manter um evento com nome forte por poucos anos já é difícil, imagina quase 20? Qual o segredo do sucesso?
Na verdade não há um segredo. Sem dúvida nenhuma é difícil qualquer marca conseguir se manter no topo por tantos anos. Ainda mais quase duas décadas. Acho que o segredo da Tribe é que ela é feita por profissionais que são completamente apaixonados pelo que fazem. Então o que nos motiva é conseguir cada vez ir mais longe na nossa entrega, inovar na cenografia, apostar no line up.
E dentro do festival, a experiência do frequentador em termo de atendimento, conforto, para que a pessoa consiga aproveitar ao máximo, conta também. A gente sempre falou desde o começo que a melhor maneira de divulgarmos o próximo festival é o festival que você entrega hoje, porque se você faz uma entrega de alta qualidade e as pessoas vão e são surpreendidas positivamente, isso acaba alimentando a força para o próximo festival.
A Tribe começou a ser feita de uma maneira artesanal onde desde o começo teve muita ênfase na parte de cenografia, na parte de atendimento e line up. E isso está no nosso DNA, então a gente procura levar ao máximo esses três expoentes porque realmente o nosso objetivo é surpreender positivamente o público quando ele chega, seja na hora que ele vê uma cenografia completamente inovadora porque ele não viu em nenhum lugar aqui no Brasil, até por um line up de ponta, passando também pelo sound system e atendimento. Realmente a gente trabalha muito para que as pessoas sejam surpreendidas positivamente.
HM – No ano passado vocês fizeram uma edição simultânea em São Paulo e Belo Horizonte. Como foi a loucura de fazer a logística entre as cidades e é algo que pretendem fazer de novo?
De fato, no ano passado nós fizemos a edição de Belo Horizonte junto com a de São Paulo. Isso implica novas e grandes dificuldades, porque vai além da logística de artistas, que não é uma novidade, já que isso acontece frequentemente, mesmo a gente tendo apenas a edição paulista.
Este ano, exclusivamente, na edição de São Paulo, por exemplo, existe a logística com outros festivais e eventos que estão acontecendo no mesmo final de semana. Dividimos artistas com esses eventos, porém, a produção de dois festivais, dois grandes eventos ao mesmo tempo realmente traz novos desafios, novas dificuldades. Acho que a gente conseguiu atingir nosso objetivo no ano passado. Não é um cenário ideal produzirmos dois eventos no mesmo dia porque acaba que demanda a nossa atenção em ambos, então já é difícil produzir um, imagina dois. Então a não ser que a gente entenda que seja uma oportunidade realmente interessante, em princípio, a gente vai manter a realização de um festival exclusivo por final de semana.
HM – A curadoria da Tribe é sempre um ponto alto! Como é realizada e quanto tempo antes? As edições anteriores influenciam na escolha?
A curadoria do festival começa a ser feita uma vez que termina a edição do ano atual. Então a gente termina um grande festival e já começa a pensar no outro, tanto em termos de line up quanto cenografia. Está também no DNA da Tribe inovar, porém manter as nossas raízes.
Todos os line ups vocês podem ver que temos os residentes, artistas como Boris Brejcha, Astrix, D-Nox, Gabe, eu mesmo. Enfim, são artistas que fazem parte do nosso DNA e que a gente procura manter em todas as edições até para ter a própria cara de Tribe. Porém, também é nossa missão apresentar sempre em cada edição artistas novos e inéditos, sejam eles inéditos na Tribe ou até mesmo inéditos no Brasil.
Se vocês verem em todas edições, principalmente nas de São Paulo, a gente busca trazer artistas que têm identidade e fizeram parte da nossa história, assim como artistas que nunca tocaram e que têm o perfil da nossa identidade.
O mesmo vale para a curadoria cenográfica. Cada palco da Tribe tem sua linguagem. O Secret Garden, por exemplo, é uma linguagem mais orgânica com vegetação, como o próprio nome diz. O Tribe Club é um cenário mais tecnológico, até mesmo mais futurístico, com design arrojado, essa pegada de modernidade. E o Solaris, que é a nossa pista de psytrance, é bem caracterizada por uma linha de design orgânico, com madeira e super colorido, acompanhando a tenda que desenvolvemos especialmente para a pista. A tenda em si já é um cenário colossal com design arrojado e inovador.
