Por Gabriela Loschi
Com 28 anos de carreira ele foi convidado pelo Comitê Olímpico Rio 2016 a ser Diretor Musical de algumas competições no maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas que acontecem no Brasil este ano. Ele é o carioca que fez um B2B com Tiesto no Big Brother Brasil 2006, mas sua carreira começou muito antes disso, em rádio, onde ficou por 17 anos. Como DJ de música eletrônica, gênero que tem se dedicado nos últimos 15 anos, Roger Lyra rodou o Brasil e o mundo, se apresentando em festivais como o Ultra Music Festival em Miami. Tocou no reveillon da Barra da Tijuca para mais de 1 milhão de pessoas com o Above & Beyond e em 2005 fundou a NRG Music & Management, empresa que realizou 3 edições do festival Creamfields no Rio de Janeiro.
Já lançou diversos produtos em parceria com a Armada Music, selo do Armin Van Buuren, incluindo seu CD em comemoração de 10 anos de carreira e o famoso DVD Armin Only. “A divisão de bookings está a todo vapor e conta com um cast de 15 artistas cariocas que vêm despontando na cena local. Atualmente estou atuando ao lado do Anderson Rago na área comercial da agencia ARC Mgmt e dividindo meu tempo entre os compromissos com a Rio 2016 e o grande prazer de estar com minha filha Brenda Lyra”, contou Roger. Tudo isso é um briefing de sua extensa carreira que o levou hoje às Olimpíadas. E nós queremos saber como é ser um DJ Olímpico. Pra quem se interessar, ele está aceitando demos. Quer ter a sua música tocada para o mundo inteiro durante o evento? Confira a entrevista, saiba como tudo isso funciona, que tipo de música ele busca, e anota o email dele lá no final:
HOUSE MAG – Primeiramente, parabéns por ter sido escolhido Diretor Musical de algumas competições pelo Comitê Olímpico Rio 2016, Roger! Como foi receber este convite?
ROGER LYRA – Obrigado, está sendo um grande prazer e um desafio inédito na minha carreira. Participar de um evento deste porte é algo único e quando surgiu oficialmente o convite, senti uma enorme felicidade de poder fazer parte de algo histórico em nosso país, e sendo especialmente na minha cidade. Realmente foi algo irrecusável.
HOUSE MAG – Você pode explicar um pouco como funciona essa parte musical nas Olimpíadas?
ROGER LYRA – A cada ciclo olímpico, novidades são implementadas nos protocolos das competições e nas cerimônias de abertura e encerramento. Tudo indica que vamos ter DJs participando das 42 modalidades durante os jogos e tudo está sendo devidamente testado e planejado durante as competições do Aquece Rio, que são eventos teste que fazem parte dos preparativos para a Rio 2016.
HOUSE MAG – Conte um pouco sobre o trabalho. Quais são as suas responsabilidades?
ROGER LYRA – Existe uma grande equipe envolvida em um evento deste porte, profissionais com muita experiência em eventos esportivos como a Christy Nicolay, general manager que tem 5 olimpíadas em seu currículo. Na parte musical, temos a gestão geral do Yury Almeida e em cada competição foi escolhido um Diretor Musical que é o responsável pela execução e seleção de repertório, usando a sua sensibilidade e conhecimento musical para escolher a música certa para cada tipo de esporte, respeitando, é claro, alguns critérios e protocolos, mas com grande liberdade para colocar o seu ponto de vista musical.
HOUSE MAG – Você iniciou o trabalho em eventos testes?
ROGER LYRA – Realizei semana passada a competição de Powerlifting na Arena 1 do Parque Olímpico na Barra da Tijuca, durante 4 dias e foi muito interessante conhecer esse universo e conviver com atletas de mais de 20 países, tendo a responsabilidade de escolher a música que os apresenta ao entrar na área de competição e motivá-los no momento mais importante. Além disso, o “warm-up” para aquecer o público na arena antes e depois da competição, é responsabilidade do Diretor Musical e essa foi a parte mais divertida e intuitiva sem dúvida.
