Por: Lucas Arnaud
Imagem: Divulgação Nos embalos das últimas notícias, a exemplo da vitória o prêmio Club do Ano pela boate nova-iorquina “Output” no Electronic Music Awards, fica claro que Nova York tem retomado seu posto dentre as cidades com as mais agitadas vidas noturnas do mundo. E esse processo, mesmo que aos poucos, tem ocorrido também no plano legislativo/burocrático.
Você sabia que existe uma lei que proíbe dançar em Nova York? Vamos entender: desde 1926, há a “Cabaret law”, que exige alvará específico para que se possa dançar em casas noturnas. Sem tal alvará, a policia pode mandar interditar o estabelecimento, se notarem três ou mais pessoas em “movimentos do corpo em resposta à música”. Dessa forma, muitos locais se veem obrigados a colocar placas “No dancing”, no intuito de não ferir a “conveniente” lei.
Historicamente, a lei foi criada no contexto da Lei Seca (na década de 20), quando se tornou proibida a venda e o transporte de bebidas alcoólicas nos EUA. Em tese, a lei serviria para ajudar a conter bares que vendiam álcool ilegalmente. Ativistas afirmam que a regra tem caráter racista, visto que, antigamente, prejudicava principalmente as grandes casas de Jazz no bairro negro do Harlem. Hoje em dia, porém, os resultados são bizarros.
Relata-se que policiais saem pelos estabelecimentos à procura de pessoas mexendo o corpo, a fim de fiscalizar o cumprimento da lei. E é bizonho assim: chegam a abordar clientes que parecem estar começando a dançar para lembrar: “aqui não pode dançar”.
Estima-se que, atualmente, 88 estabelecimentos tenham o alvará que autoriza a dança de seus clientes. Já em setembro de 2017, o atual prefeito de Nova York, Bill de Blasio, conhecido como “o prefeito da noite”, liberou um novo posicionamento de sua gestão sobre a lei. Pretende criar o cargo de “diretor da vida noturna”, para que a relação das autoridades com essa parcela do mercado se torne mais justa. O prefeito também apoia a rejeição da lei, processo que será votado ainda em 2017, graças ao projeto do vereador Rafael Espinal do Brooklyn. Ainda bem.
Fonte: Nexo Jornal.