HM – Na edição 2019, o que os fãs podem esperar de novidades?
Para a edição de 2019, além de grandes novidades no line up, com artistas que nunca tocaram no evento, vem a parte de cenografia. No caso da pista Solaris, a gente vai manter a tenda do ano passado, porém, com palco novo. O palco está sendo criado por uma equipe da África do Sul, que é a mesma que criou os palcos de 2014 e 2016, os icônicos palcos Estrela e Cocar. Desta vez, a pista terá um palco de sol.
O novo palco do Secret Garden também vai manter a linha dos dois primeiros, orgânico com madeira e vegetação. E o novo palco do Tribe Club segue a linha do último ano com uma linguagem de low pole com fita led e design bastante arrojado.
HM – Sabemos que alguns desafios são comuns para eventos grandes como esse. Neste 19º ano, você consegue citar os principais e como lidam com eles?
O primeiro grande desafio é a gente conseguir entregar um line up de qualidade, de ponta. Porque por mais que pareça uma obrigação simples o festival oferecer um line up de qualidade, é muito difícil montar as turnês de forma que elas sejam atraentes suficientes para que os artistas venham para a América do Sul, principalmente para o Brasil.
O nosso mercado tem um dinheiro muito desvalorizado em relação ao euro e ao dólar, então a gente fica muito pouco competitivo na hora das propostas porque os artistas ganham muito mais na Europa, Estados Unidos e Ásia. É difícil conseguirmos trazer artistas de ponta por causa disso. As nossas propostas não são tão competitivas quanto as desses mercados maiores. Até mesmo, muitas vezes, Argentina, Chile e Colômbia conseguem fazer propostas melhores do que as do Brasil.
O segundo grande desafio é, uma vez montado o line up, conseguirmos surpreender as pessoas com o line up. É um quebra-cabeça que deve ser atraente o suficiente. E aí têm todas as grandes dificuldades que passam pela criação da linguagem, da cenografia, quais serão as novidades, layout, a própria legalização de um festival desse tamanho que é super complexa. Temos dado muita ênfase também na segurança hoje em dia. A gente procura garantir que os nossos clientes, os frequentadores, possam curtir o nosso festival com tranquilidade e segurança.
HM – Há uma semana do evento, qual é a primeira palavra que vem à mente?
Há uma semana do festival, a palavra do momento é prazo, porque existem todos os setores do festival trabalhando com capacidade máxima e a gente tem que trabalhar com prazo para que tudo seja entregue no momento correto. Se um fornecedor atrasa, ele acaba atrasando o outro que atrasa o outro. Por exemplo, na montagem de cenografia do palco Solaris, entra primeiro a equipe que coloca os pontaletes de madeira que estruturam a tenda, depois vem o cabeamento de aço, depois vem a lycra. E daí começa a montagem do palco, do piso do palco, da cenografia do palco, depois o som e a luz. Então tudo tem que ter um prazo certo para que um não atrase o outro.
HM- Em um line up com tantos nomes reconhecidos, você consegue citar 5 que são imperdíveis nessa edição?
Difícil falar de nomes imperdíveis em um line up tão bom quanto esse. Vou começar pelo Boris, porque ele é um dos grandes artistas do momento hoje, não só na Tribe, mas na cena techno em geral. Outro que é um dos nossos residentes também é o Astrix que, sem sombra de dúvida, é um ápice do festival. Seguindo na linha de psytrance, outro momento épico vai ser Vini Vici, que está voltando para a Tribe depois de ficar uma edição fora. E acho que citaria dois closing sets do Tribe Club. O D-Nox, que acaba sendo sempre um momento muito especial, e o retorno do AFF que, em 2016, fez um closing set inesquecível no Secret Garden. Então acho que esses seriam os cinco nomes que eu citaria.
HM – A pergunta que não quer calar! Nem chegamos à edição 2019 e já queremos saber: edição de 20 anos, teremos comemoração especial?
A edição de 20 anos, como o próprio nome diz, já vai ser especial. São duas décadas e a gente vai tratar com muito carinho. O evento deste ano já faz parte do planejamento da edição do ano que vem, porque algumas coisas que a gente está plantando a semente aqui, em 2019, vamos colher frutos lá na frente.