HOUSE MAG – E no evento principal, que são as Olimpíadas, como vai funcionar? Já sabe de quantos e quais eventos você será responsável?
ROGER LYRA – O Comitê Olímpico separa em 3 etapas o trabalho do Diretor Musical: o Aquece Rio que são os eventos teste, os Jogos Olímpicos em agosto e os jogos Paraolímpicos em setembro. Os profissionais selecionados podem participar de várias competições diferentes das 42 modalidades e pelo menos 70% deles serão brasileiros. Cada competição tem necessidades diferentes e algumas tem maior participação, como basquete e Rugby, mas a intenção é ter música em todos os eventos. Além das competições, vamos ter DJs atuando também na Vila Olímpica e isso promete ser algo muito bacana também. Após a conclusão dos eventos teste, vem a confirmação de qual competição o Diretor Musical vai atuar durante os Jogos, por isso é fundamental o compromisso e dedicação de cada um durante o Aquece Rio.
HOUSE MAG – Por que você acha que te escolheram e como você está pensando as trilhas?
ROGER LYRA – Ao longo de quase 3 décadas eu tive a oportunidade de atuar nas mais diversas áreas do universo DJ, como rádio, televisão, gravadoras, produção de eventos e, é claro, clubs, eventos e festivais nos 4 cantos do país e imagino que a experiência é um fator fundamental na hora de atuar em um evento deste porte. O conhecimento musical amplo faz a diferença na hora de escolher o repertório que combina com uma modalidade mais específica. Porém, é bem mais fácil em uma competição de basquete, pois já temos a referência dos intervalos dos jogos da NBA, e levantar o público é fundamental neste tipo de esporte. Quando mudamos para uma Maratona ou Westling, a coisa complica um pouco e nessa hora o conhecimento musical e a sensibilidade musical adquirida com o tempo pode fazer a diferença.
HOUSE MAG – Que conceito você busca mostrar com seu trabalho e que tipo de músicas, artistas, irá focar?
ROGER LYRA – O ponto de vista é totalmente diferente do trabalho que realizamos no dia a dia, afinal de contas, ali não tem pista de dança e às vezes o público precisa estar em silencio total. Uma parte importante é estar conectado com os atletas para motivá-los no momento mais importante da sua carreira. Cada tipo de competição tem sua pegada. A música eletrônica certamente terá seu espaço durante o evento, mas acredito que o Rock e o Hip-Hop vão marcar grande presença. Acho fundamental também incluir a música brasileira sempre que possível, afinal, é a primeira vez que temos uma Olimpíada em nosso país. É importante prestigiar quem faz música de qualidade aqui.
HOUSE MAG – Você tem total liberdade para escolher as músicas, ou foi orientado a seguir certos padrões?
ROGER LYRA – Em uma competição com bilhões de espectadores em todo o mundo, é claro que existem padrões e diretrizes a serem respeitados, mas fiquei surpreso com a liberdade musical que vamos ter durante os jogos. A equipe que opera cada competição conta com muita gente qualificada e muito experiente para dar suporte ao trabalho dos DJs. Eu já tinha me apresentado em algumas competições esportivas no passado, mas como uma atração convidada. Agora, atuando no staff, é uma experiência completamente diferente e este desafio é motivante para aprender coisas novas.
HOUSE MAG – Quais são os principais desafios que você sentiu até agora e que ainda vêm pela frente?
ROGER LYRA – O espaço para os DJs cresceu muito nos últimos anos e a cena brasileira cada vez mais tem novos e talentosos nomes, atraindo mais público e conquistando espaço mundialmente. No passado tivemos o Tiesto e Fatboy Slim tocando na abertura dos Jogos Olímpicos, imagina que surpresa boa seria ter um DJ brasileiro tocando no Maracanã?
HOUSE MAG – Como um artista tem a chance de ter sua música tocada nas Olimpíadas, por você?
ROGER LYRA – Pode enviar para mim, estou aceitando demos, vamos ter espaço para todos os segmentos musicais durante evento. Basta enviar o link para download no email dj@rogerlyra.com.br.
Boa sorte :)
