Por: Nazen Carneiro, da coluna TUDOBEATS
Fernanda Martins iniciou-se na arte da discotecagem já com os vinis. Suas referências de música, técnicas de mixagem e produção vêm desta origem e de sua relação com o Techno. A DJ-Produtora paranaense, nascida em Medianeira, radicada na Europa há dez anos, hoje mora em Barcelona, na Espanha. “Techno”, “Hard Techno” e ”Schranz” são os estilos que compõe o case desta artista que deixou o Brasil para ter seu trabalho reconhecido e hoje, depois de dez anos, de tocar em mais de trinta países, se divide entre gerenciar dois selos, produzir seus eventos e as gigs mundo afora. Conheci a Fernanda ainda em Curitiba e foi um prazer poder entrevistá-la e saber mais sobre os detalhes desta saga que é buscar construir sua vida fazendo música. E mais: fazendo Techno e Hard Techno. Confira o nosso bate papo enquanto ouve o Podcast exclusivo que Fernanda preparou para o nosso House Mag Series:
HOUSE MAG: Pergunta clássica: Como você começou a tocar?
FERNANDA MARTINS: Comecei em abril de 2005, quando eu morava em Curitiba. Era amante da música e frequentadora assídua das festas de eletrônica há muitos anos. Em uma viagem à minha cidade natal, Medianeira, me reuni com uns amigos em uma Lan House de um conhecido. Um dos garotos tinha levado seu par de MK2 e mixer e estava tocando pra galera. Me aproximei e lhe pedi que me mostrasse como funcionava o equipamento. Ele me mostrou o básico ali na hora, como ajustar o pitch e tal… Esse foi meu primeiro contato com as pick-ups. De volta a Curitiba, fiquei pensando sobre o assunto e achei que seria divertido se eu comprasse um par de toca discos usados pra ter em casa para aprender, pra curtir … um hobby!
HM: Você queria ter os equipamentos para começar, certo?
FM: Não, naquele momento eu não pensava em ser DJ. Queria saber tocar, me divertir. Acabei comprando os equipamentos de uns meninos de cascavel. Levei pra casa e chamei o meu amigo Josué Roseira aka DJ Bad para ir lá em casa – lhe disse: “Bad! Tô com os toca discos aqui em casa, quando tiver um tempo vem aqui. Eu quero que você me ensine a tocar”.
Na época, eu fazia faculdade de Relações Públicas na PUC de manhã e, quando tínhamos um tempinho, ele passava em casa à tarde e me dava umas aulas. Poucos dias depois recebi uma ligação do DJ Rafael Araújo, de Curitiba – ele organizava várias festas de Techno na cidade. Não sei como ele ficou sabendo que eu estava ¨tocando¨ – ou melhor dizendo: começando a aprender a tocar – e me convidou para fazer o warmup de uma das festas dele que ia rolar no Stereo Pub, um dos clubs que eu frequentava. Eu disse que estava começando a aprender e ele me falou: ¨Bom, o convite está feito, se você quiser tocar na festa você tem 13 dias para aprender a tocar…¨.
Aprender é um processo que envolve vontade, empolgação mas principalmente dedicação
O Bad me animou pra não perder a oportunidade de tocar em um club que eu ia me divertir, me ajudou pra caramba! Me colou em contado com um pessoal que tinha uns vinis de Techno pra vender, me emprestou alguns da coleção dele e me ajudou a montar um set para a tal festa. Fiz uma ordem de músicas e aprendi a mixar aquele set de traz pra frente e de frente pra traz. Nem sei quantas vezes toquei aquele set na minha casa até o dia da festa. O Bad ia lá e me dava uns toques, me mostrava meus erros, mandava eu repetir, uma e outra vez. Quando chegou o dia da festa no Stereo, eu estava ansiosa e nervosa, mas ao mesmo tempo confiante. Conhecia as músicas da minha playlist como a mim mesma. Rolou legal, o pessoal dançou e eu me diverti! Terminei de tocar, algumas pessoas vieram me cumprimentar. Rolou até um convite para tocar numa rádio na semana seguinte. Eu disse: ¨Vamos nessa!¨. Mas estava tão esgotada mentalmente dos últimos 13 dias treinando como louca que passei toda a semana sem tocar nos decks. Resultado: o meu set na tal radio foi um belo fiasco!
