Novo álbum de Nicolas Jaar traz caldeirão de referências com roupagem eletrônica; ouça

Por: Anderson Santiago

Conforme anunciado pelo próprio produtor na semana passada, o novo disco de Nicolar Jaar já pode ser escutado via streaming na íntegra. Dito e feito! Chamado “Sirens”, o álbum sai pelo selo de Jaar (Other People) somente no dia 30/9, conta com seis músicas inéditas e mais uma track como bônus, mas já pode ser degustado na misteriosa rádio online do artista, a Channel 333. É o primeiro disco solo do artista desde “Space Is Only Noise”, de 2011 (antes, ele lançou em projetos como Darkside e também fez, em 2015, uma releitura da soundtrack do filme “A Cor da Romã”).

Em “Sirens”, Jaar continua traçando seu caminho na música eletrônica baseado no experimentalismo. Muitas texturas dão pano de fundo às tracks, que, no conjunto, transbordam originalidade e frescor. É um disco dos nossos dias: intenso, viajante e cheio de referências que vão da cumbia ao jazz, praticamente impossível de encaixar numa só vertente (como techno, house ou ambient, por exemplo). Como já sabemos, o background musical de Jaar é vasto (ele também é guitarrista, baterista e saxofonista) e, no novo disco, atestamos sua capacidade de passear por ritmos diferentes agregando-os ao seu som.

 
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“Killing Time” apresenta o disco com uma intro lenta, repleta de sons de objetos e vidros se despedaçando. Um vocal intimista e modificado, bem à la James Blake, confere ainda mais dramaticidade à bela música. Em seguida aparece “The Governor”, que é puro deleite jazzístico, com Jaar cantando em inglês versos rápidos, enquanto a percussão e os sopros ganham cada vez mais corpo. Na sequência vem “No”, que, com letra em espanhol, tem sangue latino e é claramente inspirada pela cúmbia, o ritmo tradicional de países sul-americanos como Colômbia, Paraguai e Chile, este último onde Nicolas passou grande parte da infância. “Three Sides Of Nazareth” é oitentista, com pegada electro e roqueira que lembra New Order na sua melhor forma. E, por fim, uma baladinha experimental levinha, “History Lesson”, talvez a menos empolgante de “Sirens”.

Por ter somente seis faixas, o disco deixa aquele gostinho de “mais”. A dica é dar o play novamente e capturar cada vez mais nuances, que certamente vão aparecer e fazer maior sentido a cada nova audição. Sorte que o garoto Nico tem apenas 26 anos: ainda veremos muita música de qualidade vindo deste talento.

Ouça aqui. 

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