Na vanguarda do minimalismo brasileiro: podcast e entrevista exclusiva com o duo Stekke

Por: Lucas Doné

Para quem não conhece o duo formado por Ale Reis e Renee, esta é uma ótima hora e oportunidade de se apaixonar pelo trabalho dos dois, tanto em suas produções Stekke, como também a produção da festa MINIM no sul do país, focada em minimal, por onde já passaram nomes como Pi-Ge, ToFu, Birdsmakingmachine, entre outros. A próxima acontece n o dia 13 de maio em Itajaí e traz ninguém mais ninguém menos que um dos maiores representantes do minimalismo francês: o músico Cabanne. Saiba mais sobre esta edição da MINIM na página do evento no Facebook.

E também todo trabalho feito com a Sketches Records, gravadora vinyl only, apresentando releases contendo remixes de peso, como do primeiro disco com Thomas Melchior, o segundo com Voigtmann e agora no terceiro release com remix do nosso brasileiro Dee Bufato, da D.Agency. Além de outras novidades e portas abertas que eles têm conquistado pelo mundo inteiro que irão nos contar aqui.

Para acompanhar a entrevista, o duo preparou um Podcast exclusivo para o House Mag Series, a trilha perfeita para acompanhar a trajetória de dois dos nossos artistas mais consistentes: 

 

 

 

HOUSE MAG – Com o surgimento da OLGA, gravadora mais conceituada da própria D-Edge, que vocês iniciaram com um belo EP ao lado do Ney Faustini, e agora com o último lançamento tendo de volta vocês como Stk Ensemble, quais seriam as diferenças do projeto na produção e como funcionam as escolhas das tracks para direcionar a OLGA, para SUDD ou a SKETCHES?

STEKKE – Nós assinamos hoje como Stekke (que é o Alias pelo qual nos apresentamos com DJ e Live Set), Stk Ensemble (nossas produções não tão minimalistas e com mais elementos harmônicos) e como STK (nossa concepção mais Techno Raw). Esses outros dois Alias, usamos apenas para lançar releases com uma sonoridade que foge um pouco do que idealizamos pro Stekke, porém, sempre dentro da nossa identidade.

O SUDD é uma plataforma pela qual temos um carinho especial, e buscamos dar suporte a um núcleo artístico pelo qual temos um zelo muito grande. É um selo que, até então, é composto por 100% de artistas nacionais e uma curadoria bem minuciosa. Tem um leque mais aberto, indo de um som mais orgânico ao eletrônico, de músicas experimentais à dancefloor, desde que nos agrade e tenha a estética do label.

O Sketches é um label mais restrito, de caráter minimalista, e pelas dificuldades de gerir um Vinyl Label morando no Brasil, não temos obrigação quanto a número de releases, fazemos tudo no seu tempo e com bastante planejamento.

Já o OLGA é um label do D.EDGE voltado para o Techno. Em breve teremos um próximo release na subdivisão OLGA LIMITED (vinyl only) como STK com duas faixas Detroit Raw Style contendo um belíssimo Remix do lendário Gari Romalis.
 

HOUSE MAG – Falando em Sketches, esse terceiro release contendo duas produções próprias e mais um remix do Dee Bufato, chegou no RA Top 50 de fevereiro. Como foi esse trabalho e ver o reconhecimento de um EP só nacional tendo essas dimensões?

STEKKE – Nós estamos muito contentes com o feedback dos nossos releases. O primeiro tendo suporte de artistas que admiramos muito como o próprio Thomas Melchior, Zip, Daniel Bell, Fumiya Tanaka, Cabanne, Trio Arpiar (Petre, Rhadoo, Raresh), Voigtmann, Cristi Cons, Herodot, Brawther, Valenzuela, Lowris, … . O remix de Thomas Melchior foi considerado entre as 250 melhores músicas de 2016 pelo site playedby (ficando em 7 lugar), o que com certeza nos deixou muito felizes.

O segundo release teve um inesperado review do Resident Advisor. Algo que nos surprendeu por ser o release mais abstrato do Sketches até agora, mas com ótimos feedbacks. São duas tracks originais do ar.at. e um lindo e atemporal remix do Claus (Voigtmann).

O terceiro é, assim como todos os nossos releases, muito especial pra nós.

 

 

“How Long Do I Have To You For You” foi feita ha alguns anos atrás e é o “xodo” do Ale. A Tati Pimont estava em  Florianópolis na época e presenciou parte do processo de criação em nosso estúdio, trocando um pouco de experiências. Desde então, guardamos ela para o selo, para um melhor momento. Enquanto estávamos compondo a outra faixa, a Sain, mandamos uma demo para o Dee Bufato ouvir e imediatamente ele pediu os acordes da música, e alguns dias depois, nos encaminhou a reinterpretação dele, a qual adoramos e faz parte do release.