Foi bom para que eu aprendesse a respeitar minhas limitações e entender que não era assim tão fácil. Que se eu quisesse fazer outros sets como o do Stereo Pub, eu precisava me dedicar. Aprender é um processo que envolve vontade, empolgação mas principalmente dedicação!

HM: Como foi essa época para você?
FM: Foi divertido e empolgante! Estudei muito em casa, pesquisei músicas, e treinei! Era tudo novo e foi um grande desafio. Não só de fazer um set legal, mas também de conseguir as gigs e tudo mais. O bom é que eu curto desafios e estava bastante motivada! É engraçado, mas quando comecei a tocar, eu comparava o lance da mixagem com jogos de videogame. Era um lance de vencer a dificuldade e seguir pro próximo nível. E eu sabia que quanto mais eu tocasse, mais eu ia ter o controle da situação e mais divertido seria. Tal como com os jogos de videogame.
Enfim… o tempo passou, eu nem me dei conta, e de repente eu já estava tocando pra lá e pra cá em várias festinhas e clubs de Curitiba e região. Naquela época, todo mundo usava o myspace. Comecei a receber propostas via internet para tocar em outras cidades do Brasil. Principalmente na região Sul e no estado de São Paulo. Quanto eu terminei a faculdade, em 2007, já tinha uma pequena carreira como DJ.
Eu já namorava o DJ Lucas Freire, e nesse ano ele estava se mudando para Europa depois de ter feito 4 ou 5 tours por lá. Fui visita-lo duas vezes em Barcelona. Me apaixonei pela cidade. Também consegui algumas gigs em países como Espanha, Alemanha e Bélgica. Era hora de tomar uma decisão sobre qual seriam meus próximos passos. Eu também queria seguir meus estudos, e lá encontrei um curso de Music Business, fiz a matricula e em 2008 fui morar com o Lucas na Espanha. Então comecei a investir em minha carreira artística de uma maneira mais profissional.
HM: Como Barcelona e a cena de musica eletrônica europeia te receberam?
FM: Não senti nenhuma resistência, fui muito bem recebida na Europa. Desde 2007 comecei a trabalhar com a agência Trivial Booking, da qual o Lucas fazia parte. Ela existe até hoje, mas sob outra direção e enfoque artístico diferente. Há dez anos eles eram referencia absoluta na Espanha, e tinham uma grande representação em outros países, com o que dizia respeito ao Techno mais pesado e rápido, que aqui chamam de ¨Schranz¨.
Em 2007 eu ainda não mixava esse estilo de musica, mas como a minha agência tinha muitos contatos e aberturas em vários clubs, comecei a fazer muitos warm ups em festas de Hard Techno & ¨Schranz¨. Abracei as oportunidades que apareceram e fui cavando o meu espaço. O Lucas também me ajudou muito! Principalmente devido à experiência dele como DJ há muitos mais anos que eu. Ele foi um ótimo coach! Me disse para ter paciência e constância. E as coisas foram acontecendo.
Com a massificação do Facebook, meu trabalho foi mais visto também. Em questão de três anos aconteceu muita coisa, e quando me dei conta, já estava com os dois pés dentro da cena.
Em abril deste ano completei 12 anos de carreira, mas no inicio, lá por volta do quinto ano, quando comecei a tocar praticamente todo fim de semana, eu me questionei se realmente era isso que gostaria de fazer da vida. De hobby divertido e relaxado passou a um trabalho serio. Horários, viagens, responsabilidades com o público, promotores, agentes, etc. Mas eu não poderia me queixar da minha paixão ter se tornado meu job ;)
HM: Como estão suas produções?
FM: Nos últimos anos estive um pouco lenta com as produções. Investi mais tempo no estúdio na época em que cursava Engenharia de Áudio. Focava todo trabalho de estúdio no Hard Techno. Lancei por selos como o Mental Torments ou HardTechno Bastards, que são selos importantes da cena Hardtechno / Schranz. E também pelo meu próprio selo: AudioCode Records. O qual eu gerencio junto ao Lucas Freire aka DJ Lukas.
