Em uma notícia de pouco mais de duas semanas, dá conta que o Twitter estaria pensando em adquirir a plataforma online de publicação de áudio utilizada por profissionais de música, em um negócio que iria provavelmente força-los a uma maior repressão no que consiste a violação de direitos autorais. Enquanto nada é confirmado, parece que SoundCloud já começou a retirar o conteúdo que considera como infrator de direitos autorais, e um dos primeiros alvos principais é um dos mais conhecidos DJs da house music, o norte-americano Kaskade.
O SoundCloud usa um sistema automatizado para identificar e bloquear conteúdos carregados que estão protegidos pelos conhecidos copyrights, incluindo sets mixados, bootlegs, mashups e remixes; no entanto, até a presente data, o sistema baseado na Alemanha não firmou acordos de licenciamento com as grandes gravadoras. A conta do artista possui, por enquanto, uma extensa seleção de músicas originais e remixes, todas disponibilizadas para download gratuito. Mas esta não é a primeira vez que ele demonstra desapontamento com esta famosa mecânica de oferecer música para seus fãs.
Quando o SoundCloud do artista recebeu avisos sobre um eventual bloqueio da conta, não apenas devido aos seus mash-ups, mas por algumas de suas próprias músicas, ele expressou que este seria “o fim de uma era na música eletrônica”. O que sempre foi uma indústria impulsionada pela expressão criativa, tem sido manchada por grandes gravadoras que não sabem, não querem, ou são incapazes de adaptar-se à maneira como a música é distribuída e consumida na era digital.
Durante anos, a música tem sido um exemplo brilhante de uma arte entre seus artistas, labels e fãs, mas essa essência pode ter sido perdida na busca incessante pelo lucro. Nesse período, bootlegs foram incentivados, mash-ups lançaram carreiras, e a ideia de que a música “pertencia” a alguém existia apenas em uma área pouco difundida. Agora, que as sonoridades eletrônicas se tornaram um fenômeno da cultura pop, as regras foram rapidamente mudadas. Ou seja, o que uma vez foi permitido, agora, simplesmente, está fora de questão.
É de conhecimento comum que a quantidade de dinheiro que as gravadoras recebem da venda de música é quase insignificante, e de modo algum substitui os custos de publicidade que eles gastam promovendo tais faixas. A questão que Kaskade põe em evidência, é pedir que haja uma reflexão por parte das gravadoras a mudarem seu modo de pensar – para permitir que a música seja ouvida, independentemente do método, em vez de liderarem uma batalha que só vai servir para silenciar artistas e isolar ainda mais fãs dedicados do gênero.
Depois de prometer disponibilizar toda sua música para os fãs, sem nenhum custo, Kaskade transmitiu seu último álbum no YouTube. Ele também liberou para download gratuito vários remixes e sets gravados nos últimos anos, até que teve todo esse material retirado do ar por reivindicação de direitos autorais. Ao invés de ser uma vítima do desânimo, Kaskade decidiu que a melhor solução seria uma nova plataforma que servirá para abrigar todos seus trabalhos já feitos, sem vínculo com gravadoras ou sites de hospedagem.
Embora a nova plataforma não venha muito tempo após Joel Zimmerman criar um sistema semelhante, é algo que Kaskade já vem trabalhado há alguns anos. Além disso, ele promete lançar uma versão digital do seu EP Redux, pois grande parte dos seus muitos fãs não tiveram a oportunidade de ouvi-lo no em vinil. Por último – embora não menos importante, o veterano da música diz estar trabalhando em um novo álbum, e que conseguiu avançar com este apenas nas últimas semanas. Como sempre tem feito, deixa seus fãs esperançosos do que ainda vem pela frente.
