Quem acompanha nossa revista imprensa sabe a importância que damos em cobrir as mais variadas iniciativas dentro da cena eletrônica nacional, procurando trazer os destaques, na medida do possível, de todos os cantos do Brasil. Na House Mag #43, por sinal, conseguimos abordar todas as regiões brasileiras.
É por isso que a partir de agora, neste nosso site, damos início a uma nova série de artigos e entrevistas com agitadores culturais de diferentes Estados brasileiros — sendo que grande parte deles é normalmente pouco explorada pela imprensa. Começamos falando sobre um evento de grande porte que vai rolar no Acre, esse Estado tão afastado da dominante região sudeste e que ainda está longe de ter uma cena eletrônica consolidada.
Sim, engraçadinhos de plantão: o Acre não só existe, como está sediando em sua capital o Electric Summer Carnival, o primeiro carnaval eletrônico de Rio Branco. O evento, que está sendo produzido por Kleir Carvalho, Andreas Santiago, Hirla Moura, Mayara Ferreira, Carlos Faial, Sanderley Lessa e Wanderson Vitor, promete trazer mais de mil pessoas para 12 horas ininterruptas de festa neste dia 06, a partir das 20h, no Parque das Acácias. Naturalmente, por ser a primeira iniciativa local em uma cena pouco estruturada, o line-up é modesto, trazendo os locais Cau Bartholo, Edu Andrade, Wanderson Vitor, Hasaan, K4US e Psychow (além de convidados), mas essa turma já tem planos mais ambiciosos para o futuro!
Confira abaixo o papo que batemos com o Wanderson Vitor — que está começando sua carreira como DJ de electro house agora, mas destaca ser apaixonado por música eletrônica desde 1995 — para saber mais sobre essa insurgência acreana:

HOUSE MAG – Como surgiu a iniciativa?
WANDERSON – Sou amigo do Kleir Carvalho há alguns anos e ele também é um amante da música e dos festivais de música eletrônica. Quando surgiu o anúncio do Tomorrowland Brasil, resolvemos montar um grupo no WhatsApp com amigos que tivessem interesse em ir. Após o retorno de São Paulo, a saudade e a vontade de reunir para curtir EDM, house, deep, entre outras vertentes, foi crescendo, e resolvemos fazer em todos os meses – até o próximo Tomorrowland — eventos mensais que reuniriam somente os participantes do grupo e alguns convidados.
A ideia, porém, foi crescendo e surgiu a vontade de realizar algo totalmente diferente, agora aberto ao público, bem organizado e que mudasse o cenário no Acre. Eu e o Andreas Santiago idealizamos e outros amigos compraram a ideia do Electric Summer Carnival 2016, para aqueles que querem um carnaval diferente.
HOUSE MAG – Como é a cena de música eletrônica no Acre?
WANDERSON – Bem, a música eletrônica aqui está em baixa, todas as boates estão substituindo os DJs por duplas sertanejas. Hoje em dia os DJs tocam nos intervalos entre as duplas. Infelizmente o sertanejo universitário dominou todos os ambientes aqui no Acre, acompanhado do samba e pagode. Pensando nisso, estamos querendo mudar essa triste realidade.
HOUSE MAG – Quais são as principais barreiras que vocês encontram para realizar este evento?
WANDERSON – Graças a Deus as barreiras foram superadas com sucesso: confecção de ingressos e pulseiras de fora do Estado e a licença autorizando a festa (FUREPOL) chegaram a tempo, estamos com a vistoria do corpo de bombeiros em dia… A parte burocrática foi a maior barreira, mas com a organização da equipe tudo foi completamente resolvido.
HOUSE MAG – Vocês têm apoio de algum órgão público ou privado?
WANDERSON – Na idealização do evento não, porém, no que tange às autorizações necessárias, os órgãos nos concederam a tempo tudo o que foi oficiado. Temos somente um empresário do ramo gastronômico que disponibilizou seu empreendimento para colocarmos um ponto fixo de vendas.
HOUSE MAG – Desde quando vocês começaram a organizar eventos, perceberam alguma mudança?
WANDERSON – Sim, percebemos que de uma pequena ideia, o evento começou a tomar proporções maiores e hoje os investimentos estão altos. Teremos seis DJs e outros convidados tocando por 12 horas de festa, investimento num bar que possa proporcionar um excelente atendimento, um som de qualidade para que as pessoas possam curtir, praça de alimentação, segurança qualificada e profissional, iluminação e decoração de primeira.
HOUSE MAG – Como o público está recebendo essa ideia?
WANDERSON – Felizmente o público recebe com bastante alegria. Temos depoimentos em nossa página no Facebook de pessoas dizendo “salvaram o meu carnaval!”, “enfim uma festa desse porte no Acre”... A procura por ingressos está aumentando a cada dia!
HOUSE MAG – Quais são os objetivos para o futuro?
WANDERSON – Os objetivos são muitos, apesar de estar apenas começando a sair do papel. Tenho o desejo de levar o Acre ao cenário nacional dos festivais de música eletrônica; pode parecer só sonho, mas tudo é possível para quem sonha e corre atrás. Penso num evento futuro, quem sabe, ter nomes como Alok, FTampa, Felguk, Hugo Castillo, dando início assim a um “Festival de Música Eletrônica da Floresta”, com abrangência nacional, assim como Federal Music, Universo Paralello… Mas por enquanto, [focamos em] colocar a ESC no calendário do acreano.
HOUSE MAG – O que você acha que ainda precisa melhorar no seu Estado e quais os principais desafios que ainda espera encontrar?
WANDERSON – O que precisa melhorar é o investimento por parte de outras pessoas para a realização de eventos como esse. [Precisamos de] Investimento em casas noturnas mais modernas, e em escolas para DJs; os DJs precisam se atualizar e deixar de se “prostituir” na profissão, de serem mercenários; precisam ter identidade própria no que tange à vertente que tocam, formar opinião. O que quero dizer com isso, é que se sou um DJ de psy, não faz sentido tocar funk na balada — sem querer diminuir o funk —, mas o que acontece aqui é que eles se vendem para tocar de tudo, fazendo com que a profissão seja desvalorizada.
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