Passei por um período de pouca dedicação à produção e mais tempo ao management dos selos, organização de eventos e alguns projetos pessoais fora do mundo da música.
Agora em 2017 voltei a estar mais ativa, tenho vários projetos em curso. Também algumas colaborações com artistas da França e Italia. Estou mais concentrada em trabalhar no estúdio apenas com Techno.
HOUSE MAG: Conta mais sobre os seus selos “Devotion Records” e “AudioCode Records”.
FM: Atualmente é o que vem ocupando praticamente 60% do meu tempo de trabalho durante a semana.
Em 2015, junto com o Lucas Freire, criei o nosso selo de Techno: Devotion Records. E estamos muito contentes com o crescimento do selo em apenas dois anos!
AudioCode Records é o nosso selo de HardTechno & Schranz. Atualmente é um dos selos lideres de vendas desse subgênero do Techno. Em julho sai pela AudioCode o meu EP ¨Alpha Female¨.
O Lucas faz a maior parte do A&R dos selos. Eu participo da triagem do material a ser lançado, mas ele esta a frente, fazendo uma pré-seleção do material para então avaliarmos juntos o que lançaremos e como. Praticamente toda parte de contratos, promoção, pagamento de artistas; questões administrativas e de comunicação no geral, ficam por minha conta. Lucas também trabalha na masterização de boa parte das músicas lançadas em ambos selos.
HM: Ambos os selos têm lançado artistas muito interessantes, com diferentes approachs na cena de techno mundial. Como está a sua visão sobre os produtores que vocês têm trabalhado?
FM: No AudioCode, lançamos muitos dos principais artistas da cena HardTechno / Schranz, como SveTec, Golpe, Lukas, Viper XXL, OBI. Além de talentos promissores, como o brasileiro Diogo Ramos, os italianos Xavier e Barka&Taris, etc. Este ano, além dos álbuns e releases especiais já lançados, chegaremos ao 50º EP do selo que será do alemão Viper XXL, com um remix meu.
Com o Devotion Records estamos a todo vapor, lançando a cada três semanas ou um mês. Já lançamos artistas como: Spartaque, Steve Mulder, Paul Strives, A. Paul, David Temessi, Dave Sinner, M.I.T.A., Axel Karakasis e muitos Brazucas como o Dante Pippi, Drunky Daniels, Black Roof, Against The Time, Victor Enzo, Lucas Freire e eu, sob meu alias Dot Chandler. E muitos outros!
Por mais difícil que seja, levar os dois selos é algo que eu gosto muito, muito de fazer!
HM: E como está a cena de Hard Techno aí na Europa?
FM: No momento a cena de Hard Techno e Schranz está em baixa. Há lugares pontuais que ainda apostam no estilo, mas em geral a cena esta bem fragilizada. Antes de chegar e este ponto, eu consegui me estabelecer como uma das artistas referências dessa cena. Quando decaiu, só sobrou espaço para os que já estavam estabelecidos. Quando a cena era mais saudável, existiam apostas, novos nomes mas no cenário atual isso não está acontecendo. Do meu ponto de vista, se continuar assim, a cena vai piorar.
Tenho claro que com as redes sociais, os promotores de festas se interessam pelos artistas com número maior de seguidores. Com isso, artistas como eu somos uma aposta mais segura para os promotores. Mas ao mesmo tempo, vejo isso como uma maneira de deixar a cena morrer pouco a pouco. Deveria haver uma aposta por novos nomes. Toda a cena precisa de um refresh!
No meu caso, acabo indo a lugares onde às vezes não existe uma cena de HardTechno / Schranz propriamente dita, mas sim eventos esporádicos. Como é uma aposta eventual, muitas vezes sou a escolhida para representar o estilo. Por exemplo, recentemente fui para Bulgária na festa Hard Nature, e fui chamada pelo Jack Rock, que atualmente só trabalha com Techno, mas que antes, quando a cena de Hard era potente por lá, fazia muitos eventos de Hard. Ele comentou que há quatro anos não ocorria uma festa do estilo naquela área. Quando decidiram fazer uma edição especial de HardTechno / Schranz, resolveram me levar.