É sem dúvida muito gratificante ver o trabalho tendo suporte, respeito dos artistas, os quais admiramos. É o que sempre buscamos com o nosso trabalho, portanto é totalmente realizador.

 

 

HOUSE MAG – Em outra entrevista que fiz com vocês, foi dito que vocês não vêem a música/arte como um produto do mercado, e sim como liberdade de expressão. Como é se expressar e ter uma reconstrução dessa expressão feita por outros artistas, como por exemplo, Thomas Melchior, Voigtmann e Dee Bufato?

STEKKE – Music connecting people. As coisas fluem da maneira que tem que ser, da sua forma, no seu tempo. Ter nossas músicas com remixes de artistas geniais é muito gratificante pra nós. Significa que algo que fazemos faz sentido.

Analisando pelo lado prático, uma reinterpretação de uma criação sua por mãos e ouvidos desses artistas gera muita expectativa até recebermos o material final, tem um lado divertido de ver como eles “entenderam” sua música e lógico, uma enorme satisfação com o resultado.

 

 

HOUSE MAG –  Indo agora para a outra gravadora, a SUDD, o release 17 que vocês soltaram são duas Jam Sessions de 2014 e 2016 feitas junto com Marcelo Godoy (aka Godog) e Cesar Alvarenga (aka Kuba Stepp), conhecidos como Pasithee, formando junto com vocês o Pasitekke e Stekhee. Como foi essa experiência e esse trabalho com essas Jam sessions?

STEKKE – Marcelo Godoy e Cesar Alvarenga são nossos amigos há muito tempo, pelos quais temos admiração e um enorme carinho. Todos os anos eles sempre nos deram muito suporte em Berlim, onde vivem dedicando suas vidas à música por alguns anos. Começamos em 2014 algumas idéias no home estúdio do Godoy, uma delas faz parte da compilação, e foi praticamente o Original Take, apenas corrigindo alguns detalhes de Mix. Em 2015 não foi diferente, criamos algumas tracks juntos (que ainda necessitam de ajustes nas mixes, mas são excelentes musicas).

E ano passado, com o estúdio do Cesinha “pronto” (um belíssimo estúdio por sinal), em Berlim, compusemos algumas outras tracks, sendo uma delas um long take de horas, a qual cortamos uma parte e finalizamos pro SUDD017.

É sempre uma alegria enorme fazer estúdio com eles. Alguns boxes de pizzas, bebidas, muitas risadas, e sempre uma boa música.

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2014 JAM – Godoy Home Studio

 

 

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2015 JAM – Cesinha Home Studio

 

 

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2016 JAM – Cesinha 32T Studio

 

 

HOUSE MAG –  Ainda falando sobre a SUDD, ela é algo considerado um grupo aberto para todos os artistas que lançam, eu mesmo fazendo parte sinto isso e vejo o esforço de vocês para que essa abertura seja sempre assim. Sentindo isso, vejo nomes desconhecidos surgindo com ótimos releases. Como é essa busca por esses novos produtores, contato que eles podem fazer para chegar até vocês.

STEKKE – Ficamos felizes que você se sente desta maneira, pois procuramos dar o melhor suporte aos nossos artistas dentro do possível, é uma satisfação te-los conosco. Abrimos o label a todos para que se sintam parte dele, pois sem os artistas o selo não existiria. O label é pra eles, assim como eles pro label.

Nós conhecemos bastante DJs e produtores em função de estarmos inseridos na cena há um bom tempo. Sempre algum amigo acaba encaminhando o trabalho de outro artista e assim vamos descobrindo novos talentos. Através do SoundcloudFacebookEmail (suddrecords@icloud.com), as pessoas podem entrar em contato e encaminhar seu trabalho. Estamos sempre abertos a novos artistas, desde que tenha a filosofia que buscamos pro Sudd.

 

 

HOUSE MAG – Além da SUDD, teve o surgimento da suddub, focada ao dub com um release do Ohnishi. Como foi esse surgimento e a necessidade para essa sublabel?

STEKKE – Nós temos um gosto musical bem amplo dentro da música eletrônica, e também fora dela. Mas falando de música eletrônica, desde o Dub, Dub Techno, Deep, House, Minimal, Techno, Electro. Quando a música é “boa” ela fala por si só independente de rótulos. Gêneros musicais existem para determinar segmentos à determinadas musicalidades. O SUDD Dub (Sudd/Suddub – brothers labels – sound under digital/dub domain) é um novo label com uma identidade voltada para o Dub/Dub Techno. Já havíamos recebido músicas do Ohnishi, Zaws, Sancess, Galvan, que seguem essa linha, e sem dúvida já tinhamos o SUDDub mentalizado por anos, até mesmo com um Dubplate do Zaws feito ha algum tempo no Dubplate & Mastering (Berlin).

