Por: Lucas Santos e Gabriel Santos
Fotos: Miranda Mcdonald
É cada vez mais evidente que a cena underground está crescendo na costa oeste dos Estados Unidos, e transformational festivals vem ganhando reconhecimento e sendo impulsionados junto com a cena – que também está em constante evolução. O Lightning in a Bottle deste ano provou exatamente isso. A empresa de produção The Do Lab conseguiu vender todos os seus 20.000 bilhetes ( sold out ) alguns dias antes do evento com um lineup underground rigoroso.
Se você não é um fanático do techno, um amante do trap, house lover, ou qualquer outro estilo, ainda há algo para você. Uma parcela muito grande dos participantes estão lá apenas pela experiência, e por isso The Do Lab traz uma produção monumental.

É sempre difícil por em palavras e explicar toda a sua experiência enquanto você prova um pouco da vida cotidiana em uma cidade alienígena, mas vou tentar o máximo descrever as sensações que passamos nestes 5 dias isolados.
É um sentimento único quando você passa pela primeira vez pelos portões do festival. Ficamos em uma batalha constante contra a ansiedade enquanto estávamos na fila por horas esperando a nossa vez de entrar nos acampamentos. Mas o momento em que estacionamos o carro, foi puro ecstasy. Andamos ao redor tentando encontrar um local para o nosso acampamento carregando todos nossos equipamentos. Nossos músculos estavam exaustos, suando profusamente, mas sempre com um sorriso contagiante no rosto, pois por alguns dias, tudo o que estava rolando fora dos portões do Lighting in a Bottle, eram insignificantes.
Depois de montar o nosso “templo” para os próximos dias, o próximo passo era reconhecer o local e dar um passeio por “LIB city”. Foi fascinante ver os ultimos retoques feitos pelo time de produção. É díficil imaginar que poucos dias antes do evento não existia nada além de terra e árvores no local. Com certeza, não é nenhuma surpresa que a equipe de produção do The Do Lab é excepcional. O melhor elogio que posso dar-lhes é que tudo que estava ali era funcional e não-intrusivo. O festival tinha uma abundância de banheiros químicos, estações de água, tendas médicas, funcionários e voluntários que fizeram a nossa experiência suave e sem anomalias.

O line up era recheado de artistas de peso e conceito musical. É sempre surpreendente, principalmente hoje em dia com a magnitude do EDM, que um line up de formação puramente underground foi capaz de vender todos os tickets do evento uma semana antes da data do próprio. Isso mostra que Lighting in a Bottle e outros festivais do gênero vem transformando o mercado e trazendo uma experiência única. The Do Lab ganhou um nível de credibilidade e confiança que atrai seu público independente dos artista que estão ali tocando.
A música é o foco do evento, mas as atividades oferecidas também eram de grande importância e ajudavam você a se sentir relaxado e sempre pronto para mais festa. Yoga era a atividade mais popular. Além disso também hávia workshops, palestras, massagem e outras atividades. Era meio que um ritual as pessoas acordarem de manhã e irem direto para as classes de yoga soar as toxinas ruins consumidas na noite anterior.

A música foi de alto nível o tempo todo e a energia de todos estava fervendo. Estar no meio da multidão sendo esmagado, nunca foi tão bom e inclusivo. A galera estava pulando para cima e para baixo sem parar. Favela Bar (um dos palcos): Era impossível passar na frente e não entrar. Toda galera dançando em cima das mesas, uma energia contagiante e muita música boa fez deste local ser uma experiência emocionante. A linha estava mais puxado para o techno. E sim, Favela Bar foi baseada nas favelas do Brasil. Algumas pessoas até ficaram ofendidas, e chegaram a comentar, mas nós não vimos nenhuma maldade. Pelo ao contrário, foi até interessante ver um pedacinho do Brasil em um festival deste porte aqui nos Estados Unidos. O Bar Pagoda: Era um pouco pequeno, mas estava lotado o tempo todo, decidimos dar uma paradinha la para ver Autograf. Que por sinal foi sensacional, seu som majéstico fez a galera pirar. Ele mandou muito bem. Tinha muitos artistas que tentamos ver, mas foi difícil escolher, pois eles estavam distribuidos em diferentes palcos. Os artistas que mais gostamos e que foram favoritos do público: Sacha Robotti, Justin Jay, Tokimonsta, Mija, Four Tet, Lane 8, Autograf, Jamie XX, Lafa Taylor, Lee Burridge, Guy Gerber, Jonas Rathsman e muitos outros.

De tanta coisa boa que rolou no festival, é fácil de esquecer os mínimos problemas. Mas eles existiam. O calor era impossível de escapar, impossível de dormir, e o fator mais dificil de lhe dar. Os chuveiros eram pagos. O pessoal sem dinheiro ficou em uma pior, e teve que usar o ATM ou pedir dinheiro emprestado. Os chuveiros custavam em volta de 8 a 12 dólares por banho e a água estava MUITO quente. Tinha rumores de que alguns deles estavam frio, procuramos o máximo mas não achamos esse tal de chuveiro mítico. (risos).
Para sair do festival demorou mais de 4 horas. Deixar o evento foi bem estressante. A equipe que estava responsável pela saida dos carros estava mal-humorada e sem paciência. Na verdade, a impaciência estava presente em todos os lugares, vindo da parte dos funcionários e dos convidados. Não sei como, mas tínhamos certeza que hávia uma maneira melhor de lidar com este problema.

Afinal, Lightining in a Bottle foi um festival impar em meio a tanta mesmisse. E é isso que nós procuramos sempre que vamos a um festival. Uma expêriencia única e diferente com trilha sonóra de qualidade. Até a proxima LIB.