Sobraram poucos artistas realmente ativos nessa cena. Muitos mudaram de estilo, outros começaram a cobrar cachês muito baixos… Foi ai que eu e meu agente tomamos a decisão de manter os preços, pois se o contratante realmente quiser um artista ele vai pagar o que ele pede, se ele acha que o artista é rentável. Pagar um preço baixo por um artista não garante que ele vai encher a festa e que terá lucro.
O lance é se concentrar em fazer um trabalho de qualidade para o publico querer ver você tocar, independente do estilo. Apesar da situação da cena, seguimos nossa linha e o trabalho continuou fluindo. Hoje em dia eu até toco mais que antes e o cache também cresceu de acordo com a demanda.
Apesar de tudo, eu gosto de tocar HardTechno/Schranz, e enquanto eu continuar tendo bookings dentro do estilo, seguirei tocando com muita dedicação.
HM: Você criou o projeto Dot Chandle. Fale mais sobre suas motivações para criá-lo e como você o diferencia.
FM: Criei o AKA Dot Chandler em 2013. Minha ideia era o publico diferenciar, através do nome, meus diferentes estilos de música. Assim como o Snoop Dog tem o Snoop Lion, por exemplo. Mas é muito trabalhoso levar a imagem de 2 projetos, tudo é em dobro: duas sessões de fotos diferentes, dois logos, dois FB, dois soundcloud, etc, etc…
Algumas pessoas sim entenderam o proposito do nascimento da Dot Chandler, mas muitos ficaram no ¨Fernanda fazendo set de Hard¨ ou ¨Fernanda fazendo set de Techno¨. Por isso estou abandonando pouco a pouco o nome Dot Chandler e optei por em breve usar apenas Fernanda Martins. Mas às vezes lançarei como Dot Chandler, forever.
HM: Tem planos de vir para o Brasil esse ano?
FM: Esse ano provavelmente não irei, estou com muito trabalho aqui e ainda temos alguns projetos pessoais que dificultam eu sair daqui agora. Mas em 2018 certamente irei ao Brasil.
HM: Conte seus planos futuros.
FM: Quero me dedicar muito ao Devotion Records, é um selo que esta dando certo e crescendo mais do que esperávamos. No início achávamos que, por sermos artistas de Hard Techno, não nos dariam muito espaço. Ocorreu justamente o contrario. A agenda de lançamento está lotada até o fim do ano. Também temos Showcases do selo nos próximos meses em vários países da Europa. Quero poder trabalhar em algum deles também no Brasil em breve!
Tenho tocado muitos sets de Techno desde o ano passado, mas não quero deixar de tocar Hard Techno, até por ter sido a cena que abriu muitas portas para mim, sinto que devo muito a essa cena. Poderia dizer que talvez fosse até mais fácil tocar somente Techno devido a demanda e ao crescimento que o estilo teve nos últimos anos, mas não quero abandonar a cena de HardTechno, ela já passa por um momento difícil, se os artistas considerados pilares saírem a situação pode piorar, quero dar o máximo de suporte que puder para essa cena.
HM: Quais Softwares e Hardwares vocês mais usam para produzir?
FM: Ableton para produzir e Logic para masterizar. Nesse momento não estamos com nenhum Hardware no estúdio. Tínhamos um Vírus, vendemos. Estamos remodelando tudo, vamos mudar de estúdio. Compramos um Mac com processador mais rápido, uma nova placa de som, um dsp da universal áudio, entre outras coisinhas. Queremos investir em Hardwares pouco a pouco, no novo estúdio.
HOUSE MAG: Como você vê a participação da mulher na música eletrônica?
FM: Cada vez vemos mais nomes, mas não fico separando por sexo a qualidade do artista, não acho que o sexo seja algo para qualificar. Algumas artistas eu acompanho mais porque gosto mais, questão de gostos. A Rebekah, por exemplo, que vem tocando um som mais pesado que acho legal, a Amelie Lens eu também gosto bastante, mas é um tipo de som totalmente diferente.A minha compatriota Anna, também é uma ótima artista. Tem muitas!
