Por: Lucas Arnaud
Foto: Pastor Valdemiro em grande evento no Quinta Da Boa Vista (vide link)
O Ultra Music Festival já é considerado um dos maiores eventos de música eletrônica em todo mundo – a edição brasileira do festival, que está programada para ocorrer nos dias 14 e 15 de outubro no Rio de Janeiro, é aguardada ansiosamente pelos fãs. Todavia, algumas notícias de última hora geram dúvidas sobre a possibilidade de realização do festival, já que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) embargou (mais uma vez) a organização da festa.
Inicialmente, o festival estava programado para ocorrer no Aterro do Flamengo – o Iphan não autorizou sua realização pois o local é tombado e (segundo eles) não poderia comportar 80 mil pessoas por dia. O mesmo critério parece não ter sido utilizado, por exemplo, para a festa “Bloco do Sargento Pimenta”, que reuniu 180 mil pessoas no mesmo local em um único dia (vide: http://carnaval.ig.com.br/rio/2016-02-08/sargento-pimenta-une-beatles-e-ritmos-brasileiros-no-rio.html).
Dessa forma, anúnciou-se no começo de julho que o festival mudaria de local:
“Para atender à enorme demanda por ingressos do público de todo o Brasil e do mundo, o ULTRA Brasil expande-se mudando para o local belíssimo e confortável do parque da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 de outubro de 2016.” – Equipe do Ultra na fanpage oficial do evento.
A organização do festival afirma que nessa época, a própria Seop já havia dado uma concessão em consulta prévia para a realização da festa no local. Todavia, há praticamente duas semanas do festival (tendo o local sido escolhido há meses) – o Iphan divulga a seguinte nota oficial na fanpage do facebook “Iphan RJ”:
“O IPHAN não autorizou o festival de música eletrônica Ultra Rio Brasil programado para a Quinta da Boa Vista, nos dias 14 e 15 de outubro. O motivo é a incompatibilidade de evento desse tipo e porte com aquele local, onde seriam prejudicados o prédio do Museu Nacional e seu delicado acervo, expostos que ficariam às vibrações decorrentes do som, além da fauna e da flora, A Quinta da Boa Vista é tombada pelo Iphan desde 1938 por sua importância Histórica e Artística.
A construção primitiva do MUSEU NACIONAL era a fazenda jesuítica de São Cristóvão, do século XVII, voltada para, criação de gado. Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, é o maior museu de História Natural da América Latina. Seu acervo tem 4 milhões de peças, das quais 10 mil estão expostas em dois andares de circuito dividido em áreas de zoologia, arqueologia, etnografia, antiguidades clássicas, geologia e paleontologia.”
O critério parece também ter sido outro em relação à festa “Louvorzão 2011”, que reuniu mais de 200 mil pessoas no mesmo local, Quinta da Boa Vista. A festa “Rio Parada Funk” também recebeu autorização para levar cerca de 400 mil pessoas ao Aterro do Flamengo, há pouquissimo tempo.
Em nota oficial, a organização do festival responde:
“O festival Ultra Brasil, nos dias 14 e 15 de outubro, está preparado para realizar um festival sem causar danos, em nenhuma esfera, à Quinta da Boa Vista: todas as áreas ocupadas serão protegidas e serão preservadas. Estamos em contato constante com a Prefeitura do Rio e com todos os demais órgãos responsáveis para assegurar que tudo transcorra dentro do previsto e garanta a melhor experiência possível para o público.”
Também afirmaram, via chat do facebook: “O festival está tomando todas as medidas recursais para garantir sua realização nos dias 14 e 15 de outubro. É natural que um evento deste porte passe por um amplo processo de aprovação com os órgãos públicos”
Apesar dos organizadores afirmarem que a Seop (Secretaria municipal de Ordem Pública) havia concedido autorização prévia para a realização no local, o orgão afirmou que o festival não tinha “nenhuma autorização” – tendo a administração municipal embargado o evento por tempo indeterminado”.
Dessa forma, ficou complicado determinar o futuro ou a viabilidade do festival – mas se pararmos para analisar toda essa “história”, algo não encaixa. Ou é isso, ou os eventos de funk são mais eco-friendly do que imaginávamos…
