O que aconteceu na Festa 800 em Goiânia

Por Danuza Azevedo

Cheguei à festa um pouco tarde, lá pelas três e meia da manhã, porque estava chovendo e esperei passar a chuva. O local era uma fazenda às margens da BR 060, em Goiânia, próxima da cidade uns 20 quilômetros. O estacionamento era amplo, porém com muito barro e custava R$ 50,00. Por isso muita gente optou por estacionar em local proibido na beira da rodovia.

A festa tinha a promessa de ser inovadora, era sua quarta edição e as três passadas – da qual participei apenas de uma em 2016 – tiveram uma avaliação muito positiva do público.
Mas quem trabalha com evento sabe. Inovar tem seus riscos e os organizadores da 800 assumiram todos eles. A festa acontecia no alto de um morro, local que tinha uma linda vista e dava pra ver toda capital goiana. Mas chegar do estacionamento até lá seria o problema. O tráfego de veículos não era liberado no trecho  – por diversos motivos dentre eles a segurança do público –  e a solução encontrada pelo pessoal da festa foi fazer esse translado com vans. Aí começou o grande problema. A organização errou. Errou em uma semana chuvosa, não fazer no ponto de embarque das vans uma estrutura coberta para que as pessoas pudessem aguardar a sua vez para subir.  E com a chuva o caos estava feito. As vans estacionavam e o público queria de toda forma subir, aí o público errou e foi só confusão. As pessoas impacientes com a chuva, e também com a demora, perderam a cabeça. Várias vans foram depredadas e um motorista agredido. Resultado? A empresa, que era terceirizada, paralisou o serviço e levou as vans embora.
Eu, assim como muitas pessoas, subi a pé e caminhei cerca de 40 minutos pra chegar na festa. Chegando lá, passado o perrengue! Festa perfeita! 
A estrutura montada foi gigantesca, tudo levado cuidadosamente pro alto de um morro onde não tinha absolutamente nada. A festa 800 segue o padrão das festas realizadas em Goiânia. Eventos luxuosos, acompanhados de open bar premium e line-up de peso. A atração principal foi Vintage Culture no amanhecer do dia. Lá no alto, ninguém mais se lembrava do que passou pra chegar ao local, era só aproveitar o grande evento. Não faltou bebida, não faltou animação, não faltou música. Mas, de novo o mas, chegou a hora da festa terminar – por volta das 11h30 da manhã e para ir embora? Descer o morro? Cadê as vans? O serviço não foi normalizado e o que se viu foi todo o público de uma festa descendo quase 4km a pé novamente até o estacionamento. Alguns micro-ônibus estavam trabalhando, mas não o suficiente. Aí cada um arrumou um jeito e foi o que se viu na rede: caminhões, camionetes, tratores, qualquer coisa que passava andando o povo pulava em cima.

Acredito que quem inova, como os organizadores da festa 800 fizeram, podem errar: números de vans e falta de cobertura, mas não podemos deixar de destacar também a falta de paciência do público, que agravou ainda mais a situação.

Toda situação poderia ser contornada com um pouco mais de ‘me colocar no lugar do próximo’. No mais, por bem ou por mal, não sabemos, a Festa 800 entrou pra história das festas mais inesquecíveis e eu particularmente, estou pronta pra próxima!

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