Ser mulher na cena pode ser complicado, assim como pode ser trabalhando em um escritório. Uma cantora alemã falou algo que achei muito interessante: é muito ruim quando você trabalha com com algo e, ao entrar pela porta, se você é bonita ou mesmo ajeitadinha, as pessoas automaticamente te desqualificam. Como se sua aparência influenciasse no seu talento; muitas pessoas julgam as mulheres dessa foram. E na cena eletrônica muitas vezes – talvez a maioria delas – é assim também. Preferem comentar mais sobre a beleza da artista do que sobre a que toca pra caramba mas que não é tão good looking. Com os homens isso praticamente não acontece.
Sabemos que o mundo é machista, racista e todo ¨istas¨ que você possa imaginar, infelizmente as mulheres sofrem mais com isso que os homens.
Eu, particularmente, sempre corto esse tipo de assunto. Quantas vezes já me perguntaram: ¨O que você acho da Débora De Luca?¨, se eu acho que ela ganha demais pelo trabalho q ela faz. Eu não acho! Se ela estipula um preço e alguém paga, é porque vale, não é? Assim funciona o mercado.

HM: Vamos fazer um bate bola no final da entrevista
Artista referência para você em Hard Techno?
O Lukas.
E no Techno?
Laurent Garnier
Um artista de outro estilo musical
Michael Jackson
Uma mulher que te inspira?
Minha mãe
Um Vinil?
Crispy Bacon
Uma festa que você foi que não sai da cabeça?
Awakenings 2010, foi a primeira que toquei.
A festa que você tocou que mais te marcou?
Monegros Desert Festival 2009
Qual foi a maior dificuldade de sair do Brasil?
Deixar para trás família e amigos.
Seu maior acerto nessa historia?
Seguir meu coração em tudo que fiz ate agora
O que você pretende receber em seus selos dos produtores que desejam enviar conteúdo?
Acho que a melhor coisa para fazer é ver o conteúdo lançado neles, a linha de som, para entender o espirito de cada selo.
Você vem do Techno, passou pelo Techno e continua no Techno, mas muitos outros tipos de som estão sendo chamados de Techno. O que é Techno para você?
A essência do Techno para mim, que me chama atenção, é a parte rítmica. Mas nada é uma regra. Meu gosto pessoal? Um bumbo bem marcado, um baixo bem gordo. Tem que ter caráter! Tem que fazer vibrar o peito!
Você tem dificuldade em reconhecer a diferença dos estilos quando pesquisa música?
Não, porque já são muitos anos de pesquisa, tantos selos conhecidos, tantos artistas, então já sei mais ou menos onde pesquisar e achar coisas do meu agrado.
Seu set não é mais 100% vinil? Como você tem trabalhado ele?
Não, faz tempo. Primeiro passei para o Traktor porque não queria me desfazer das pick-ups, mas chegou uma hora que tive que me render. Hoje em dia toco com os USBs. É muito menos dor de cabeça, sem falar que viajo com menos peso. Além de praticamente nunca ter tido problemas com equipamentos nas gigs.
O que esperar de Fernanda Martins para os próximos momentos?
Mais produções de Techno, bastante trabalho em cima do Devotion e do AudioCode, e com eventos dos dois selos.
Uma palavra para as DJs, produtoras, mulheres que participam da música eletrônica. O que você diria para elas, quando olham seu caso de sucesso?
Que elas tenham confiança, tirem de dentro do peito aquilo que estão sentindo, porque a maior receita de sucesso que existe é você estar feliz. Quando você esta feliz com o que você faz, as pessoas percebem de maneira diferente. Contagia! E é muito difícil ¨atuar¨ sempre, se você faz de conta que esta curtindo, você pode conseguir resultados às vezes. Mas viver fingindo deve ser osso. Então não finja. Seja você mesmo! É a melhor forma de ser feliz e livre. O mais importante é o que você sente e o que você pensa. Você tem que seguir o que você realmente acredita.