 

 

 

HOUSE MAG – Com todo esse trabalho através de gravadoras, ótimos releases e a MINIM, consequentemente portas vem se abrindo para vocês propagarem o nome de vocês, algumas dessas propagações foi o convite para a segunda edição da RTS. FM no Brasil ao lado de Rudolf aka Bidsmakingmachine e um podcast no clubberia do Japão. Conte-nos como rolou esses convites e o que acharam do resultado.

STEKKE – O Pi-Ge veio ao Brasil por indicação do Ohnishi. Ohnishi é um DJ extraordinário, residente do D.EDGE com raízes Ocidentais.

Tivemos alguns dias com o Pi-Ge em Florianópolis e pudemos trocar umas idéias sobre música eletrônica e mostrar um pouco do nosso trabalho pra ele.

Pi-Ge nos impressionou muito na MINIM 1, fazendo um set impecável, um dos melhores sets que ouvimos recentemente. E foi após conhecer o que fazemos, que ele nos convidou para gravar um Podcast para o Clubberia, que é um canal extremamente respeitado e admirado no Japão. É muito prazeroso ter essa abertura do nosso trabalho atingir pessoas do outro lado do mundo, através de plataformas tão importantes dentro da cena.

 

 

Quanto à RTS.FM, havíamos recebido o convite em Berlin ano passado de uma amiga responsável pela organização do programa. Nesse meio tempo, Marco Blasquez assumiu a representação da marca no Brasil e nos fez um outro convite. Aproveitamos a oportunidade que o Birdsmakingmachine estaria aqui, e aceitou participar do gravação. Ele já havia participado alguns anos atrás através do Label Nervmusic, junto com Andrey Zots. Adoramos os convites, foi um satisfação ter participado.

 

 

 

HOUSE MAG – O Brasil, no cenário mundial, vem crescendo trazendo nomes consagrados, nomes jovens em destaque, festas se estruturando e criando suas identidades. Vendo todo esse movimento, como vocês enxergam o Brasil daqui a 5 anos?

STEKKE – Os núcleos que vêm se formando são reflexos, consequências do nosso cenário musical atual. Se estão iniciando, é porque desejam algo mais. Seja em termos de musicalidade, abertura, oportunidades ou insatisfação com o óbvio e o inerte, são várias as razões que geraram essas consequências.

Temos hoje um público muito mais exigente e se enriquecendo musicalmente numa velocidade que impressiona (algo que não tínhamos no passado). 

Efetivamente, nós vemos de uma forma muito benéfica, pois isso ajuda a agregar valor, e tem sido muito saudável à boa música.

Se mantivermos organização, determinação e coragem, veremos o Brasil muito bem inserido no cenário mundial nos próximos anos. Talento, energia e um ótimo público nos temos de sobra.

 

 

HOUSE MAG – E por último: mesmo com todo esse crescimento de trabalho, sempre há espaços para novidades. Se puderem, contem pra gente quais são os próximos passos das gravadoras, festas, tours e produções.

– RELEASES

Sketches Records

[SKT004] Stekke – Attempt (Incl. Daze Maxim Remix) Estamos planejando o lançamento
para o final do primeiro semestre.

 

MENTHA Records

[MTH006] STK – What is Raw (Incl. Gari Romalis Remix) Vinyl Only

Para o segundo semestre o release número 6 do Label de Nova Iorque Mentha, que já lançou DJ Skull, Hakim Murphy, e em seguida traz Bruno Limma com Remix de Ney Faustini, contendo “Techno Raw” release assinado como STK e remix de Gari Romalis.

Art by Mar Santos

 

OLGA Limited

[OLGALTD001] STK – Uncompromissing Groundwork (Incl. Gari Romalis Remix)

Detroit Raw Vibes por STK no primeiro OLGA Limited, com um killer dancefloor remix

de Gari Romalis.


SUDD & SUDDub

Waz Series #3 (Stk Ensemble, THAR (Gui Thome & Ale Reis modular Jams), Abraham, Charret) & Galvan.

 

MINIM

Teremos 2 grandes atrações para as MINIM 4 e 5, mas por enquanto vamos manter em OFF.

Estamos trabalhando bastante nas produções e nos labels, é o que fazemos todos os dias, de segunda a segunda. Conversando muito, analisando todos os detalhes para que possamos dar o melhor suporte aos artistas e apresentar o trabalho da melhor forma possível.

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* Editado por: Gabriela Loschi

 

 

 

 

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